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Oposição a Nuzman, presidente da CBTM critica retrocesso do COB

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Atualizado em 06/10/2016 - 12:37:49 Compartilhe
Lucas Toso - São Paulo , SP
(Foto: Christian Martinez/CBTM)
Alaor foi reeleito presidente da CBTM em agosto de 2016 (Foto: Christian Martinez/CBTM)

Na manhã desta terça-feira, Carlos Arthur Núzman teve 24 dos 34 votos possíveis e foi eleito novamente presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Em pleito de candidato único, Núzman se colocou por mais quatro anos à frente do órgão de maior importância do esporte brasileiro, totalizando, ao fim de 2020, 25 anos de presidência sobre a entidade. Principal opositor do dirigente, o presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), Alaor Azevedo, acredita que é de extrema urgência a mudança na ultrapassada gestão do Comitê.

“A gente acha que ele (Núzman) tem méritos, que conquistou a sede das Olimpíadas e revolucionou o esporte brasileiro. No entanto, o tempo passa e a gente tem que se modernizar”, afirmou Alaor com exclusividade à Gazeta Esportiva.

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Tendo sido o único a votar expressamente contra a reeleição de Núzman, Alaor apresentou uma chapa concorrente, mas foi impedido pelas regras do COB de ser elegível para o cargo. “Um absurdo ter que inscrever a chapa no dia 30 de abril, além de precisar de 10 confederações para referendar essa chapa, isso é 30% do total”, explicou o dirigente.

O que Alaor também exalta é o medo das Confederações em apoiar chapas de oposição tantos meses antes das Olimpíadas, momento crucial na preparação dos atletas para os Jogos. “Não posso afirmar que houve represálias, mas existe muita dependência financeira do Comitê Olímpico”, acrescentou.

“Temos um problema de má gestão, verbas não explicadas, muito dinheiro investido errado. O COB é um órgão que tem critérios não transparentes. Temos que cobrá-los. Gastamos três vezes mais que a Inglaterra e tivemos resultados inferiores”, pontuou. Nos Jogos Olímpicos, o Brasil ficou na 13ª colocação, com 7 ouros, 6 pratas e 6 bronzes, enquanto os britânicos ficaram atrás apenas dos Estados Unidos no quadro de medalhas (27 ouros, 23 pratas e 17 bronzes).

E os prognósticos para os Jogos de Tóquio não são os melhores. “Para 2020, se não houver mudanças, a gente piora. A má gestão e falta de transparência afugentam os patrocinadores. Estou pessimista, acho que estamos mais para Grécia do que Grã-Bretanha”, pontuou, se referindo à queda de qualidade do país após sediarem os Jogos. Em 2004, os gregos ficaram na 15ª colocação, caindo para o 58º posto na edição seguinte, em 2008.

“A equalização das verbas é uma das metas a serem atingidas. É inacreditável, também, que a participação das Confederações seja mínima, elas não tiveram nenhuma parte nas Olimpíadas. É de cima para baixo”, afirmou Alaor sobre sua proposta de chapa, que pode ser consultada no portal Muda COB.

Alaor conseguiu uma liminar de primeira e segunda instância para que a chapa fosse referendada a 30 dias dos Jogos, mas o desembargador revogou a decisão e o representante da CBTM se viu impossibilitado de concorrer. O processo, então, voltou à primeira instância e provas foram apresentadas até a última sexta-feira. Agora, tudo será analisado e a eleição pode, inclusive, ser anulada, exigindo a convocação de novo pleito.

“Me sinto muito motivado pela eleição de ontem, pela baixa quantidade de votos que o Núzman conseguiu. Precisamos rediscutir o esporte brasileiro”, completou Alaor. Foram 24 votos a favor, um dos menores índices dos 100 anos de COB, além de um contra, três abstenções, um em branco e cinco ausências.

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