MP-SP volta a pedir intervenção judicial no Corinthians após aprovação das contas de 2025

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(Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians)

Por Tiago Salazar e Thais Bueno

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do promotor Cássio Roberto Conserino, enviou uma representação à Promotoria do Patrimônio Público e Social de São Paulo na qual voltou a solicitar intervenção judicial no Corinthians. O pedido cita como justificativa a nulidade da aprovação do balanço financeiro de 2025, além de uma possível gestão temerária devido aos números apresentados nas contas do ano passado.

A informação foi inicialmente divulgada pelo Blog do Macedo e confirmada pela Gazeta Esportiva, que teve acesso ao documento enviado à Justiça.

Conserino argumentou, inicialmente, que a reunião da aprovação das contas por parte do Conselho Fiscal do Corinthians teria sido irregular. No entendimento do promotor, a irregularidade no pleito se deu pela presença de Haroldo Dantas, que estava cautelarmente afastado de suas funções como presidente do órgão por conflito de interesses. Ele integra o departamento jurídico das empresas do presidente Osmar Stabile.

Ainda assim, Haroldo Dantas não só esteve presente no Parque São Jorge, como presidiu a sessão e assinou a ata da reunião do Conselho Fiscal, que recomendou a aprovação do balanço financeiro de 2025 com ressalvas. Segundo o MP-SP, o ato seria "nulo de pleno direito".

(Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians)

O promotor também acusou o Conselho de Orientação do Corinthians (Cori) de ter falhado ao não reconhecer a ilegalidade da presença de Haroldo Dantas na reunião e ao não destrinchar quais foram as ressalvas feitas na sugestão de aprovação das contas. O órgão, ainda, não teria trazido meios de solucionar os números apresentados, o que também motivou o reforço do pedido do MP-SP.

Conserino, por fim, ainda alegou que o Conselho Deliberativo do Corinthians teria ignorado a recomendação interna da Comissão de Finanças e externa da empresa Parker Russell, que fez a auditoria independente das contas de 2025 do clube. O balanço financeiro, que engloba a gestão Augusto Melo e Osmar Stabile, foi aprovado por 106 a 98. As contas registraram um déficit de R$ 143 milhões, e uma dívida na casa dos R$ 2,723 bilhões.

"Iniludivelmente estamos assistindo uma ineficácia sistêmica e institucionalizada dos órgãos de controle do Sport Club Corinthians Paulista que demanda urgente intervenção judicial. Houve uma violação direta da governança exigida pela Lei Geral do Esporte. Enfim, um cenário administrativo caótico e que piora em progressão geométrica", escreveu o promotor na conclusão do despacho.

A petição formulada pelo MP-SP, agora, seguirá para análise do poder judiciário.

Pedido de intervenção judicial

Em dezembro do ano passado, o Ministério Público instarou inquérito para apurar a necessidade de intervenção judicial no Corinthians.

A iniciativa atendeu a um pedido formulado pelo promotor Cassio Roberto Conserino, responsável por investigações relativas ao uso de cartões corporativos por ex-dirigentes do clube. Em sua solicitação, Conserino listou 25 argumentos que justificariam a instauração de um inquérito civil ou de uma ação pública visando a intervenção judicial no clube.

O Corinthians, entretanto, entrou com um recurso e solicitou a suspensão do inquérito policial. O MP-SP, por outro lado, contestou a versão apresentada pelo time do Parque São Jorge e rebateu os pontos argumentados no documento expedido pela diretoria alvinegra.

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