Conselho do São Paulo cria comissão para analisar contrato com a Ticketmaster

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(Foto: Léo Sguaçabia/Ag. Paulistão)

O Conselho Deliberativo do São Paulo, na figura do presidente Olten Ayres de Abreu Júnior, criou uma comissão especial para analisar o contrato do clube com a Ticketmaster, que foi escolhida pela diretoria para comandar a gestão de ingressos do Morumbis a partir de 2027.

A comissão trabalhará em regime de urgência e será formada por quatro conselheiros: Daurio Speranzini Junior, Flavio Angerami Marques Junior, Daniel Dinis Fonseca e Marcel de Siqueira Bonilha. A criação do órgão se dá para esclarecer questionamentos relacionados ao processo de escolha pela Ticketmaster.

O clube abriu um edital público em abril para a troca da gestão de ingressos do Morumbis e recebeu propostas de seis empresas interessadas em substituir a Total Acesso, cujo contrato se encerra no fim deste ano. Duas delas foram levadas adiante: a Ticketmaster e a NewC. As duas, porém, apresentaram cláusulas distintas, e a Ticketmaster foi a escolhida por propor as melhores condições ao São Paulo.

O documento final da parceria foi recebido pelo Conselho no último dia 27 de agosto. No dia seguinte, a NewC procurou o órgão com questionamentos sobre as regras da concorrência, o acesso às informações e a condução das negociações. A comissão, então, foi criada para examinar tais alegações.

A comissão especial, portanto, avaliará o acordo final com o São Paulo antes que o documento seja colocado para votação no Conselho Deliberativo. O documento foi aprovado pelo Conselho Administrativo, mas ainda precisa de aprovação dos conselheiros para ser finalizado.

(Foto: Reprodução/SPFC TV)

Contrato com a Ticketmaster

A proposta da Ticketmaster, escolhida pelo São Paulo, abrange a possibilidade de uma antecipação de R$ 110 milhões para o clube utilizar como bem entender. A liberação do valor seria feita 45 dias após a assinatura do contrato. O acordo funcionará como uma espécie de empréstimo, uma vez que o montante adiantado será devolvido pelo Tricolor à empresa em cinco anos, com taxa de juros seguindo o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) mais 1,99%.

Além disso, a nova empresa pagará cerca de R$ 30 milhões pelo uso de um camarote no Morumbis, e investirá R$ 6 milhões para reformar o museu do São Paulo no local.

O novo contrato com a ticketeira também adiciona um "limite" da verba a ser devolvido pelo São Paulo: apenas R$ 1,8 milhão por mês será retornado à empresa, independente do valor total da renda somada ao fim do mês. Contudo, esse repasse também será feito em meses sem grandes rendas com bilheteria no estádio, como aconteceu durante a pausa da Copa do Mundo este ano, por exemplo.

A negociação entre as partes envolveu, ainda, a gestão do programa de sócio-torcedor do São Paulo, que atualmente é administrado pela Feng. Com isso, a diretoria tende a reduzir custos, além de entender que pode oferecer um serviço melhor aos torcedores.

Se aprovada pelo Conselho, a parceria do São Paulo com a Ticketmaster será válida a partir do dia 1º de janeiro de 2027, poucos dias após o fim do vínculo com a Total Acesso, atual responsável pela gestão de ingressos do Morumbis.

Antecipação pode servir para quitar atrasados

O acordo entre as partes, como mencionado, prevê, ao todo, a antecipação de R$ 140 milhões ao São Paulo ainda este ano. Se aprovado, o montante será destinado a quitar dívidas de curto prazo, uma vez que o clube entende a urgência da situação.

Neste momento, por exemplo, o São Paulo tem direitos de imagem atrasados com o elenco. As pendências variam entre os atletas, com casos que chegam a mais de dois meses de atraso.

No início de julho deste ano, a diretoria tricolor, nas figuras do presidente Harry Massis, do diretor de futebol Rafinha e do diretor financeiro Sérgio Pimenta, se reuniu com o elenco e garantiu um esforço para quitar os atrasados em até um mês. Contudo, a promessa não foi cumprida. Recentemente, as organizadas do clube também cobraram os pagamentos atrasados dos jogadores.

Até por este cenário, Olten Ayres considera a criação da comissão de avaliação do contrato com a Ticketmaster fundamental, tendo em vista a "urgência" na obtenção de recursos.

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