Comissão de Ética do São Paulo sugere expulsão de Casares por unanimidade

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Foto: Divulgação/São Paulo

A Comissão de Ética e Disciplina do São Paulo sugeriu, por unanimidade, a expulsão do ex-presidente Julio Casares do quadro associativo do clube. O parecer final foi enviado ao Conselho Deliberativo nesta segunda-feira.

O órgão tricolor é composto por cinco membros: Luiz Braga, Mario Celso Braga, Milton Jose Neves Junior, José Edgard Galvão Machado e Fabio Cesar de Souza Azambuja. Todos votaram a favor da expulsão de Julio Casares, que renunciou à presidência do São Paulo em janeiro deste ano após supostos escândalos financeiros envolvendo sua gestão.

A decisão da Comissão de Ética baseia-se em apurações internas que sugerem uma possível gestão temerária e supostas irregularidades financeiras cometidas por Casares durante o período em que presidiu o clube, entre 2021 e 2026. Ele também é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suposta lavagem de dinheiro e possível exploração clandestina de um camarote no Morumbis.

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(Foto: Divulgação/SPFC)

O ex-presidente, vale lembrar, teve a chance de se defender perante os membros do órgão em audiência no último dia 31 de julho, mas optou por não comparecer, com sua defesa. Com isso, o processo teve andamento, e no parecer final elaborado pela Comissão de Ética, Casares foi enquadrado no parágrafo 8 do Artigo 34 do Estatuto Social do clube, que versa o seguinte:

"§ 8º Estará sujeito à pena de eliminação do quadro associativo do SPFC o associado que for condenado em processo judicial, definitivamente, ou venha a ser responsabilizado disciplinarmente, pela prática de ato de gestão irregular ou temerária, na forma da legislação vigente, em especial o disposto no art. 25 da Lei nº 13.155, de 04 de agosto de 2015, ou naquele que vier a substituí-lo".

Além disso, a Comissão de Ética também recomenda que Casares faça o ressarcimento, aos cofres do São Paulo, dos eventuais despesas particulares no cartão corporativo. O ge revelou que o presidente, durante sua gestão, teria gastado R$ 1 milhão no cartão do clube para fins pessoais. O órgão ainda pede que Casares indenize o São Paulo com base no Artigo 11 do estatuto social.

Apuração foi mantida mesmo após renúncia

A apuração do caso Casares foi mantida mesmo após a renúncia de Casares ao cargo de conselheiro e à função de associado, em julho deste ano. Em carta aberta, o ex-presidente alegou ter sido alvo de perseguições, ataques pessoais e disputas políticas que o transformaram em "vilão" e, por isso, tomou a decisão de abrir mão dos postos.

Contudo, o Artigo 38 do estatuto social do São Paulo prevê o seguinte:

"Artigo 38 / Não será aceito pedido de demissão do Quadro Associativo, quando o Associado for objeto de procedimento administrativo disciplinar, até a conclusão de tal procedimento, bem como não será permitida sua inclusão como dependente de outro Associado".

Diante deste cenário, Casares estaria impossibilitado de oferecer renúncia à posição de sócio enquanto alvo do processo disciplinar na Comissão de Ética. Foi com base neste artigo que o órgão decidiu dar sequência ao processo de apuração e formalizar o parecer final com a sugestão de exclusão do quadro de sócios.

Casares, vale lembrar, também renunciou à presidência do São Paulo antes da votação de impeachment por parte dos associados, que poderia terminar com o afastamento definitivo da função em janeiro deste ano.

Próximos passos

A Comissão de Ética já enviou o documento final com a recomendação ao Conselho Deliberativo do São Paulo, que deve pautar o caso para deliberação final no plenário do CD. Caberá aos conselheiros, portanto, decidirem o futuro de Julio Casares no clube.

O parecer da Comissão de Ética e Disciplina, vale lembrar, é meramente recomendatório. Os conselheiros, neste sentido, não são obrigados a acatar a sugestão do órgão e têm direito a votos divergentes.

As investigações sobre supostas irregularidades

As investigações sobre possíveis irregularidades na gestão Julio Casares tiveram início ainda em dezembro de 2025 com a revelação, feita pelo ge, de um esquema ilegal de venda de ingressos para shows em um camarote no Morumbis. Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa do presidente tricolor, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base, foram citados nominalmente e pediram licença de seus respectivos cargos. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o caso, e tanto Mara como Douglas foram expulsos do clube em votação conduzida pelo Conselho Deliberativo.

Pouco tempo depois, no dia 22 de dezembro, a Polícia Civil passou a investigar um suposto esquema de desvio de dinheiro na venda de atletas, iniciado em 2021, no começo da gestão Casares.

Já no início de janeiro de 2026, a investigação da Polícia Civil identificou movimentações suspeitas relacionadas a Julio Casares, apontadas por relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O ex-presidente do São Paulo teria recebido R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025, período em que já administrava o Tricolor. Por meio de nota oficial, os advogados do mandatário descartaram qualquer tipo de irregularidade.

Também foram identificados 35 saques em dinheiro das contas do clube, entre 2021 e 2025, que totalizaram R$ 11 milhões. Diante deste cenário, a Polícia Civil também passou a investigar Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol, que teria aberto 15 empresas justamente no período em que atuou no clube. As autoridades procuram entender se há algum tipo de ligação entre a abertura das companhias e os possíveis desvios de dinheiro.

Também em janeiro, o MP-SP, juntamente com a Polícia Civil, instaurou um novo inquérito para averiguar um possível caso de corrupção no departamento social do São Paulo. O principal alvo da investigação é António Donizete Gonçalves, conhecido como Dedé, que atuava como diretor social do clube até deixar o cargo em janeiro deste ano, em comum acordo com o presidente Harry Massis.

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