Futebol/Campeonato Paulista Segunda Divisão

Experiência no banco x zaga menos vazada: personagens de Comercial e Primavera falam sobre final

Felipe Leite e Luca Castilho* - São Paulo , SP
27/10/2018 08:00:28

Em: Campeonato Paulista Segunda Divisão, Comercial, Especiais destaque, Futebol, Notícias

No sábado, dia 27 de outubro, o Comercial entra em campo contra o Primavera, no Estádio Palma Travassos, às 16h (de Brasília), no segundo jogo da grande decisão do Campeonato Paulista Segunda Divisão. Para conquistar o título, a equipe de Ribeirão Preto precisa apenas de um empate, já que tem a melhor campanha da competição e conseguiu segurar o placar em 0 a 0 na partida de ida.

Dono do melhor ataque do estadual, com 52 gols, o Comercial terá a difícil missão de furar a defesa menos vazada da competição, com apenas 16 gols sofridos. Capitão do time de Indaiatuba, o zagueiro Wesley acredita em uma vitória fora de casa.

“O sentimento é o melhor possível, é uma final. Para uma decisão, o jogador não precisa de motivação. Final não se joga, se ganha, então temos que entrar para vencer. Para mim está sendo maravilhoso, é minha primeira decisão como profissional”, afirmou o zagueiro, em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.

Companheiro de Wesley na zaga do Primavera, Gabriel Caran festejou o feito do Fantasma, mas acredita em méritos de todo o plantel, e não apenas da defesa.

“É gratificante o reconhecimento de ser a defesa menos vazada. Mas isso começa desde o ataque, com o nosso sistema que marca lá na frente, com todo mundo ajudando. Isso facilita muito para os zagueiros fazerem o trabalho”, disse o defensor, em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.

O zagueiro do Primavera ainda falou sobre a importância da final e espero um resultado positivo. “Estou concentrado para a final, quero fazer uma boa partida e terminar o campeonato com chave de ouro. Conseguir ser campeão como a defesa menos vazada vai ser muito bom também, para coroar o nosso trabalho”, enfatizou.

Contudo, o Primavera terá uma tarefa muito complicada: enfrentar uma equipe comandada pelo experiente treinador Olimpio Batista Ferreira Júnior, conhecido carinhosamente como Pinho.

“O Pinho é um grande treinador, não à toa é considerado o “Rei do Acesso”. A gente vê, dentro de campo, que o time dele é bem posicionado, tem equilíbrio e trabalha muito bem a bola. É o time a ser batido, já que eles vêm de boa campanha desde o início do campeonato. É mérito do Pinho e da equipe dele”, comentou o zagueiro Wesley.

Com 73 anos, Pinho é o treinador mais velho em atividade e conseguiu um feito impressionante: conquistou sete acessos da quarta divisão Paulista para a terceira divisão (duas vezes com o Olímpia, duas com o Barretos, duas com o Inter de Bebedouro, uma com o Cotia e a última com o Comercial). O técnico do Leão do Norte espera uma partida difícil no domingo.

“Espero até mais dificuldade para esse jogo de volta. O time do Primavera não é a segunda melhor campanha por acaso. São os dois melhores times disputando o título”, disse Pinho. O comandante também falou sobre o primeiro embate das duas equipes, realizado no Estádio Ítalo Mário Limongi.

“Foi um jogo igual e marcado por muitas comemorações, porque o importante foi o acesso. O resultado foi normal e bom para os dois. Mas a gente leva a vantagem de jogar pelo empate”, acrescentou o técnico, campeão invicto do Brasileiro Série C com o Sampaio Corrêa em 1997.

Setenta e três. Esse é o número total de times na carreira de Pinho. Com uma extensa lista de clubes como treinador, o experiente comandante também atuou como jogador e gerente de futebol. Agora, depois de conquistar o acesso com o Comercial, ele pretende se dedicar à vida pessoal por um período.

“Eu comuniquei à diretoria assim que aconteceu o acesso que a minha intenção era dar um tempo. Vou fazer uma cirurgia de hérnia e demora algum tempinho para a recuperação. Foi uma pressão grande da diretoria, da cidade, dos torcedores, mas a minha decisão foi de não continuar na próxima temporada”, destacou o comandante.

Questionado se pretendia retornar ao futebol, Pinho não hesitou. “Eu vou voltar sim. Sou apaixonado por futebol e só vou dar um tempinho. Dar uma descansada e depois pensar o que vou fazer”, concluiu o atual comandante do Comercial.

*Especial para a Gazeta Esportiva