Rogério Ceni lamenta chances perdidas do São Paulo e elogia Rigoni: "Espero que volte a brilhar"

São Paulo, SP

19/03/22 | 19:45

O São Paulo estava vencendo tranquilamente contra o Botafogo-SP neste sábado, mas, com apenas 1 a 0 no placar e um pênalti defendido, teve trabalho para confirmar um placar favorável, que terminou 2 a 1. O técnico Rogério Ceni avaliou a partida e revelou quais eram as intenções do time neste duelo.

“O time produziu inúmeras chances de gol, mas não foi efetivo. Foi um pouco mais lento que o normal. A vitória é sempre importante, claro, mas hoje era um dia para a gente fazer a diferença de gols e melhorar nossa situação na tabela de classificação”, iniciou o treinador em coletiva de imprensa após a vitória.

“Perdemos o pênalti, acho que psicologicamente deu uma desequilibrada, acabamos sofrendo o gol e tivemos que lutar mais que o necessário para fazer o segundo gol da vitória. Acho que era um jogo que a gente poderia ter colocado três, quatro gols de diferença, e saído hoje em uma situação melhor dentro do campeonato”, complementou.


Autor do primeiro gol do triunfo, Rigoni também foi elogiado pelo técnico, que espera que o argentino recupere a confiança de seu início de trabalho no clube.

“Rigoni é um menino ótimo para se lidar no dia a dia. Ele teve uma fase muito boa quando chegou ao São Paulo, com muitos gols e assistências, e nós estamos tentando fazer com que ele ganhe confiança novamente. Acho que ele rende bem em qualquer função, por dentro, seja por fora, no um contra um, ele tem essa técnica”, falou.

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“Na recomposição pelo lado ele precisa evoluir um pouco, mas já por dentro ele tem uma marcação um pouco melhor. Adoro o Rigoni e de trabalhar com ele. Tenho certeza que ele vai chegar próximo da importância que ele teve para o São Paulo nos jogos do início do Brasileiro do ano passado. Espero que ele volte a brilhar como naquela época”.

Ceni ainda falou sobre outros pontos, como Moreira, comparação desta temporada com o ano passado, relação com o torcedor e o que fazer para não sofrer em mata-mata.

Veja abaixo outros trechos da coletiva:

Moreira em nova função

“Sobre o Moreira, um garoto bom de se trabalhar, 17 anos apenas, está indo hoje (sábado) para a seleção portuguesa sub-18. A função principal dele é lateral direito, mas ele já fez essa função em treinamentos comigo e essa semana ele treinou nessa posição. Como eu falo, eu gostaria de escalar o Luan, mas fisicamente eu ainda não vejo condição de ele ser aproveitado 45 minutos. Por isso, hoje com a ausência do Pablo, colocamos o Moreira para fazer essa função”.

O que mudou do ano passado para 2022

“É muito difícil falar do próprio trabalho, é uma coisa delicada para você colocar. Acho que, o que vejo de diferente do São Paulo do ano passado para este ano é a competitividade, acho que é um time que não deixa de lutar em momento nenhum. Precisa evoluir em certos aspectos, é claro, mas defensivamente evoluiu do ano passado. Cria bastante oportunidade de gol, mas nem sempre as converte ou converte talvez um número equivalente ao que cria de oportunidades, mas é uma equipe que hoje orgulha seu torcedor pela maneira que se comporta dentro do campo. Acho que esta é a principal evolução do time. Esperamos que na terça-feira a gente consiga dar sequência neste campeonato, que não começamos bem, quer dizer, tínhamos poucos dias de treino, 17 jogadores com covid na primeira semana, não tínhamos condições físicas realmente de brigar com alguns adversários, o que nos deixou em uma posição desfavorável para brigar pela melhor campanha do campeonato ou numa posição até acima do que a gente se encontra. Mas é um time que não deixa de lutar. Acho que, psicologicamente, é um time melhor que o ano passado”.

Torcedor está mais do seu lado?

“Acho que sim, muito também por conta dos resultados que nós tivemos. Até a terceira rodada nós tínhamos um ponto. Da quarta até a 12ª, nós fizemos 22 pontos, ganhamos vários jogos. No Brasil, o conceito muda de rodada para rodada, de uma vitória, uma derrota, acho isso natural, não vejo como pegar no pé. O torcedor é movido à paixão, quer ganhar todos os jogos. E a imprensa está aí também para valorizar bons trabalhos, criticar quando as coisas não vão bem. Vejo como algo natural inserido na cultura do nosso futebol. O que eu vejo nesse time é que, a longo prazo, para Campeonato Brasileiro, chegará no final do ano em uma posição bem superior ao que foi no ano passado, um time bem mais firme, coeso, fisicamente melhor e, em alguns aspectos, com mais opções de troca em um nível bem parecido. Agora, tem os jogos finais que vamos enfrentar equipes mais prontas e até superiores à nossa, e esse vai ser o grande desafio nesse resto de Campeonato Paulista”.

Chuva

“Honestamente eu sempre gosto de trabalhar em pé, na beira do campo. Me sinto mais conectado aos jogadores. Tinha capa (de chuva) no banco, mas não coloquei porque estava relativamente fraca, eu também sempre tomei chuva. Só estamos mais velhos, mas acostumados. Não tem nenhuma mensagem nisso, é só minha maneira de trabalhar, que prefiro, em 90, 95% do tempo estar na beira do campo, sempre falando com eles, posicionando, tentando ajudar de alguma maneira, cantando o jogo, para que a gente tenha essa conexão melhor. Se a chuva tivesse forte, com certeza tinha pego uma capa de chuva para ficar com eles na beira do campo”.

O que fazer para não sofrer em mata-mata

“Acho que na Copa do Brasil nós não fizemos mais do que nossa obrigação até agora. Nós passamos por duas equipes que temos o maior poder de investimento e técnico também. O Campeonato Paulista, os grandes clubes têm, por obrigação, a classificação (para o mata-mata). O desafio começa agora, porque são jogos únicos. Quando você tem jogo único, é sempre muito perigoso, porque tem um erro, uma expulsão, um pênalti, muda toda a história da partida. Eu já pude observar a equipe do São Bernardo (adversário da próxima fase), é uma ótima equipe, bem competitiva, temos que, quando tiver a oportunidade fazer o gol, tem que colocar a bola para dentro o mais rápido possível. Quando você tem essas oportunidades contra algumas equipes, tem que encerrar o jogo o mais cedo possível. Repito, acho que a equipe do São Bernardo é uma equipe mais forte do que nós enfrentamos nos jogos que foram mata-mata até agora, tanto Manaus quanto Campinense (pela Copa do Brasil), acho que vai ser complicado, mais difícil, mas nós vamos, sem dúvida, fazer nosso melhor para atingir a semifinal, que é sempre onde os grandes acabam pensando em chegar”.

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