Duilio Monteiro Alves, novamente, se defendeu em relação ao caso dos supostos gastos pessoais no Corinthians durante sua gestão, no triênio de 2021 a 2023. O ex-presidente declarou já ter identificado pelo menos três faturas falsas e registrou uma notícia-crime.
O ex-presidente apresentou a notícia-crime nesta terça-feira na Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE/DOPE), solicitando a inclusão desta no inquérito policial já em andamento, que denuncia a circulação de documentos falsos e manipulados.
De acordo com Duilio, em uma "rápida averiguação", uma fatura atribuida à sua gestão já foi identificada como falsa, além de outros dois documentos inexistentes. A apuração teria sido realizada pelo Corinthians, junto à diretoria financeira da gestão Augusto Melo, em denúncia anterior.
O presidente também disse que já teria formalizado um pedido ao Conselho Deliberativo do Timão para que apurar mais detalhes sobre a veracidade dos demais documentos apresentados e também "quanto à conduta dos envolvidos".
A DENÚNCIA DE DUILIO
Na apresentação da notícia-crime, à qual a Gazeta Esportiva teve acesso, o ex-presidente do Corinthians alegou que a divulgação de tais documentos tem causado "grave abalo" a sua honra, reputação e imagem, além de instabilidade institucional ao clube.
"Trata-se, portanto, de possível uso de documentos inautênticos com intuito de imputar falsamente condutas criminosas a quem delas não participou, conduta que pode também configurar crime de denunciação caluniosa (art. 339 do CP)", descreveu a denúncia.
O ex-mandatário alvinegro também citou possíveis crimes que teriam sido cometidos, como falsificação de documento particular (art. 298 do Código Penal); falsidade ideológica (art. 299, caput e parágrafo único, CP); e eventual associação criminosa (art. 288, CP).
No documento enviado ao DRADE/DOPE, Duilio reforçou que nenhum dos documentos divulgados contém qualquer tipo de assinatura ou chancela que o vinculem à sua elaboração.
"Ademais, nenhuma das pessoas cujos nomes figuram nas supostas planilhas reconheceu sua validade, tampouco foi apresentada prova mínima da existência de tais reembolsos nos registros contábeis da gestão anterior, reforçando que pode se tratar de documentos forjados com propósito político e criminoso", complementou.
Duilio Monteiro Alves, portanto, requeriu às autoridades a instauração de diligências cabíveis e a realização de perícia nos documentos eletrônicos divulgados, além da adoção das medidas necessárias para a preservação de provas digitais. Por fim, o ex-dirigente também pediu o envio da notícia-crime ao Ministério Público caso o delegado julgue necessário.
ENTENDA O CASO
Segundo o ge, o Corinthians teria bancado despesas pessoais durante a gestão Duilio. As compras seriam comprovadas através de cupons fiscais e notas. A lista de produtos adquiridos no período seria variada, tendo cerveja, cigarro e até tadalafila, remédio para disfunção erétil.
A grande maioria dos comprovantes que indicariam os gastos na gestão de Duilio não teriam o comprador identificado. Entretanto, haveria a existência de cupons e notas fiscais com nome e CPF do ex-presidente e de Denílson - motorista do mandatário -, além dos endereços residenciais deles.
Ao longo dos 36 dias prestados nos documentos, teriam sido realizadas 176 compras, totalizando R$ 86.524,62.
Entre os gastos declarados, a categoria com os maiores gastos seria o de alimentação e compras em mercados, com um total de quase R$ 58 mil. O principal fornecedor neste ramo seria o "Oliveira Minimercado", que teria lucrado R$ 32.580 em sete notas diferentes entre os dias 18 e 31 de outubro. O comércio estaria registrado em um endereço no Jardim Ângela, na Zona Sul de São Paulo, a mais de 35km da sede do Corinthians.
Além disso, em três compras de farmácia apareceriam medicamentos para disfunção erétil: Tadalafila (duas vezes) e Cialis. O segundo teria sido comprado no dia 3 de outubro, numa farmácia em Fortaleza. No mesmo dia, o Corinthians jogou na capital cearense pela semifinal da Copa Sul-Americana.
Em nota, Duilio reafirmou que não reconhece a veracidade da planilha, em que constam todos os supostos gastos pessoais de sua gestão. Ele alegou que, ao longo do triênio em que esteve na cadeira presidencial, jamais recebeu ou aprovou pagamentos no formato dos documentos apresentados.
Confira a nota completa de Duilio Monteiro Alves, divulgada mais cedo:
"Informo que na presente data apresentarei notícia-crime na Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE/DOPE) para ser incluída na investigação em andamento (Inquérito Policial nº 2326769-37.2024.010315 - Processo Digital n°: 1542744-43.2024.8.26.0050 - 2025/001214), denunciando a circulação de documentos falsificados e manipulados, que estão sendo atribuídos à minha gestão no Sport Club Corinthians Paulista.
Numa rápida averiguação já detectamos uma fatura de cartão de crédito falsa e 2 documentos incluídos na suposta planilha identificados como inexistentes em apuração realizada pelo clube junto a diretoria financeira da gestão Augusto Melo, em denúncia anterior.
Também já formalizei um pedido ao Conselho Deliberativo para que sejam apuradas todas as circunstâncias que envolvem este episódio, tanto em relação à veracidade dos documentos e à tentativa de vinculá-los à minha pessoa, quanto à conduta de todos os envolvidos.
É evidente que essas ações possuem motivações políticas claras, visando comprometer minha imagem, reputação e a própria estabilidade do Sport Club Corinthians Paulista.
Em relação à matéria veiculada pelo portal ge.globo, reafirmo que não reconheço a veracidade da planilha divulgada. Nunca tive acesso direto a esse documento, apenas o vi através de imagens compartilhadas em redes sociais e por terceiros. Durante toda a minha gestão, jamais recebi ou aprovei pagamentos naquele formato, muito menos fui informado sobre os supostos pagamentos que agora tentam me vincular.
Reitero que:
Não há nenhuma assinatura minha, carimbo oficial ou qualquer elemento que comprove meu conhecimento dos valores listados;
Não há assinatura de recebimento dos supostos valores reembolsados, o que contraria os procedimentos normais de prestação de contas do clube.
O próprio Corinthians, como já foi noticiado, registrou um Boletim de Ocorrência relatando o desaparecimento de faturas e documentos fiscais. Isso reforça a possibilidade de adulterações e uso indevido de informações internas.
Cumpre registrar que sou o maior interessado na apuração completa e transparente dos fatos. Solicitei formalmente ao clube acesso aos documentos originais e adotarei as medidas judiciais cabíveis contra os responsáveis pela criação e disseminação desse material falso.
Por fim, reafirmo meu compromisso inabalável com a ética, a lisura e a transparência, princípios que sempre nortearam minha atuação no clube. Tenho absoluta tranquilidade quanto à correção de minha gestão e permaneço à disposição das autoridades e da instituição para todos os esclarecimentos necessários, prestando total colaboração para a rápida elucidação dos fatos.
São Paulo, 22 de julho de 2025
Duílio Monteiro Alves".
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