O Conselho Deliberativo do São Paulo iniciará, nesta terça-feira, a votação do contrato com a Ticketmaster. A empresa norte-americana tem um acordo com a diretoria do clube para assumir a gestão de ingressos do Morumbis a partir de janeiro de 2027. Para isso, porém, o documento precisa ser aprovado pelo CD.
Como será a votação?
A reunião do Conselho Deliberativo desta quarta-feira está agendada para as 19h (de Brasília), com a primeira chamada a partir das 18h30, e será realizada no auditório do Morumbis. A conversa se dará de forma híbrida, ou seja, conselheiros poderão participar presencialmente ou de maneira virtual.
A reunião terá como objetivo debater e votar o contrato firmado pela diretoria do São Paulo com a Ticketmaster. O acordo prevê uma antecipação de R$ 140 milhões aos cofres do clube.
(Foto: Léo Sguaçabia/Ag. Paulistão)
Depois da análise do documento, o presidente do Conselho, Olten Ayres de Abreu Júnior, colocará a pauta em votação, que será feita de forma on-line pelo sistema do clube. A deliberação tem início a partir das 22h e se encerra às 17h da quarta-feira (30).
O São Paulo conta, atualmente, com 255 conselheiros. Para que o contrato com a Ticketmaster seja aprovado, portanto, são necessários dois terços dos votos, ou seja, 171 conselheiros.
Contrato causou entrevero nos bastidores do clube
O contrato com a Ticketmaster gerou mais uma pequena guerra política nos bastidores do clube, sobretudo entre o presidente Harry Massis Júnior e o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres.
Para passar a valer a partir de janeiro de 2027, o documento final precisava passar por aprovação do Conselho Administrativo e, posteriormente, do Conselho Deliberativo do clube. O contrato foi fechado no meio de agosto, e o Conselho Administrativo aprovou o acordo no final do mês.
Olten Ayres, entretanto, impôs um 'empecilho' no caminho antes de convocar a reunião para aprovar ou não o acordo no Conselho Deliberativo. No início de agosto, o presidente do CD delegou a criação de uma comissão especial, com quatro conselheiros, para analisar todo o documento com a proposta final da ticketeira escolhida pela gestão Massis.
O que motivou o presidente do Conselho a criar tal comissão foi um e-mail recebido de Cesar Sbrighi, gerente de país da NewC no Brasil, ao qual a reportagem teve acesso. A empresa estava na disputa para gerir os ingressos do Morumbis. Em contato com Olten, o representa da companhia questionou como se deu o processo de disputa e da escolha final pela Ticketmaster, que venceu a concorrência para substituir a Total Acesso, cujo contrato se encerra no final deste ano.
A resposta da diretoria foi praticamente imediata. Em nota divulgada na última quarta-feira, Massis repudiou a NewC e o próprio Conselho, alegando que o imbróglio seria uma "tentativa de prejudicar um processo estruturado" no quesito e explicando que a proposta da Ticketmaster passou por todos os crivos exigidos até aqui. Ainda de acordo com o clube, a oferta concorrente não chegou a ser apresentada formalmente de maneira estruturada para avaliação.
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A decisão de Olten de criar uma comissão para analisar o contrato com a Ticketmaster não caiu bem na diretoria executiva do São Paulo. Em áudio vazado recentemente e cuja veracidade foi confirmada pela reportagem, Harry Massis pediu o apoio de grupos políticos para apressar o presidente do Conselho a colocar a pauta em votação, uma vez que a quitação dos atrasados dependia dos R$ 140 milhões de adiantamento previstos em contrato.
"Agora eu preciso que vocês ajudem a fazer o presidente [Olten Ayres] do CD colocar a pauta para ser votada. Porque, se segurar e não for votada, não vamos cumprir nada, pô! Não vai ter dinheiro para pagar nada, entende? Então, tem muita gente bocuda que fala o que não deve falar, e daí recai sobre a minha pessoa", afirmou o mandatário.
Foi então que, depois de uma análise, a comissão criada por Olten aprovou, ainda que com ressalvas, o acordo com a Ticketmaster. Com isso, o presidente do Conselho agendou a votação.
O acordo entre as partes, como mencionado, prevê, ao todo, a antecipação de R$ 140 milhões ao São Paulo ainda este ano. Se aprovado, o montante será destinado a quitar dívidas de curto prazo, uma vez que o clube entende a urgência da situação. Neste momento, por exemplo, o Tricolor tem direitos de imagem atrasados em até três meses com o elenco.
O parecer da comissão
A Comissão montada pelo Conselho Deliberativo era composta por quatro conselheiros: Daurio Speranzini Junior, Flavio Angerami Marques Junior, Daniel Dinis Fonseca e Marcel de Siqueira Bonilha. Posteriormente, Jonathan Celso Rodrigues Ferreira substituiu Daurio Speranzini Junior, enquanto Rosalvo Beiro assumiu a vaga de Marcel de Siqueira Bonilha. Ambos deixaram a delegação por compromissos previamente agendados.
Após um longo processo de análise, a Comissão apontada por Olten concluiu que a proposta apresentada pela Ticketmaster era, de fato, mais vantajosa para o clube, com "vantagens econômicas e técnicas relevantes", segundo o documento ao qual a reportagem teve acesso. Contudo, os membros fizeram apontamentos e ressalvas quanto ao processo de escolha, que teria apresentado "fragilidades relevantes".
Apesar dos apontamentos, a Comissão concluiu que as circustâncias não foram suficientes para caracterizar um possível direcionamento por parte da diretoria executiva que teria levado à 'vitória' da Ticketmaster. Ainda assim, os membros da delegação citam que o processo de escolha poderia ter sido conduzido de maneira mais rigorosa.
Com isso, o comitê pontuou que não há elementos que impeçam a contratação da Ticketmaster, caso o contrato seja aprovado pelo Conselho. Embora tenha feito ressalvas, a comissão entendeu que elas não foram suficientes para afastar a ideia de que a empresa norte-americana apresentou uma oferta mais vantajosa ao São Paulo.
A proposta da Ticketmaster
A proposta da Ticketmaster abrange a possibilidade de uma antecipação de R$ 110 milhões para o clube utilizar como bem entender. A liberação do valor seria feita 45 dias após a assinatura do contrato. O acordo funcionará como uma espécie de empréstimo, uma vez que o montante adiantado será devolvido pelo Tricolor à empresa em cinco anos, com taxa de juros seguindo o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) mais 1,99%.
Além disso, a nova empresa pagará cerca de R$ 30 milhões pelo uso de um camarote no Morumbis, e investirá R$ 6 milhões para reformar o museu do São Paulo no local.
O novo contrato com a ticketeira também adiciona um "limite" da verba a ser devolvido pelo São Paulo: apenas R$ 1,8 milhão por mês será retornado à empresa, independente do valor total da renda somada ao fim do mês. Contudo, esse repasse também será feito em meses sem grandes rendas com bilheteria no estádio, como aconteceu durante a pausa da Copa do Mundo este ano, por exemplo.
A negociação entre as partes envolveu, ainda, a gestão do programa de sócio-torcedor do São Paulo, que atualmente é administrado pela Feng. Com isso, a diretoria tende a reduzir custos, além de entender que pode oferecer um serviço melhor aos torcedores.