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Marcelo Teixeira quer ser mais que presidente do Conselho do Santos

Tiago Salazar - Santos , SP
10/01/2018 08:00:25

Em: Bastidores, Escolha do editor, Futebol, Notícias, Santos

Marcelo Teixeira presidiu o Santos em duas oportunidades: de 1991 a 1993 e de 2000 a 2009. São 13 anos no principal cargo do clube que também teve seu pai, Milton Teixeira, como mandatário entre 1983 e 1987, além da função de vice-presidente exercida mais cedo, de 1976 a 1977. Apesar de seu afastamento diretivo nos últimos anos, Marcelo Teixeira nunca se distanciou do dia a dia da Vila Belmiro. Mesmo após o fracasso na tentativa em apoiar Modesto Roma Júnior a uma reeleição, Teixeira voltou definitivamente ao Santos com a apertada eleição que o colocou no comando do Conselho Deliberativo.

Para as pessoas que vivem e convivem na rotina do clube ou fazem um acompanhamento mais próximo dos bastidores santista fica difícil imaginar Marcelo Teixeira limitado apenas a função de presidente do CD, cargo este que jamais teve influência relevante nas decisões tomadas por quem faz a gestão do futebol.

E essa estranheza de alguns faz sentido quando o próprio Marcelo Teixeira admite nesta entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva que não quer ser ‘apenas’ o presidente do Conselho Deliberativo, e sim muito mais que isso.

Marcelo Teixeira deseja se aproximar da gestão de José Carlos Peres (dir.) e Orlando Rollo (Foto: Tiago Salazar/Gazeta Esportiva)

“Acredito que eu possa ajudar não só o Conselho, mas, principalmente pela minha experiência, dar uma retaguarda para a própria área executiva. Óbvio que são poderes distintos, eles são independentes, mas por nós já termos conhecimento da forma, da maneira como acontecem as coisas no executivo…”, explicou Teixeira, ciente de que pode tomar um rumo de postura inédito dentro do Santos.

“Pode ser que na história do clube o presidente do Conselho não tenha tido essa oportunidade e com isso tenha ou dificultado ou não entendido alguns tramites naturais que acontecem na parte do executivo. Isso não quer dizer que o Conselho vai direcionar ou encobrir, muito pelo contrário, nossas ações serão sempre muito transparentes”, garantiu.

Marcelo Teixeira esteve ao lado de José Carlos Peres e Orlando Rollo, presidente e vice recém-eleitos, respectivamente, na noite dessa terça-feira no tradicional evento que homenageia Urbano Caldeira, patrono do estádio da Vila Belmiro, que eterniza o seu nome. À vontade, Teixeira discursou antes dos novos gestores e participou do coquetel oferecido aos convidados em seguida. A pedido da reportagem, sempre muito cordial, o presidente do CD detalhou essa proximidade que deve ter junto a Peres e Rolo ao menos pelos próximos três anos.

“Na prática, na realidade, até o momento não houve essa necessidade. Acredito que até porque a própria diretoria está tomando conhecimento das ações, da maneira como estejam acontecendo as coisas. Mas, se for necessário, em um momento próprio, nós estaremos à disposição, porque além de presidente do Conselho, nós queremos o melhor ao clube. Somos torcedores também”, contou.

“Hoje temos uma relação com o Peres que já foi mais íntima, mais próxima, porque ele fez parte das minhas gestões, assim como o Orlando (Rollo, vice-presidente). Eu o indiquei logo no início para que ele pudesse fazer parte do Conselho, iniciou, portanto, na minha administração no Conselho Deliberativo, no nosso grupo. Então, nós temos relações muito próximas. Óbvio que hoje temos de ter um cuidado para que essas relações não se misturem, mas são sempre relações muito do bem, que a gente faz de forma a melhorar as situações inerentes ao clube”, ressaltou.

