MLB adota Pernambuco e repete enredo de filme por talento brasileiro

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Em posição geográfica estratégica, o Nordeste brasileiro foi utilizado pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Recife, sede de uma das bases aliadas na região, deve receber forte influência norte-americana novamente. Desta vez no esporte. A capital pernambucana é o principal alvo de uma série de ações da MLB, principal liga americana de beisebol, para a expansão da modalidade no País.

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Em janeiro, André Rienzo, primeiro arremessador nacional a atuar na MLB, e Jean Tomé, capitão da Seleção Brasileira de beisebol, participaram de clínicas de treinamento e iniciação da modalidade promovidas pela liga norte-americana em Recife. A principal foi no Estádio dos Aflitos, do Náutico, primeiro clube de futebol do País a manter uma equipe de beisebol.

Lá ensinaram os fundamentos básicos e as regras do esporte a aproximadamente 250 crianças. No mesmo local, dias antes, se encontraram e brincaram com Kuki, ídolo da torcida alvirrubra. O próximo passo da MLB é a construção de um estádio de beisebol, em área cedida pelo Náutico, e a introdução da modalidade nas grades curriculares e extracurriculares de escolas e faculdades pernambucanas, e nas atividades oferecidas pelo Sesc.

A liga norte-americana já trabalha na capacitação de profissionais para o ensino do beisebol e também fornecerá o material e equipamentos do esporte para a realização das aulas no Recife.

“A MLB quer disseminar o beisebol no Brasil. Em São Paulo e no Paraná, o esporte é um pouco mais conhecido, mas no Recife e no Nordeste tivemos uma recepção calorosa e as pessoas foram atraídas pelo beisebol. Nós pretendemos fazer mais ações lá para popularizar a liga”, explica o coordenador internacional de marketing e desenvolvimento da MLB, o norte-americano Caleb Santos-Silva.

Aremessador do´Miami Marlins, André Rienzo auxilia na divulgação do beisebol no Brasil

Aremessador do´Miami Marlins, André Rienzo auxilia na divulgação do beisebol no Brasil - Credito: Fernando Dantas/Gazeta Press

Outra estratégia da entidade norte-americana para aumentar a popularidade do beisebol no Brasil é contar com jogadores nacionais em seus campeonatos. O primeiro foi o catcher Yan Gomes, seguido por André Rienzo. Para garantir a continuidade da safra nacional, a liga realiza um camping de treinamento com jovens atletas selecionados em peneiras pela América do Sul.

Concentrados no CT Yakult em Ibiúna, região metropolitana de São Paulo, 45 adolescentes (40 do Brasil, quatro da Argentina e um das Bahamas) trabalham dois períodos por dia sob orientação de técnicos norte-americanos, que buscam jovens com potencial para serem contratados pelas equipes dos Estados Unidos.

Foi na primeira edição deste camping, em 2011, que Luiz Gohara se destacou e assinou um contrato com o Seattle Mariners. Com 18 anos de idade, ele disputa as divisões de acesso à espera de uma chance na MLB.

“O beisebol ainda está se desenvolvendo no Brasil. Já conseguiu produzir alguns jogadores de elite e há muitos outros por vir. Tentamos achar estes talentos escondidos. São 200 milhões de pessoas aqui, então existem muitos possíveis jogadores de beisebol que não estão praticando o esporte. Precisamos encontrá-los”, diz Steve Finley, um dos técnicos trazidos pela liga norte-americana.

A tática da MLB é a mesma utilizada pelo empresário J.B. Bernstein, que em 2008 criou um reality show na Índia para selecionar jogadores para a liga norte-americana de beisebol. Chamado de The Million Dollar Arm, foi responsável por Rinku Singh e Dinesh Kumar Patel assinarem com o Pittsburgh Pirates e se tornarem os primeiros indianos a atuar na MLB.

O caso foi retratado em filme homônimo ao programa de televisão. Produzida pela Disney, a obra é protagonizada por Jon Hamm e chegou aos cinemas no meio de 2014.

Steve Finley participa pela segunda vez do camping de treinamento da MLB no País

Steve Finley participa pela segunda vez do camping de treinamento da MLB no País - Credito: Fernando Dantas/Gazeta Press

“Estamos procurando atletas. Nós podemos te ensinar a arremessar e a rebater uma bola de beisebol, mas não a ser um esportista. Há grandes atletas jogando futebol, basquete e vôlei, mas talvez alguns gostariam de fazer outra coisa, ou pelo menos tentar. Queremos colocar o beisebol como uma opção entre todos estes esportes”, afirma Finley. Nos tempos de profissional, ele participou duas vezes do Jogo das Estrelas e foi campeão da temporada de 2001 da liga.

Arremessador do Miami Marlins, André Rienzo participa do camping de treinamento da MLB e ajuda na avaliação das jovens promessas brasileiras. Descoberto durante um torneio com a Seleção Brasileira em 2005, ele foi contratado pelo Chicago White Sox e passou pela República Dominicana e ligas menores dos Estados Unidos (sempre em times ligados à franquia de Illinois) antes de conseguir uma vaga na elite.

O paulista de Atibaia disputou nove jogos pelo White Sox na temporada passada e recentemente foi trocado para o Miami Marlins, time ao qual se apresenta no fim de fevereiro para a pré-temporada.

“Na minha época, vinha um olheiro por ano. Aqui, em dias cheios, aparecem dez. Quando está mais calmo, três ou quatro. Já é mais do que vinha em um ano todo antigamente”, analisa Rienzo. “Esses garotos são o nosso futuro. Daqui a pouco eu fico velho e eles vão vir para continuar esse trabalho de tentar colocar o beisebol em um patamar melhor no Brasil”, sentencia.

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