Gobbi ataca Nobre, vira o jogo e termina discurso agradecendo a rival

Imagem ilustrativa para a matéria

No último dia de seu mandato antes da eleição do Corinthians, Mário Gobbi partiu ao ataque, bateu o pé e lutou para que os torcedores alvinegros tivessem seu espaço no Palestra Itália, no clássico de domingo, contra o Palmeiras. O presidente fez um longo discurso, no qual atacou especialmente o presidente alviverde Paulo Nobre. Ao fim da entrevista, já tinha conseguido os ingressos que exigia. Ele agradeceu.

“Eu quero agradecer ao presidente (da Federação Paulista de Futebol) Reinaldo Carneiro Bastos pela sensibilidade que ele teve. Quero agradecer ao presidente do Palmeiras, Paulo Nobre. Vamos ter isso como um equívoco resolvido, assim que os ingressos chegarem. Que Deus abençoe a todos nós. Que seja um baita clássico, um baita jogo”, disse.

Antes de sorrir e encerrar sua entrevista no centro de treinamento do Parque Ecológico cantando “Quando o Carnaval Chegar”, Gobbi havia feito duras críticas àqueles aos quais agradeceu. Só o pronunciamento inicial do presidente teve 42 minutos, com o dedo sendo apontado também ao Ministério Público e ao chefe de segurança da FPF, Marcos Marinho.

Mário Gobbi acusou Paulo Nobre de fazer articulação com o MP antes de cantar alegre

Mário Gobbi acusou Paulo Nobre de fazer articulação com o MP antes de cantar alegre - Credito: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

O ainda presidente alvinegro narrou todas as tratativas que teve desde a noite de quarta-feira, quando recebeu a notificação de que o Corinthians não teria a esperada carga de 1.800 ingressos no Derby. Decepcionado com a definição “na calada da noite, sorrateira, nos bastidores do porão”, dirigiu críticas a todos, mostrando especial decepção com Paulo Nobre.

“Nas argumentações, ele deixou escapar, e eu entendi o porquê da regra. ‘Infelizmente’, disse o Paulo Nobre para mim, ‘o estádio não foi feito para receber torcida visitante’. Ele disse que, para pôr torcida visitante, deixa de vender 12 mil cadeiras. E há um prejuízo com que ele não pode arcar. Eu disse que o barato poderia sair muito caro”, afirmou Gobbi.

O corintiano disse ter recordado a “lealdade”, a “ética” e a “moral” do clube do Parque São Jorge na relação com o arquirrival. Lembrou de negociações anteriores nas quais abriu caminho para o dirigente alviverde. E o acusou de armar com o Ministério Público e com a Federação Paulista o repentino veto aos torcedores alvinegros no Palestra Itália.

“Fico muito triste com o Paulo Nobre. Tinha o Paulo Nobre como um grande amigo leal, como um dirigente leal. Tive na minha mão o Alan Kardec. Não o fiz em respeito à lealdade que tive com ele”, disse Gobbi, recordando as contratações de Dudu e Leandro Banana, alvos do Corinthians, pelo Palmeiras. Mesmo nesses casos, não questionou a atitude do dirigente rival.

Na situação dos ingressos, foi diferente. “Armar isto aqui por causa de um prejuízo de 12 mil cadeiras? Quem redige a recomendação (de torcida única), estranhamente, é um desembargador muito amigo do Paulo Nobre, o doutor Sérgio Ribas. Ele articulou nos bastidores. Ele vai negar, mas afirmo que ele articulou. E afirmo que o presidente da federação não teve pulso, não exerceu seu poder.”

Em todas as conversas que teve, com Palmeiras, FPF e MP, Gobbi argumentou que a tentativa de minimizar a violência com o corte dos ingressos poderia exacerbá-la. Ele ainda ironizou a “determinação” do MP, que chegava a apontar possíveis sanções para o caso de ela não ser cumprida. O MP não determina nada, apenas recomenda. Foi o que entendeu a juíza da 10ª Vara da Fazenda Pública da Capital, que derrubou “as medidas cíveis e criminais cabíveis” citadas pelo MP.

Gobbi discursou munido de documentos, criticando a discriminação com o torcedor corintiano

Gobbi discursou munido de documentos, criticando a discriminação com o torcedor corintiano - Credito: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Assim, com a posição da juíza e com a pressão de Mário Gobbi até o final, Palmeiras e Federação Paulista cederam, topando dar ao Corinthians 1.800 ingressos. No último dia antes da eleição em que passará o bastão, após mais de uma hora na qual incluiu até a ideia de uma taxa de natalidade em um discurso exaltado, o presidente pôde cantar e deixar para trás o “equívoco resolvido”.

Conteúdo Patrocinado