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Brasileiro promete sacrifício por 2016 e quer aprender com astros

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Publicado em 02/02/2015 10:00:00 Compartilhe
Bruno Ceccon - Campinas , SP

Aos 25 anos, contratado pela Cannondale e favorito para representar o Brasil nos Jogos do Rio de Janeiro 2016, Henrique Avancini vive o auge de sua carreira. Em 2015, ele promete se sacrificar para aumentar o número de vagas do País no cross-country olímpico (XCO) de mountain bike e planeja aprender com os consagrados companheiros de equipe.

Como sede dos Jogos, o Brasil tem uma vaga garantida no XCO. Para levar dois atletas, precisa figurar entre os 13 melhores do ranking olímpico por países da União Ciclística Internacional (UCI) em maio de 2016 – atualmente é o 20º com 712 pontos, 506 a menos que o Canadá, 13º colocado.

A pontuação do ranking por países da UCI é resultado das performances dos três melhores atletas de cada nação. Avancini, responsável por 57% dos pontos do Brasil, promete se sacrificar em 2015. “Vou encaixar mais provas no meu calendário”, disse o ciclista em entrevista à Gazeta Esportiva.

Atual 21º colocado no ranking individual, o brasileiro, contratado pela Cannondale até dezembro de 2016, esperar aproveitar ao máximo a oportunidade de conviver com o alemão Manuel Fumic, vice-campeão mundial de cross-country em 2013, e com o italiano Marco Fontana, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Londres 2012.

GE – Em 2015, você estreia como atleta da Cannondale. O que espera da temporada de maneira geral?
Avancini – Esse é um ano de muitas alterações para mim em relação a foco de calendário, estrutura de equipe, novos parceiros, novos gerentes. Até agora, tudo está se desenhando em uma linha muito boa. A principal mudança é que não preciso mais me preocupar tanto com eventos menores nacionais e posso dar atenção bem maior à preparação para grandes competições, principalmente as etapas de Copa do Mundo. Certamente, vou visar melhores resultados nos eventos de maior pontuação.

GE – O seu primeiro grande desafio é a Cyprus Sunshine Cup, a partir dia 26 de fevereiro…
Avancini – Viajo para a sede da Cannondale em Stuttgart na metade de fevereiro. Passo alguns dias acertando detalhes na Alemanha e já participo dessa prova no Chipre. De fato, vai ser a primeira grande competição com a nova equipe e também serve como teste para avaliar o resultado da minha pré-temporada.

Henrique Avancini estreia pela Cannondale na Taça Brasil de XCO, em Campo Largo-PR, no dia 15 de fevereiro
Henrique Avancini estreia pela Cannondale na Taça Brasil de XCO, em Campo Largo-PR, no dia 15 de fevereiro – Credito: Fernando Dantas/Gazeta Press
GE – Tendo as Olimpíadas de 2016 no horizonte, acha que foi o momento ideal para acertar com uma equipe como a Cannondale? 
Avancini – É o momento perfeito. Até o começo da Copa do Mundo, no final de março, vou poder me integrar à equipe de maneira geral, aos novos materiais e companheiros. Depois, tenho aproximadamente um ano – do meio de 2015 ao meio de 2016 – para crescer como atleta e chegar nas Olimpíadas na melhor forma possível.

GE – Por ser a sede dos Jogos, o Brasil já tem uma vaga garantida no cross-country olímpico (XCO)…
Avancini – A gente teve a sorte ou o azar de ter essa nova regra que garante uma vaga no masculino e outra no feminino ao país sede. Por oferecer certa tranquilidade, foi bom, mas por outro lado desacelerou um pouco a cobrança dos órgãos. Enfim, é positivo e negativo ao mesmo tempo.

GE – Para levar dois atletas às Olimpíadas, o Brasil precisa ficar entre os 13 melhores no ranking por países da UCI. Acha possível?
Avancini – Depende em grande parte de mim, do que vou conseguir fazer junto com a Cannondale em termos de pontuação. Acho que é viável. Há um buraco de safra muito grande no Brasil. Os atletas da geração anterior têm 34, 35 anos. Depois, até a minha geração, há um buraco de 10 anos que não foi preenchido por vários fatores. A minha geração está começando a crescer agora. Outros atletas também têm chance de fazer uma pontuação maior. Se isso acontecer, é bem provável que tenhamos dois representantes no XCO no Rio de Janeiro.

GE – Como você disse, a ascensão do Brasil no ranking de países depende em grande parte de você. É uma responsabilidade. Imagino que os outros brasileiros esperam que você contribua… 
Avancini – É uma responsabilidade a mais, sim. Mas não deixa de ser uma motivação e um prazer. Embora ainda falte muito tempo, teoricamente tenho uma certa folga de pontuação. Mesmo assim, pretendo me sacrificar em 2015 e tentar encaixar mais provas no meu calendário para ajudar o Brasil a trazer mais um atleta. Acho importante para o País não ficar tudo em cima de um único competidor. Sei o que representa para um atleta participar das Olimpíadas. Se conseguirmos mais uma vaga, vou estar fazendo um bem muito grande para essa pessoa. É uma coisa que me motiva.

Nascido em Petrópolis, Henrique é filho de Ruy Avancini, dirigente da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC)
Nascido em Petrópolis, Henrique é filho de Ruy Avancini, dirigente da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) – Credito: Fernando Dantas/Gazeta Press
GE – Na Cannondale, você poderá conviver com atletas consagrados, como o alemão Manuel Fumic, vice-campeão mundial em 2013, e o italiano Marco Fontana, medalha de bronze nas Olimpíadas de Londres. Acha que pode aprender com eles? 
Avancini – Acredito que vou conseguir tirar bastante coisa de positivo para a minha carreira na parte de pilotagem com esses dois atletas. Estou realmente animado por fazer parte de uma equipe que tem um vice-campeão mundial e um medalhista olímpico. Isso pode pesar muito a meu favor até os Jogos de 2016, assim como a abertura da Cannondale para desenvolvimento de materiais.

GE – Os dois foram receptivos com você?
Avancini – No tempo que passamos juntos, foram muito acessíveis e se mostraram dispostos a ajudar. São atletas que já estão na parte final da carreira, então possuem toda a experiência possível. Acredito que vou contar com uma excelente abertura. Eles sabem da importância que tenho dentro da Cannondale hoje pelo fato de o Brasil receber as Olimpíadas, entendem que meu resultado no Rio de Janeiro é muito importante não só para mim e para o meu país, mas também para a equipe. Isso é bem positivo.

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