Oscar Schmidt morre aos 68 anos; relembre a carreira do ídolo

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Gazeta Press/Acervo

O maior jogador brasileiro de basquete, Oscar Schmidt, faleceu nesta sexta-feira, aos 68 anos. A causa da morte do ídolo não foi divulgada.

Com 49.737 pontos na carreira, Oscar Schmidt foi considerado o maior pontuador da história do basquete até 2024, quando foi ultrapassado pelo norte-americano LeBron James. Além da impressionante marca, também conquistou nove medalhas pela Seleção Brasileira, incluindo o lendário ouro no Pan-Americano de Indianápolis, em 1987.

Nascido em Natal, Oscar Schmidt foi incentivado a praticar esportes desde a infância. Teve seu primeiro contato com o basquete aos 13 anos, quando se juntou ao Clube Unidade da Vizinhança, seu primeiro time juvenil.

Em 1974, aos 16 anos, mudou-se para São Paulo e iniciou sua carreira no Palmeiras. Destacou-se rapidamente, foi convocado para a seleção juvenil e, em 1977, eleito o melhor pivô sul-americano na categoria. Antes dos 20 anos, já havia sido campeão sul-americano e conquistado o bronze no Mundial das Filipinas, em 1979.

(Foto: Acervo Pessoal)

Após o destaque inicial, transferiu-se para o Sírio, onde conquistou seu maior título por clubes: o Mundial Interclubes de 1979, ao superar o Bosna, da Iugoslávia, no jogo decisivo. Nos Jogos Olímpicos de Moscou 1980, foi o cestinha do Brasil na campanha do quinto lugar.

Na sequência, Oscar Schmidt defendeu o América-RJ e, em 1982, transferiu-se para o Juvecaserta Basket. Seu desempenho chamou atenção da NBA, e ele foi selecionado pelo New Jersey Nets no draft da NBA de 1984. No entanto, recusou a oportunidade para seguir defendendo a Seleção Brasileira, já que, até 1989, jogadores da liga não podiam atuar por suas seleções.

Assim, permaneceu no clube italiano ao longo da década de 1980, somando 13.957 pontos em 11 temporadas e tornando-se o maior pontuador da história da liga italiana. Paralelamente, foi protagonista da Seleção, conquistando ouros nos Sul-Americanos de 1983 e 1985 e no Pan de 1987, além do bronze na AmeriCup de 1989.

Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984, Seul 1988 e de Barcelona 1992, foi novamente o cestinha do Brasil, mas não conquistou medalhas, com campanhas de nono e quinto lugares.

Depois da passagem pela Itália, atuou no CB Valladolid antes de retornar ao Brasil, onde vestiu a camisa do Corinthians em 1995. Nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, voltou a ser o cestinha do Brasil, tornou-se o maior pontuador da história olímpica, com 1.091 pontos, e terminou na sexta posição.

Na reta final da carreira, Oscar Schmidt ainda defendeu Bandeirantes, Mackenzie e Flamengo. Pelo clube carioca, marcou seus últimos pontos e superou Kareem Abdul-Jabbar como maior pontuador da história do basquete. O ídolo se aposentou em 2003.

Nos últimos anos de vida, Oscar batalhou contra um câncer de cérebro, diagnosticado em 2011. O ídolo venceu a doença em 2022.

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Oscar Schmidt com o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, em 2019. (Foto: Divulgação / COB)

Leia a nota de falecimento:

É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo.

Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida.

Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo.

A despedida se dará de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento.

Os familiares agradecem, sensibilizados, todas as manifestações de carinho, respeito e solidariedade recebidas, e solicitam a compreensão de todos quanto à necessidade de privacidade neste momento de luto.

Seu legado permanecerá vivo na memória coletiva e na história do esporte, assim como no coração de todos que foram tocados por sua trajetória.

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(Foto: Divulgação / COB)

Leia a nota do COB:

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) lamenta profundamente o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete e uma lenda do Movimento Olímpico do Brasil. Conhecido como 'Mão Santa', Oscar foi recordista brasileiro em participações olímpicas no basquete, disputou cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos e se tornou o único atleta a ultrapassar a marca de 1.000 pontos na história da competição. Oscar deixa a esposa Maria Cristina Victorino, com quem é casado desde 1981, e dois filhos Felipe e Stephanie.

"O esporte brasileiro, infelizmente, se despede de um grande nome, mas tenho certeza que sua história jamais será esquecida. Mais do que resultados e medalhas, Oscar representou valores que definem o espírito olímpico: dedicação, superação, respeito ao adversário. Em cada competição levou consigo não apenas o talento, mas também a inspiração para todos que acreditam no poder transformador do esporte e a bandeira brasileira no coração. Seu legado permanece vivo nas quadras e corações que tocou ao longo de sua trajetória. Que sua memória siga motivando novas gerações a sonhar alto e competir com honra. Sua história, eternizada no Hall da Fama do COB, seguirá presente em nossos corações. Descanse em paz, Mão Santa. Seu legado jamais será esquecido. O Olimpismo agradece", lamentou Marco Antonio La Porta, presidente do COB.

"O basquete brasileiro e mundial perde uma de suas maiores estrelas. Mais do que um atleta excepcional, eternizado no Hall da Fama da FIBA, da NBA e do Comitê Olímpico do Brasil, Oscar foi um amigo e um ser humano admirável. Desde as categorias de base, quando chegou ao Palmeiras aos 16 anos, dividimos as quadras por mais de 20 anos, como companheiros e adversários. Entre tantas conquistas, fica o título do Mundial de Clubes pelo EC Sírio, em 1979. Pela seleção brasileira foram muitos títulos e participações em Jogos Pan-Americanos, Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais. Seu legado é extraordinário e eterno", disse Marcelo Vido, atleta olímpico de basquete e ex-companheiro de Oscar na seleção.

Oscar teve sua trajetória celebrada como símbolo de excelência e inspiração para gerações. Ícone do esporte internacional, integra o Hall da Fama da FIBA e, de forma inédita, também o Hall da Fama da NBA, mesmo sem nunca ter atuado na liga. Reconhecido por sua genialidade e impacto global, foi eleito um dos 100 maiores jogadores de basquete de todos os tempos.

Em 2019, foi homenageado pelo COB com o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, por sua dedicação incansável ao aperfeiçoamento dos fundamentos, a eficiência técnica e física e o espírito coletivo, durante o Prêmio Brasil Olímpico. No início de abril, a lenda do basquete brasileiro ingressou no Hall da Fama do COB, mas não pôde comparecer ao evento e foi representado por seu filho, Felipe Schmidt.

Neste momento de profunda tristeza, o Comitê Olímpico do Brasil expressa suas sinceras condolências aos familiares, amigos e admiradores de Oscar Schmidt.

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