A apuração policial envolvendo o São Paulo Futebol Clube ganhou um novo capítulo. Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol do clube, se tornou alvo da investigação conduzida pela Polícia Civil após os escândalos divulgados nos últimos dias. A informação foi revelada em reportagem do Fantástico, que foi ao ar no último domingo.
Nelson Marques Ferreira, conhecido como Nelsinho, esteve no cargo de diretor adjunto de futebol de 2021 a 2025. Ele deixou a função em novembro do ano passado após a goleada por 6 a 0 para o Fluminense. O ex-dirigente se tornou alvo pela abertura de 15 empresas durante o período em que ocupou a posição.
O inquérito da Polícia Civil também apura 35 saques, entre janeiro de 2021 a dezembro de 2025, que totalizam R$ 11 milhões, de acordo com o relatório do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A investigação, portanto, busca entender se há algum tipo de ligação entre a abertura das empresas e os possíveis desvios de dinheiro das contas do clube.
(Foto: Léo Sguaçabia/Ag. Paulistão)
"Nós recebemos uma denúncia, dando conta de que havia uma série de desvios estruturados e sistemáticos no âmbito do São Paulo. Demos início a uma investigação formal via inquérito policial. Especialmente em 2022 e 2023, ele havia criado cerca de 15 franquias, 15 pessoas jurídicas em shoppings centers", afirmou o delegado Tiago Fernando Correia, que conduz as investigações. Ele explicou que o São Paulo é tratado como vítima.
"Esse é o ponto principal da investigação, tratando o São Paulo como vítima. [Queremos entender] O motivo desses saques em dinheiro em espécie e para quem os funcionários dessa empresa entregavam os malotes com dinheiro no final, ou seja, qual a destinação dada a esse dinheiro", explicou.
O que diz a defesa de Casares
A defesa do presidente Julio Casares, por meio do advogado Bruno Borragine, alega que os saques nas contas do São Paulo e as entradas em espécie na conta do mandatário — que totalizariam R$ 1,5 milhões — não possuem vínculo.
"Não há uma relação de vinculação, nem direta e nem indireta, entre os saques do São Paulo e as entradas em espécie na conta do Julio. Ao longo dessas funções que ele exerceu, ele recebeu boa parte em espécie. E ele guardou. Quando ele assume a presidência do São Paulo, ele passa, de maneira a suplementar a renda dele, a fazer esses depósitos em conta. O que deixa claro que esses depósitos são do Julio para o Julio. Esse dinheiro tem origem e tem lastro. Isso tudo vai ser demonstrado dentro do inquérito, tão logo a defesa tenha acesso a sua integralidade", disse Borragine.
(Foto: Divulgação/São Paulo)
Segundo Pedro Ivo Iokoi, advogado de defesa do São Paulo, os saques teriam sido destinados para cobrir despesas do próprio clube, como pagamento de "bicho" e outros valores em dias de jogos.
"O clube tem despesas que são honradas em dinheiro em espécie. A arbitragem é paga em dinheiro no dia do jogo. O mais comum, o mais importante e o mais volumoso, o pagamento de bicho. É feito em dinheiro, dependendo do jogo, se tem uma importância grande, se a bilheteria vai ser alta, se é um clássico. 100% dos valores que foram sacados são absolutamente contabilizados no clube. Estão no balanço, inclusive dizendo qual foi a utilização e quando foi feita", declarou Iokoi.
Impeachment de Casares
O pedido de impeachment de Casares foi protocolado pelo grupo de conselheiros "Salve o Tricolor Paulista", com base nos artigos 63, 79 e 112 do Estatuto Social do clube.
O grupo político reuniu 57 assinaturas de conselheiros. Além disso, os opositores divulgaram que, deste montante, 13 são atores políticos considerados da situação.
A votação do impeachment de Julio Casares pelos conselheiros do São Paulo já tem data marcada. A reunião está agendada para esta sexta-feira, a partir das 18h30 (de Brasília), nas dependências do Morumbis. A pressão sobre o presidente ganhou força após os escândalos que vieram à tona nos últimos dias.