Capacidade, estética e desafios: os detalhes do projeto do novo estádio do Santos

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Foto: Divulgação

O torcedor do Santos conta os dias para poder conhecer a sua nova casa. Aprovado pelo Conselho Deliberativo do clube e pelos sócios, recebendo 97% de votos favoráveis na assembleia, o projeto da nova Vila Belmiro está em fase de acertos burocráticos e tem previsão de sair do papel no segundo semestre deste ano.

Luiz Volpato, arquiteto que assina o projeto, detalhou a proposta arquitetônica. A ideia é criar uma arena multiuso, espelhando-se em grandes estádios pelo mundo.

“O projeto busca contribuir fortemente para os sentimentos de identidade e autoestima de seus usuários. Aliamos modernidade e tecnologia para reavivar a marcante trajetória do clube, além de oportunizar a sustentação para investidores”, disse.

“A experiência na nova casa santista irá além de um emocionante campo de batalhas. Também será um local de encontros, performances e produção de conteúdo”, acrescentou.

A área construída total será de 71.690,46 m². Destes, a área comercial ocupará 4.940 m², que serão distribuídos em 27 lojas internas e 36 lojas externas. O projeto ainda prevê um amplo estacionamento, dividido em dois andares nos níveis Térreo e Esplanada, com capacidade total para 576 veículos.

A nova Vila Belmiro ficará exatamente onde está a atual. A decisão pela manutenção do local considerou o legado santista, que faz parte da memória afetiva da população. Segundo o arquiteto, esta bagagem histórica não poderia ser replicada.

Outra vantagem é que o bairro Vila Belmiro tem uma posição estratégica, oferecendo acessibilidade em diferentes modais. Está próximo à linha de VLT existente, ao futuro corredor de ônibus e às diferentes linhas de ônibus previstas em projetos da prefeitura. A malha cicloviária e duas estações de bicicleta compartilhadas também estão perto do estádio.

O projeto propõe a entrada do público pelas quatro esquinas do quarteirão. Os veículos entrarão pelas ruas José de Alencar e Tiradentes. Já o ingresso para os camarotes será realizado pela Rua Dom Pedro I. Os jogadores e imprensa terão acesso pela Rua Princesa Isabel.

A previsão é de que a capacidade máxima seja de 30.108 lugares. Os torcedores serão divididos em quatro níveis diferentes: Arquibancada, Deck Premium, Camarote e Arquibancada Superior.

A nova casa santista será branca e preta, além de detalhes em dourado. A parte superior será composta por uma envoltória branca metálica, com imagens representativas dos ídolos que marcam a história do Santos, como Pelé.

Haverá algumas recordações, como o Rei socando o ar. Estas figuras, desenhadas através de perfurações computadorizadas, são fotos de acervo do clube, conservadas desde a década de 1960. Também haverá uma montagem com imagens de atletas como Gabigol, Kleber Pereira, Neymar e Paulinho. Além de recordações de partidas inesquecíveis, incluindo torneios nacionais e internacionais.

O peixe também terá seu lugar no estádio. Para proteger a grande esplanada de acesso, Volpato apresentará um elemento especial: um brise em forma de escamas, com chapas metálicas micro perfuradas e delgadas lâminas de fibra de carbono.

Ainda nesta área, localizada na interseção das ruas Princesa Isabel e José de Alencar, será inserido o símbolo do Santos. A parte mais exuberante do brise foi reservada para receber o brasão do clube, que será pintado na cor dourada.

Para potencializar o canto dos torcedores, o arquiteto promete alinhar três premissas: o movimento geométrico das arquibancadas, a aplicação das normas usando os limites mínimos e o preciso desenho da cobertura. A ideia é aumentar os efeitos de pressão e criar um "novo alçapão ainda mais assustador".

Desafios

Volpato afirma que as inúmeras necessidades e demandas deste projeto impõem um desafio singular. Além da responsabilidade com a história do Santos e a projeção de seu atual estádio, ele menciona outras condicionantes.

São elas: necessidade de ampliação da capacidade de público para 30 mil lugares, preservação das características do alçapão, a multifuncionalidade para viabilizar economicamente o empreendimento e a pequena área de terreno para equipamentos deste porte.

Além disso, o arquiteto alegou para o solo da cidade de Santos, que é composto por areia e argila mole, impedindo a existência de um subsolo. Devido a isso, os estacionamentos tiveram de ser projetados nos primeiros pavimentos.

“Elevamos o campo de futebol para 10 metros de altura do chão. Com isso, liberamos completamente a quadra, o que possibilitou grande fluência para todos os acessos, garagens, centro comercial e a parte funcional para todos os eventos. É uma solução extremamente inusitada e inovadora na construção de estádios de futebol”, declarou o arquiteto.

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