Michel Bastos tem o apoio dos jogadores e de Bauza para continuar no São Paulo (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
Há tempos a torcida do São Paulo e o meia Michel Bastos tem se estranhado. Próxima de ficar insustentável, a crise no relacionamento estará em evidência nesse sábado, quando ambos se encontrarão pela primeira vez nesse ano no estádio do Morumbi. Uma participação decisiva no jogo contra o Oeste, pela 14ª rodada do Paulistão, poderá ser um primeiro passo do atleta rumo à conciliação com as arquibancadas. Mas uma nova atuação desastrosa ampliará a dúvida sobre a permanência do jogador no clube.
Michel Bastos se tornou o principal alvo da torcida durante a má fase dessa temporada. O meia, que já sofreu duas lesões musculares no ano, retornou à equipe na última quarta-feira após se recuperar do problema mais recente. A atuação, no entanto, deixou a desejar. Ele desperdiçou um pênalti quando a partida estava empatada por 0 a 0 e perdeu a bola no lance que resultou no gol do Linense. O São Paulo evitou a derrota nos minutos finais do segundo tempo, com um gol do atacante Kelvin.
Após o duelo, Michel Bastos concedeu entrevistas reclamando da perseguição dos torcedores e colocando em xeque sua sequência no São Paulo. Oficialmente não há propostas para o jogador. A diretoria também insiste que não tem o interesse de liberá-lo. "Nós conversamos e lhe disse que, críticas à parte, não mudo minha opinião sobre ele. É um jogador importante e será titular, pois penso que ele é o melhor para essa posição [de ponta esquerda]", disse o técnico Edgardo Bauza, ao comentar a situação do atleta.
Michel Bastos já perdeu a paciência e mandou a torcida se calar em um jogo no Morumbi (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)
No ano passado, Michel Bastos também cansou de ouvir provocações da torcida e desabafou ao marcar um golaço na vitória por 3 a 0 sobre o Sport, em 31 de outubro. Com o dedo indicador em frente à boca, ele mandou os torcedores se calarem durante a comemoração do gol. Outras boas atuações na reta final do Brasileiro fizeram com que os são-paulinos perdoassem o deslize e terminassem o ano satisfeitos com o jogador. Mas a situação voltou a ficar delicada.
As torcidas organizadas apontam o jogador como uma "laranja podre" do elenco e o acusam de fazer "corpo mole" quando o time precisa do seu futebol. Um assessor da presidência, Rodrigo Gaspar, chegou a postar no Twitter que o meia era uma "erva daninha" que devia ser "cortada pela raiz". Também pesou contra o atleta o entrevero que teve com Diego Lugano, ocorrido após discordâncias sobre o pacto de silêncio que foi adotado pelos atletas depois da derrota por 1 a 0 para o Strongest. Ambos dizem que o desentendimento já foi superado.
"Michel tem os anos e a experiência suficiente para superar tudo isso. E tem o apoio de todos seus companheiros e o meu para fazê-lo. Por isso seguirá jogando", declarou Bauza. Discurso semelhante foi adotado pelos jogadores do São Paulo que deram entrevistas recentemente. "O Michel não joga sozinho. Todo o time é culpado. Ele tem nosso apoio e confiança. O Michel não tem culpa. Uma má fase não depende só de um jogador, mas de todos", afirmou o zagueiro Maicon, ao resumir o pensamento do elenco a respeito da situação do meia.