Presidente do Corinthians, Osmar Stabile abriu o jogo sobre uma possível venda de Yuri Alberto na janela de transferências do ano. Visto com bons olhos no mercado europeu, o camisa 9 é um dos principais ativos do clube e já externou publicamente o desejo de "buscar um novo desafio" no meio do ano. A declaração, porém, não pegou bem com a torcida, e o jogador chegou a ser vaiado ao deixar o campo na derrota para o Platense, pela Libertadores.
"Eu acho que ele foi induzido pelo empresário a falar aquilo lá, porque o Yuri é um menino bom. Está sempre sorrindo. Nesse mesmo dia, estive no vestiário. Não sei se era peso, mas se tinha, saiu, tinha acabado de fazer o gol. O mais importante era ele permanecer com aquela vontade, aquele ímpeto de correr, de ajudar os companheiros. Muitas vezes o gol não vem, mas o importante é a participação, e ele nunca deixou de participar. Sempre chegava exausto, a gente via uma dedicação muito grande. Foi alguma coisa que pode ter acontecido com o empresário, mas é um menino bom, vai continuar conosco com certeza absoluta", afirmou o presidente em entrevista à TMC.
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Embora Stabile tenha garantido a permanência de Yuri Alberto, o que não faltam são interessados. Em outros momentos, o Corinthians já recusou propostas de clubes como Roma e Lazio, da Itália, e Fenerbahce, este último da Turquia.
O atacante tem contrato com o Timão até julho de 2030, mas o clube detém apenas 45% de seus direitos econômicos. Ainda não há nenhuma oferta na mesa, mas Stabile já definiu quanto o Corinthians quer receber para negociar Yuri Alberto com outra equipe.
"O Corinthians tem um percentual, tem um valor por esse percentual e não abre mão disso. Temos um valor estipulado. Quando ele diz que tínhamos combinado naquele período, na parte do Corinthians, falamos em 20 milhões de euros (R$ 118 milhões na cotação atual). Se viesse, a gente libera, não tem problema nenhum. Se não, podem pagar a multa rescisória também, por volta de R$ 200 milhões. O Yuri fica conosco", disse o mandatário.
Renovação de Memphis
Stabile também comentou o andamento das negociações para a renovação do atacante Memphis Depay, cujo contrato se encerra no próximo dia 31 de julho. O presidente do Corinthians, porém, deixou a decisão nas mãos do holandês, que está com a sua seleção para a disputa da Copa do Mundo.
"O Memphis sempre falou que faria um desconto, que dava para negociar. Esperamos que ele passasse um valor que dá para chegar, para ver se o Corinthians tem essas condições. Temos que resolver os problemas financeiros. Tem as despesas em geral, futebol masculino, feminino. O custo de tudo é muito alto. Vai depender muito dele. Não depende tanto do Corinthians, mas depende dele, do que ele vai oferecer para a gente, esse desconto, se a gente consegue fazer essa negociação ou não", explicou Stabile.
Há o interesse mútuo por uma renovação, também pela dívida de R$ 43 milhões do clube com o jogador. Por isso, o Corinthians pretende parcelar os valores até 2028 e tenta montar um contrato com moldes semelhantes ao atual, mas com redução significativa nos custos mensais. Memphis, inclusive, já teria sinalizado positivamente para isso.
"Eu gosto, participou de três títulos no ano passado, não tem como não gostar de um jogador desses. O Corinthians deve sim um valor, e estamos colocando isso também para negociar. É uma dívida, um direito que ele adquiriu durante o contrato dele, e vamos cumprir. O Corinthians acha que não deve abrir mão, temos que pagar de uma forma ou de outra", acrescentou Stabile.
(Foto: Marco Galvão/Agência Corinthians)
Stabile explica contratação de empresas de segurança
O presidente do Corinthians também foi questionado sobre a contratação de duas empresas de segurança, tema que virou alvo de investigação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A Mega Assessoria Operacional Ltda, ligada ao atual gerente operacional do Corinthians, foi contratada para atuar no Parque São Jorge, enquanto a Bear Security Ltda. cuida da segurança pessoal de Stabile.
Ambas as empresas, entretanto, não possuem vínculo formal com o Corinthians e não possuem autorização da Polícia Federal para atuar no ramo.
"O Corinthians não paga para o Osmar Stabile, paga para o presidente do clube, e há essa necessidade, hoje, em virtude de tudo que está acontecendo e aconteceu. Existe essa necessidade do presidente do Corinthians ser cuidado para que não aconteça nada de pior. Não adianta fechar as portas depois, temos que tomar o cuidado necessário antes. O presidente do Corinthians, hoje, precisa de segurança sim, porque a qualquer momento pode acontecer alguma coisa, e eu tenho receio do que pode acontecer com o presidente do clube, não com o Osmar Stabile", esclareceu o mandatário.
A contratação das duas empresas irregulares na PF levou também a um novo pedido de impeachment de Stabile, protocolado no Conselho Deliberativo do clube na última quarta-feira. Este é o segundo pedido de destituição enfrentado pelo presidente desde que assumiu o cargo, em agosto de 2025.
"Quem cuida da segurança é alguém de confiança da presidente. Não importa. O importante é eu me sentir seguro. Nesse caso, não [precisa]. É uma segurança VIP, do presidente do Corinthians. As pessoas que me atendem são pessoas de confiança, e eu entendi que não tem problema nenhum, porque me sinto seguro", concluiu.