Antes de desafio com Robinho, Sampaoli não para nem para beber água em aula de futevôlei

Lucas Musetti Perazolli - Santos,SP

08-05-2019 07:50:52

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O técnico Jorge Sampaoli marcou a sua segunda aula de futevôlei para 18h de terça-feira, nos momentos finais de Liverpool x Barcelona, pela Liga dos Campeões, e em dia de chuva na cidade de Santos. "Mas fica tranquilo, ele não desmarca compromisso", disse o professor Rodrigo Malla. 

Dito e feito. Com 15 minutos de atraso, chega Sampaoli na praia, a pé, como um anônimo. "Vai ter de pagar 10 flexões", brincam os colegas. "Estava chovendo, deu para ver o Liverpool passar", respondeu o argentino, fazendo mimica para facilitar a comunicação.

Antes do começo do treino, Sampaoli conversa com Malla sobre um vídeo de Robinho, o desafiando no futevôlei. "Eu vi o vídeo, gostei. Quando ele vem? Vou gravar uma resposta e você envia pra ele?". O Rei das Pedaladas, atualmente no Istanbul Basaksehir-TUR, virá a Santos no fim do mês de maio, de férias.

Começa a aula e Sampaoli absorve o perfil comum na rotina do CT Rei Pelé, de seriedade e exigência no trabalho. Depois de parar o aquecimento para responder uma mensagem - e deixar o celular no silencioso -, ele volta e começa a se cobrar - e a "cornetar" os companheiros.

Aos 59 anos, o treinador é o mais velho da turma de cerca de 10 alunos. Todos o chamam de professor, mas não aliviam. "Vamos, já aqueceu, agora é sem massagem", grita um dos alunos. O xodó é Gustavo, de nove anos.

E Sampaoli não parou até o fim, nem para beber água, mesmo depois de quase uma hora de treinamento. Seu único descanso foi se apoiar no pau da rede algumas vezes (e poucos migués ao pular alguns dos cones nos circuitos).

Só com a canhota

Antes de começar a aula, Jorge Sampaoli avisa sobre um machucado no pé direito. Ele esqueceu a tornozeleira e pediu a Mateus, outro que esqueceu. Por causa do problema, ele não conseguiu treinar na última sexta-feira.

O argentino fez toda a atividade com a canhota, sua perna boa. Ficou mais fácil, né?

 

"Buena" 

Sampaoli, professor e alunos se falam mais por mímica do que por palavras. Mas há um incentivo especial para Sampaoli, o "Buena", substituindo o tradicional "Boa" para um lance correto.

Quando não se faz entender, o argentino gesticula mais e conversa mais devagar. Para facilitar, alguns se arriscam no espanhol, mas acabam falando português com sotaque.

Professor (2) 

Sampaoli chama Rodrigo Malla de "profesor" e é chamado de professor pelos colegas. O incentivo ocorre para todos, mas com o comandante santista é maior. A pontos de todos gritarem juntos quando o "coroa" consegue.

O argentino é participativo, paralisa algumas atividades como num treino tático no CT Rei Pelé, porém, não diz nada quando Malla para para falar. Em uma hora de aula, não houve qualquer "e se a gente fizesse assim...".

Centroavante? 

Sampaoli tem 1,67 m de altura, um dificultador para superar a rede de 2,20 m. O diferencial é a força do cabeceio, como um legítimo centroavante.

No aquecimento, o treinador fez os colegas irem buscar a bola. Era difícil para ele cabecear na mão sem imaginar um goleiro pela frente.

Grito do esforço 

O argentino vai no seu limite. Um exemplo é ter gritado várias vezes ao longo do treinamento, como um tenista ao fazer força para devolver a bola.

Ele também "urrou" por errar um ou outro domínio ou ataque. E não sorriu nem nos melhores acertos.

Joaquim sofreu 

Um dos menos habilidosos no grupo é Joaquim. E Sampaoli cismou justamente com ele. Primeiro "brincou de queimada" em vez de jogar a bola devagar. E se desculpou.

Na sequência, orientou o colega várias vezes. E vibrou nos êxitos. Em um momento, Joaquim disse: "Po, professor. Não sou o Messi".

"Con la punta?" 

Sampaoli orientou Mateus, outro companheiro de curso, a devolver a bola com a chapa do pé, não com a "punta" (o bico), para aumentar a precisão: "Você tem algum problema no pé? Não, então bate assim (apontou para a chapa".

Mateus, inclusive, é um dos organizadores do movimento “Vai ter cachorro na praia em Santos". Ele conheceu Sampaoli na aula, contou sobre a ideia e deu a camiseta apresentada em coletiva de imprensa depois da vitória sobre o Fluminense, na Vila Belmiro.

"Eu contei do movimento, entreguei a camiseta, mas não imaginava que ele fosse expor. Ele deve receber pedidos todos os dias. Mostra a humildade, que não quer ser alguém diferente de nós", diz Mateus.

Leva jeito?

Depois do aquecimento, o treino ficou mais pegado, com circuitos diferentes para atacar. E Sampaoli mostrou desenvoltura, parando poucas vezes na rede.

E quando se acerta a brincadeira é: "Vai ganhar o pirulito". Ele ganhou depois de cabecear bem curto uma das jogadas.

Conselho e mímica

Em dado momento, Sampaoli tinha dificuldade no cabeceio. Rodrigo Malla mudou o lançamento, deu mais espaço para o argentino e o lance funcionou.

Malla explicou o motivo de pedir o cruzamento mais atrás, Sampaoli fez duas mímicas, primeiro encurtando a cabeça e depois apontando o maior número de possibilidades.

De novo Joaquim? 

Antes do fim do treinamento e depois de terminar a sua série, Sampaoli voltou a cobrar Joaquim. O técnico deu conselhos e pegou pesado, jogando a bola bem longe para o colega alcançar.

"Ele é assim. Se esforça ao máximo e cobra esforço dos companheiros. Imagino como ele deve ser na rotina do Santos. Por isso o time melhorou", explicou o professor de futevôlei.

Fim do treino e saída rápida, mas nem tanto

Depois de quase uma hora de treinamento, Sampaoli tentou sair rápido da areia. Pegou o celular e a chave, combinou de voltar na quarta-feira, se despediu num "tchau" geral e foi em direção ao calçadão.

Lá, porém, o técnico parou para uma foto. Duas, 10... Os outros alunos registraram o momento, além de poucos torcedores presentes.

Paciente, atendeu a todos e foi para o chuveirinho da praia. Lavou a perna, molhou a cabeça e foi andando para seu apartamento, a poucos metros do ponto de encontro. Como um típico caiçara.

Sampaoli é tietado após aula de futevôlei (Lucas Musetti)

 

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