Último jogador garimpado no Chile sofreu com timidez no Corinthians

Helder Júnior - São Paulo,SP

31-07-2018 08:54:33


“Terminou o pesadelo de Cristian Suárez no Corinthians.” Foi assim que o jornal chileno La Tercera noticiou, há exatamente uma década, o fim da passagem do penúltimo jogador do país andino a atuar pelo clube brasileiro, que voltou a investir em uma revelação local em 2018.

Criado nas categorias de base do Deportes Antofagasta (time da sua cidade) e projetado pela Universidad de Chile, o meia Ángelo Araos chegou ao Corinthians também com uma aposta, tal qual ocorreu com o zagueiro Cristian Suárez. Ele tem 21 anos e é nascido 6 de janeiro de 1997, enquanto o seu compatriota, agora com 31, veio ao mundo em 6 de fevereiro de 1987.

Suárez enfrentou um período bem mais complicado para se firmar no Corinthians, que acabara de ser rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro quando o contratou. Em sua apresentação, ele chamou mais a atenção dos jornalistas pela grande tatuagem de Jesus Cristo no braço direito (concedeu entrevista com a manga do uniforme erguida, após posar para fotógrafos) do que pelo discurso.

Agora de cabelo curto, Cristian Suárez é um zagueiro experiente do Everton de Viña del Mar (foto: divulgação)

Entre os seus companheiros, Suárez também não se mostrou eloquente. Técnico corintiano à época, Mano Menezes comentava que a timidez do defensor chileno prejudicava muito a sua adaptação ao futebol brasileiro. Segundo Fabinho, ex-volante e hoje auxiliar de Osmar Loss no Corinthians, o defensor só se comunicava com os atacantes argentino Herrera e uruguaio Acosta, com quem falava espanhol.

Suárez pouco atuou como corintiano. Participou de quatro jogos entre fevereiro e abril de 2008 e despediu-se sem derrotas – esteve em campo em uma goleada por 6 a 0 sobre o Barras-PI, pela Copa do Brasil, em uma vitória por 1 a 0 sobre o Rio Preto, pelo Campeonato Paulista, em um empate por 2 a 2 com o Juventus, também pelo Estadual, e em um triunfo por 3 a 0 diante do Cene-MS, em um amistoso.

Devolvido ao Unión San Felipe, clube do seu município que havia o emprestado ao Corinthians, Cristian Suárez rodou bastante na última década. Defendeu o Chacarita Juniors, da Argentina, e o Olhanense, de Portugal, no exterior. No Chile, ainda jogou por O’Higgins e Cobreloa, pelo qual se destacou a ponto de parar no ex-clube de Ángelo Araos, La U. De lá, seguiu para o seu time atual, o Everton de Viña del Mar.

Araos, no entanto, é visto no Chile como um atleta com mais potencial do que Suárez tinha nos tempos em que veio ao Corinthians como terceiro colocado na Copa do Mundo sub-20 de 2007. O meia já passou pela seleção principal do Chile, pela qual foi até parabenizado no Twitter por causa da vinda ao Brasil. O experiente volante Arturo Vidal, do alemão Bayern de Munique, também usou a rede social para felicitá-lo.

Caberá a Araos, emprestado por uma temporada e com acordo para firmar um contrato definitivo até meados de 2023, mostrar-se mais solto do que Suárez fora e dentro de campo a serviço do Corinthians. Quem já está no elenco promete ajudá-lo. “Ainda é complicado conversar, mas vamos nos comunicar da melhor forma possível”, prometeu o atacante Pedrinho, um ano mais jovem do que o novo colega.

Ex-companheiro de Araos, Johnny Herrera enfrentou o Corinthians na Sul-Americana (foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)

Outros chilenos
Araos e Suárez não são os únicos chilenos da história do Corinthians. O volante Claudio Maldonado participou de oito jogos pelo clube em 2013, mas não foi garimpado no Chile – já tinha construído uma longa trajetória no futebol brasileiro àquela altura, defendendo São Paulo, Cruzeiro, Santos e Flamengo. Agora, é integrante da comissão técnica do Colo-Colo, adversário corintiano na Copa Libertadores da América.

Já o “Superboy” Johnny Herrera foi o goleiro do Corinthians em nove jogos de 2006, sofrendo 13 gols. Assim como Araos, saiu da Universidad de Chile, clube em que, há até pouco tempo, tinha como companheiro o novo reforço corintiano.

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