Braço-direito de Coe sabia dos casos de doping na Rússia, diz jornal

São Paulo, SP

21-12-2015 18:44:57

Homem de confiança do presidente Sebastian Coe, Nick Davies sabia dos casos de doping na Federação Russa. O jornal francês Le Monde divulgou nesta segunda-feira um e-mail entre Davies, antigo consultor de marketing da Iaaf, e Papa Massata Diack, filho do ex-presidente Lamine Diack, afastado por corrupção. A mensagem foi enviada às vésperas do Mundial de Atletismo de Moscou 2013 e mostra que Davies não só sabia da existência de atletas irregulares, como tinha a intenção de ocultar os casos.

"Acredito que esses casos deveriam ter sido revelados faz tempo e que agora devemos ser inteligentes. Esses atletas, está claro, não devem participar da seleção russa. Se os culpados não participarem da competição, poderíamos esperar que ao fim do torneio para anunciá-los", escreveu Davies.

O ex-consultor planejava revelar apenas "um ou dois casos" dos russos, juntamente com suspeitas de atletas de outras nacionalidades. A ideia era minimizar os casos locais e relacionar o alto número de flagrados à eficácia no controle de dopagem. Davies também mencionava a ideia de usar a influência do atual presidente da Iaaf em uma campanha de relações públicas para evitar escândalos na mídia, principalmente na britânica.

“Podemos nos beneficiar da influência política de Seb (Sebastian Coe) no Reino Unido. É do seu próprio interesse assegurar que o Mundial de Moscou seja um sucesso. Podemos trabalhar intensamente para travar qualquer ataque da imprensa britânica contra a Rússia nas próximas semanas”, acrescentou.

Questionado pela reportagem do Le Monde, Davies se defendeu alegando ser, à época, o responsável pela gestão da reputação da entidade. Ele disse que a conversa foi apenas uma "troca de ideia sobre possíveis estratégias", e não uma tentativa de interferir no processo antidoping. Davies ressaltou não ter colocado os planos em prática após o envio do e-mail.

No início de dezembro, o mesmo jornal francês noticiou as confissões de Lamine Diack aos investigadores franceses. O ex-mandatário teria confirmado o pedido dinheiro às autoridades russas para financiar sua carreira política, em troca da vista grossa às suspeitas de dopagem.

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