FBI investiga papel de João Havelange em esquema de corrupção da Fifa

São Paulo, SP

31-12-2015 11:47:53

O FBI (polícia federal dos Estados Unidos) abriu investigações para apurar o papel de João Havelange no esquema de corrupção da Fifa, informou nessa quinta-feira o jornal Estado de S. Paulo. O brasileiro, que presidiu a entidade por 24 anos, teve o nome citado em um acordo de cooperação entre as autoridades norte-americanas e da Suíça. O repasse de informações ao FBI envolveu dados bancários de contas de Havelange e do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, suspeitas de receber pagamentos de propina.

A suspeita é de que Havelange e Teixeira receberam subornos para influenciar na venda dos contratos de transmissão de campeonatos de futebol. Os nomes dos dirigentes eram diretamente citados em ao menos uma das três solicitações feitas pelo FBI às autoridades suíças. A polícia federal norte-americana tem vasculhado desde então os documentos referentes ao escândalo da empresa de marketing ISL, ocorrido na década de 1990.

A ISL foi acusada de pagar comissões milionárias a dirigentes de todo o mundo para assegurar a transmissão de torneios de futebol. Na época do processo, a Justiça suíça apontou que Havelange e Teixeira receberam propinas no valor de R$ 80 milhões. Constavam contra eles denúncias de "enriquecimento ilícito", de lesar a Fifa e de colocar interesses pessoais acima dos da entidade. Havelange, segundo um dos procuradores que moveram a ação, teria "fraudado a Fifa" com seus atos. O processo foi arquivado em 2010 após os dirigentes pagarem multa de 2,5 milhões de dólares para encerrar o caso.

Com a reabertura do caso, o FBI deseja apurar se o atual presidente da Fifa, Joseph Blatter, tinha conhecimento do pagamento de propina a Havelange e Teixeira. Há também o interesse de investigar se empresas e bancos norte-americanos estiveram envolvidos nos atos ilícitos. O FBI tem buscado em aproximadamente 50 caixas de documentos os extratos das movimentações financeiras dos brasileiros. A operação ocorre na cidade suíça de Zug, onde está localizado o tribunal que arquivou o caso há cinco anos.

Teixeira foi indiciado por corrupção pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos no início do mês. A lista, que contém o nome de 16 dirigentes, também incluiu o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, entre os acusados no esquema da Fifa. Em maio, uma operação deflagrada pelo FBI em Zurique, capital da Suíça, levou à prisão sete dirigentes do alto escalão da entidade. Entre os presos está o ex-presidente da CBF, José Maria Marin. Ele aguarda o julgamento em prisão domiciliar em Nova York.

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