Por Marina Bufon
"E lá nós se vira como pode", diz um trecho da música "London Freestyle", de Veigh, que saiu de um papel suado tirado do meião de Yuri Alberto, após a classificação do Corinthians para a semifinal da Copa do Brasil, na noite da última quarta-feira, na Neo Química Arena.
Depois de nove jogos sem marcar um gol, o centroavante fez logo os "primeiros" três e complementou o tento de Gil no 4 a 1 que garantiu a goleada sobre o Atlético-GO. E o camisa 9 se virou, mesmo, como pôde, com gol de tudo quanto é jeito: de um lado, por baixo das pernas de Renan; de cabeça, no meio da zaga; do outro lado, em um tapa na saída do goleiro. Estilo jogador caro.
Assim como Yuri, outros jogadores caros e pesados chamaram a responsabilidade para si e deram uma resposta necessária à torcida alvinegra. A grande maioria fez isso, mas, principalmente, Renato Augusto e Róger Guedes, que tiveram grandes atuações e colaboraram diretamente para o resultado positivo - o camisa 8 deu três assistências e o 10 deu a outra e ainda mandou uma bola no travessão no primeiro tempo.
Foi uma grande atuação coletiva da equipe comandada por Vítor Pereira, que se deu declarações polêmicas após a derrota no Derby, se desculpou com a torcida antes do duelo e depois dele também, com os quatro gols marcados de um ataque que, nos últimos cinco jogos, só havia balançado as redes duas vezes. Ainda: o clube nunca havia marcado contra o Dragão na Arena.
A escalação mandada a campo foi de força total, com os "melhores" à disposição desde o início e, mostrando em campo, desde o primeiro minuto, a vontade que a Fiel sempre deseja ver em campo. De fato, algo dessa gana já estava sendo mostrada nos dois compromissos passados (contra Flamengo e Palmeiras), mas, contra o Atlético-GO, foi ainda mais latente.
Por um lado, pela necessidade: era preciso reverter um marcador de 2 a 0, sofrido na ida. Por outro, por pressão: era preciso dar uma resposta - à torcida e a eles mesmos. E aconteceu, com muita paciência e organização, ainda que, durante um período no meio do primeiro tempo, não fosse tão objetivo ao gol, de fato.
Após minutos iniciais de muitas chances e falta de trato no passe final, o Corinthians chegou ao tento, finalmente, com Gil, de cabeça, já partindo para o fim do primeiro tempo. A equipe foi premiada, porque o Atlético abdicou de jogar, fez cera antes do tempo e colocou a vantagem no colo. Não deu certo.
No segundo tempo, o ímpeto e o fôlego eram os mesmos, com os mesmos atletas (ninguém foi substituído) e, então, o menino da música, não o que está em Londres (gravando o clipe, calma...), mas o que "mudou o DDD" e saiu da Rússia para o Corinthians, enfim, desencantou e marcou três vezes.
O Corinthians ainda sofreria um gol de Wellington Rato, que colocou fogo no terço final do jogo. Claro, não daria para um jogo ser tranquilo, certo? Houve, sim, um certo desequilíbrio a partir de então e se o Atlético tivesse sabido aproveitar (parecia em choque pela partida do adversário), poderia ter complicado um pouco a vida dos corintianos.
Gustavo Silva, que entrou no lugar de Adson, ainda teve uma chance no finalzinho, mas o 4 a 1, justíssimo, selou a classificação do time, que ressurgiu em meio à turbulência e, como tudo no futebol, mudou totalmente o cenário do clube: deu a volta por cima e chega embalado pela classificação para voltar a brigar, também, pelo Brasileiro, que dias atrás estava cravado como perdido.
Para além da força coletiva, talentos individuais, noite iluminada de Renato e Yuri, trabalho da comissão técnica e presença em massa da torcida na Neo Química Arena, é preciso destacar, também, a força mental e o equilíbrio psicológico recuperado em pouco tempo para conseguir reverter o marcador e avançar.
Mesmo se o clube tivesse sido eliminado, voltaria a afirmar, como antes já fiz: o trabalho de Vítor Pereira é muito bom e precisa continuar. Agora, com a classificação, é ainda mais fácil dizer isso.