Ezabella responde a Andrés e clima de eleição começa a esquentar no Corinthians

Tiago Salazar - São Paulo,SP

23-04-2020 07:00:53

O Corinthians tem eleições presidenciais agendadas para novembro. O sucessor de Andrés Sanchez vai comandar o clube pelo próximo triênio e o clima entre os frequentadores do Parque São Jorge, que atualmente está fechado devido ao novo coronavírus, já é de campanha.

O grupo gestor, liderado por Andrés Sanchez, tem adotado uma postura de monitoramento para entender qual a melhor estratégia, como a oposição está se articulando e qual a melhor opção para o lançamento de uma candidatura. Até mesmo uma aliança de apoio a Paulo Garcia não está descartada.

Eleições para presidente do Corinthians estão agendadas para novembro (Foto: Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians)

Do outro lado, o plano está muito claro. A intenção é unir chapas de oposição em uma candidatura única para que seja possível fazer frente nas urnas com o grupo que está no poder desde a saída de Alberto Dualib.

Andrés Sanchez tem evitado se expor e dito nos bastidores que não pretende participar sequer da campanha de um aliado por estar, definitivamente, de saída.

O presidente, no entanto, não esperava que Mário Gobbi tivesse intenção de reocupar a cadeira, principalmente neste momento em que a relação entre eles não é das melhores.

Líder da gestão nos títulos da Libertadores e do Mundial, ambos em 2012, Gobbi, de fato, mudou de lado e está disposto a encabeçar a oposição nas eleições.

A decisão causou não só surpresa como preocupação em quem está no poder hoje, afinal, o ex-presidente é inegavelmente um nome forte dentro do clube.


Nessa quarta-feira, ao ser questionado sobre o momento político do Corinthians e a provável candidatura de Gobbi, Andrés Sanchez atacou Felipe Ezabella, um dos líderes da oposição e a quem derrotou nas últimas eleições.

“Acho que todo corintiano tem o direito de sair candidato, Mário foi um grande presidente, tem o mesmo direito. O problema dele é o menino prodígio, o Robin que anda com ele, o Felipe Ezabella”, disse o mandatário à Band.

“Ele tem primeiro que pedir desculpa, porque chamava o Mário de ladrão, falava que a administração do Mário roubava e hoje ele faz campanha com o Mário. Eu não sei nem como é que o Mário se sujeitou a isso. Ele pedindo desculpa publicamente, tudo bem, na vida a gente erra. Mas ele falava muita asneira”.

“E, segundo, ele tem que provar como é que ele ganhou R$ 500 mil entre Corinthians, Sporting e Elias. Se o Felipe Ezabella provar para o corintiano aqui como é que ele ganhou aquele dinheiro, se ele era secretário do Cori (Conselho de Orientação), se ele era conselheiro, se ele era diretor. Aos pouquinhos nós vamos falando tudo”.

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Mais tarde, Andrés reforçou seus questionamentos em uma live com o jornalista Betto Saad e chegou a garantir que detém cópias de mensagens de Ezabella atacando Gobbi.

A transação a que Andrés Sanchez se refere se deu entre 2013 e 2014. Ezabella representou Elias em uma ação na Fifa contra o clube português por cobrança de valores.

O jogador defendia o Flamengo por empréstimo, mas os cariocas não exerceram a prioridade de compra por não concordarem com a pedida do Sporting. Pouco depois, Mário Gobbi fez uma proposta para repatriar Elias e os portugueses aceitaram com a condição de que o volante retirasse o processo. Elias atendeu ao pedido e voltou defender o Corinthians.

Felipe Ezabella, um dos líderes da oposição no Timão, foi atacado por Andrés Sanchez (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

A Gazeta Esportiva entrou em contato com Felipe Ezabella para que ele pudesse responder às acusações de Andrés. À época, o advogado também era secretário do Cori no Conselho Deliberativo corintiano.

“Nunca recebi nada. Ele falou isso já na eleição passada. Ele alega que eu tenha recebido comissão porque estava cuidado de assuntos pessoais do Elias, mas fiz questão de colocar no contratado que na transição não foi paga intermediação, honorários, nada. Foi tudo entre os clubes”, explicou Ezabella, antes de concluir. “Essa mentira não me surpreende e deixa claro quem está na situação e quem está na oposição”.

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