Robinho e Gabriel já!
Apesar de ser amigo pessoal de Robinho e nunca esconder sua admiração pelo atleta que surgiu durante sua administração, em 2002, Marcelo Teixeira avisou que não fará contato com o atacante para tratar sobre a nova possibilidade do Santos repatriá-lo.

“Nesse momento eu não posso interferir. É uma decisão da diretoria, já faz parte do planejamento dos profissionais do futebol e aí já não é a minha área. Eu acho que tem profissionais hoje capazes de fazer esse tipo de contato, até porque o Robinho não conviverá mais no futebol comigo. Conviverá com esses novos dirigentes”, disse.

Entretanto, Teixeira, mesmo com todo cuidado para não usar palavras que possam ser mal interpretadas por quem gere o clube hoje, foi enfático em opinar sobre a tão discutida contratação de Robinho, e também de Gabriel.

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“Óbvio, como torcedor, o Robinho, o Gabriel, são crias nossas, que eu acho que têm uma identidade muito grande com o clube e poderiam, em um momento como esse, como o Modesto contou com o Ricardo Oliveira e o Elano no início da sua gestão, atletas identificados com a história do clube, eu acredito que neste início seria interessante a diretoria compor o grupo com atletas que possam testemunhar o que significa o Santos, até porque esses atletas também conhecem o presidente atual, já conviveram com eles em outras oportunidades. Isso seria interessante para a história do Santos. Mas é uma decisão que cabe a diretoria”, afirmou.

Minutos depois, ainda durante o mesmo evento, José Carlos Peres comentou a vontade de Marcelo Teixeira e fez questão de frear a empolgação mais emotiva dessa relação entre criador e criatura.

“Talvez o presidente (do Conselho Deliberativo) não saiba, mas o Santos tem limitação financeira. Eu queria ter o Messi e grandes jogadores por aqui. Não estou dizendo que não vamos contratar. Ele (Robinho) e todos os outros que estão sendo citados são caros. Não podemos gastar mais do que nós temos”, avisou o presidente eleito a pouco mais de um mês.

Conselho rachado
A vitória por apenas dois votos na eleição para presidente do Conselho Deliberativo logo após um pleito que contou com quatro chapas para definir o novo mandatário do Santos sinalizou a falta sintonia entre as lideranças políticas do Santos. E isso foi sentido por Marcelo Teixeira desde seus primeiros momentos à frente do CD. Apesar de não se dizer surpreso, o novo responsável pelo órgão fiscalizador não escondeu sua preocupação com o rumo da política santista.

“Em um passado mais recente nós tínhamos dois grupos. O grupo da liderança da oposição com o grupo da liderança do Marcelo Teixeira. E hoje, não. Hoje você nota que surgem lideranças e nem sempre essas lideranças se mantêm durante todo esse processo. Essa é a grande dificuldade. E as pessoas que estavam próximas dessas lideranças ou se decepcionam ou ficam durante o caminho e não preservam essas identidades. Com isso, a gente nota que fragmenta, divide mais ainda esse processo”, avaliou.

O que Teixeira espera agora é que sua credibilidade e seu tato para se relacionar e administrar pessoas e instituições sirvam mais do que nunca para minimizar esses rachas e unificar o Conselho Deliberativo do Santos. O primeiro passo nesse sentido já foi dado e comemorado muito pelo presidente.

“Acredito que nós já tivemos uma grande conquista ontem (segunda) na definição da comissão fiscal. Nós sabemos dos grupos, sabemos das pretensões de cada um deles e de uma forma muito isenta, democrática, conseguimos unificar. Não temos grupos ou chapas para a Conselho Fiscal. Nós teremos uma única chapa, que conseguiu aglutinar grupos. Acredito que já seja uma vitória, uma demonstração de um gesto de pacificação. Foi um bom começo. Pela nossa experiência mesmo a gente já consegue no contato fazer com que as pessoas se desarmem e estejam mais dispostas a colaborar com o Conselho”, ratificou.

 




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