Vítor Pereira vê Corinthians irregular, elogia Guedes na esquerda e revela "dieta" de Jô

Marina Bufon - São Paulo,SP

16/04/22 | 22:13 - 16/04/22 | 22:26

Apesar da vitória por 3 a 0 em cima do Avaí, o técnico do Corinthians, Vítor Pereira, ainda não ficou totalmente satisfeito. Segundo o português, faltou regularidade, principalmente no segundo tempo, ainda mais porque o goleiro Cássio, bastante elogiado por ele, foi bastante acionado.

"Eu poderia estar feliz com o 3 a 0, mas não sou um treinador assim, fico feliz com uma maturidade constante, e hoje tivemos momentos que não foram assim. Acho que bom futebol é com bola, jogar a maior tempo com bola, ainda estamos a oscilar, a procura de fazer crescer e alinhar todo mundo no mesmo patamar durante os 90 minutos. Isso ainda não aconteceu", iniciou o treinador na coletiva de imprensa após a vitória.

"Hoje, mais uma vez, (Cássio) fez um jogo espetacular, agora, não gosto quando minha equipe concede tantas oportunidades, por falta de maturidade nesta mescla dos jogadores que estou tentando fazer. Sobra ansiedade, querer fazer tudo, mostrar que querem ajudar a equipe e depois perdem posição, aparecem na área, desequilibra… Essa segunda parte foi assim".


Vítor Pereira também falou sobre Róger Guedes, autor dos três gols do triunfo, e revelou que o centroavante Jô está passando por um período de "readaptação", no qual está perdendo peso para ajudar o clube.

"Liderar pessoas é perceber as características de cada personalidade. O Róger é bom menino, provavelmente é o jogador que eu mais tenho conversado. O Júnior Moraes estava lesionado esse tempo todo, o Jô, para o bem dele e do clube, está perdendo peso, perdeu 3,5 quilos, é um desafio que fiz ao Jô e está correspondendo para jogar ao seu nível. Nós tínhamos que jogar com o Róger como atacante. Eu disse a ele que sabia que ele gostava de jogar no lado. Tenho que dar razão, fez três gols. Mas tenho o Willian do mesmo lado, vamos ter que ir fazendo essa gestão e acho que só é possível manter o nível assim", finalizou,

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Na próxima rodada, no sábado, às 19h (de Brasília), o Corinthians tem clássico marcado contra o Palmeiras, na Arena Barueri - o Allianz Parque receberá um show e não conseguirá abrigar a partida.

Antes disso, porém, o Alvinegro tem sua estreia na Copa do Brasil, nesta quarta-feira, diante da Portuguesa-RJ, no Estádio do Café, em Londrina, às 21h30 (de Brasília).

Veja outros trechos da coletiva de Vítor Pereira:

Média de idade dos jogadores

"A minha preocupação não é idade, estou preocupado nas respostas da equipe, em manter o nível alto de um jogo após o outro e, para isso, é fundamental mesclar. Já expliquei que é completamente impossível fazer um jogo de Libertadores 90 minutos e depois jogar num nível alto passados três dias. Isso para mim é muito claro e temos que dar oportunidades à juventude, para ganhar maturidade, tranquilidade no seu jogo. É a única forma de termos uma equipe competitiva, com algumas oscilações, porque ainda não estamos todos alinhados em termos de comportamento. Ainda falta alguma maturidade no jogo".

Jogo contra a Portuguesa-RJ

"Para eles, é tudo, para nós, é uma obrigação ganhar. Se ganharmos, não fazemos mais que a obrigação. Para eles, é uma oportunidade incrível. Vamos ter que enfrentar o pós-jogo de forma concentrada, organizada. Vamos mudar, porque é a única forma, temos dois jogos pela frente de alta exigência, até para dar oportunidade a outros, correr esse risco".

"Ainda não pensei (nas mudanças). Não costumo falar muito do jogo seguinte, até em respeito ao Avaí. Já comecei a pensar na Portuguesa, naturalmente, o calendário não permite não fazer isso. Vamos ter que mudar (os jogadores)".

Time titular

"Se fôssemos jogar uma final, temos que equilibrar a equipe. Futebol é a procura constante do equilíbrio, o que procuro fazer em todo jogo é fazer a equipe forte na frente e ao defender. Vocês estão sempre à espera de eu fazer uma equipe com os melhores, que teoricamente são melhores, mas, do ponto de vista individual, depois o coletivo. Não é só qualidade ofensiva que devemos imaginar, a melhor equipe é a equilibrada. Se todos estivessem frescos, em sua melhor condição, eu tenho mais ou menos os que jogariam. Mas o calendário terrível, só experimentei isso na China, aqui é o ano todo, e temos que encontrar soluções. É mesclando, não dá para ser diferente".

Rafael Ramos

"Temos três laterais-direitos. O João tem crescido também em termos de maturidade, em tranquilidade do seu jogo, fez um belíssimo jogo contra o Botafogo. O Rafael surge como uma oportunidade de mercado, estava em final de contrato. Sabemos que o empréstimo do João está acabando, não sabemos o futuro, tivemos que jogar em antecipação, porque o Fagner e nem ninguém consegue jogar 90 minutos em alta exigência em um jogo e depois no outro. Os três vão ter oportunidades de jogar em jogos diferentes. O Rafael jogava no Santa Clara, é uma boa equipe em Portugal, fizeram um belíssimo campeonato ano passado. É rápido, esclarecido e que pode nos ajudar, tem um caráter que eu gosto, é combativo, tem o espírito do Corinthians também. Fez um jogo de qualidade, regular, do ponto de vista ofensivo e defensivo".

Cássio

"Hoje, para mim, tivemos alguns períodos de bom futebol, mas perdemos muitas bolas, permitimos contra-ataques e que o adversário chegasse na cara do Cássio. Vou falar dele, o Cássio, com a idade que tem, continua a ser um profissional que é dos primeiros a ir para o campo e dos últimos a sair, quer trabalhar com os pés, quer melhorar as decisões dele. Trabalha com um profissionalismo que vi poucos goleiros trabalharem. Ele exige dele mesmo, portanto, muito satisfeito de ter o Cássio no gol. Não é para qualquer um, ele sempre está lá, uma, duas bolas".

Evolução no Corinthians

"Experiência é perceber os tempos de recuperação da minha equipe, dos jogadores que trabalho, e aprender. É saber refletir, saber fazer. É uma frase da faculdade: saber e saber fazer. É quando experimentamos. Se erramos, refletimos e fazemos de uma forma diferente. Contra o São Paulo, decidi pela mesma equipe e chegamos mortos. Saímos com vergonha, porque podíamos fazer melhor. Repetindo a equipe, não teve capacidade de recuperar. Eu não tive tempo de perceber os tempos de recuperação de cada um e acreditei que teríamos qualidade. Perdemos e perdemos bem, saímos na semifinal. E depois? Refletimos e não posso cometer o mesmo erro. Se eu cometer o mesmo erro, não é experiência. Vou seguir de outra forma".

Torcida e passe de Cássio

"A experiência de jogar em casa é maravilhosa, fantástica, acho que me faltam os adjetivos para agradecer a nossa torcida. Mesmo no período que não estávamos tão bem, eles continuaram a apoiar. O Cássio tem trabalhado muito o trabalho com os pés, os outros goleiros também, fiquei contente por ele ter dado aquele passe que, depois, originou o gol. Ele está com mais confiança, está trabalhando todos os dias. Qualidade tem, quer aprender e evoluir, e foi aquele sorriso. Ele sorriu para mim, eu sorri para ele".

 

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