Sob pressão da torcida, Corinthians faz 'limpa' de ex-presidentes em oito dias

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(Foto: Thais Bueno / Gazeta Press)

O Corinthians viveu dias agitados nos bastidores políticos no recorte dos últimos oito dias. Sob forte pressão da torcida, o clube fez uma 'limpa' internamente, que culminou com três ex-presidentes fora do quadro associativo do clube. Dois deles foram expulsos, enquanto um renunciou ao título de sócio.

O primeiro e talvez mais emblemático caso foi de Andrés Sanchez, que comandou o Corinthians por dois mandatos — o primeiro entre 2007 e 2014, e o segundo de 2018 a 2020.

Andrés foi denunciado duas vezes no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pelo uso irregular do cartão corporativo do clube para despesas pessoais em sua última gestão, com gastos em hospitais, clínicas e farmácias, lojas de móveis e eletrônicos, além de custos com uma empresa de táxi aéreo e centros automotivos. A Justiça já rejeitou as acusações de lavagem de dinheiro e de crimes tributários, mas a acusação de apropriação indébita, referente à primeira denúncia, ainda não foi descartada e está sendo investigada pela vara criminal comum.

O caso dos gastos do ex-presidente também foi investigado internamente, pela Comissão de Justiça e pela Comissão de Ética e Disciplina do Conselho Deliberativo - esta última sugeriu a expulsão de Andrés no parecer final. Os conselheiros seguiram a recomendação, e o ex-dirigente foi expulso do quadro associativo do clube na última segunda-feira.

Internamente, o tema era tratado como um dos mais delicados dos últimos anos, principalmente pelo peso político de Andrés Sanchez na história recente do clube. O ex-dirigente presidiu o Corinthians em diferentes períodos e seguia sendo uma das figuras mais influentes da política corintiana. O clima era tenso nos arredores do Parque São Jorge, sobretudo pelo policiamento e pela imprevisibilidade da votação, mas terminou em felicidade após o resultado final.

Corinthians

(Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

Duilio veio em sequência

A saída de Duilio Monteiro Alves veio logo em seguida, apenas três dias depois da expulsão de Andrés Sanchez. O ex-presidente, porém, não foi expulso. Ele, que dirigiu o clube entre 2021 e 2023, renunciou ao título de sócio remido e abriu mão dos cargos de conselheiro vitalício e membro do Conselho de Orientação (CORI).

Por meio de uma longa carta aberta publicada nas redes sociais, Duilio anunciou que estaria se desligando do quadro de sócios do clube de maneira definitiva.

Duilio Monteiro Alves, assim como Andrés, também se tornou alvo de apurações internas relacionadas ao uso do cartão corporativo para despesas pessoais e a suspeita da emissão de notas frias durante sua gestão, casos que estão sob análise da Justiça e do MP-SP. Em março deste ano, se tornou réu pelo crime de apropriação indébita.

"A guerra política do Corinthians deixou muita gente cega. O clube se tornou ingovernável. E, em vez de debater regras, responsabilidades e mecanismos de controle, preferiram criminalizar práticas próprias da vida de uma empresa que fatura R$ 1 bilhão, como renegociação de dívidas e o uso do cartão corporativo", se defendeu em trecho da publicação.

Augusto Melo foi o terceiro

Por fim, Augusto Melo foi o terceiro — o último, até o momento — a deixar o quadro associativo do Corinthians. O ex-presidente, que assumiu em 2024 e foi destituído do cargo definitivamente em agosto de 2025, foi expulso do clube em votação na última segunda-feira.

Augusto Melo foi julgado e expulso, quase que por unanimidade, do quadro de associados do Corinthians pela invasão ao andar da presidência no Parque São Jorge, sede social do clube, no dia 31 de maio do ano passado. 147 conselheiros votaram pela exclusão, enquanto somente cinco foram contra, além de quatro abstenções. A expulsão seguiu a recomendação da Comissão de Ética do Corinthians.

Segundo soube a reportagem, a votação correu de forma tranquila e durou menos de 20 minutos. Todos os 24 conselheiros vitalícios que compareceram votaram pela expulsão.

Ainda há, porém, a possibilidade de Augusto Melo buscar a anulação da decisão na Justiça. O ex-presidente tentou suspender o pleito com ação protocolada horas antes da reunião, mas a decisão não foi divulgada a tempo. A defesa, porém, crê que "o objeto da ação é a anulação do ato administrativo como um todo", e a expulsão pode ser anulada.

"É uma coisa que não temos controle. Não tem como eventualmente questionar ou até mesmo minimizar a relevância que eles dão para isso. Eu acho que é um direito deles, se entenderem que devem judicializar, sem dúvida nenhuma, é uma possibilidade", analisou Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo do Corinthians.

Corinthians Augusto Melo

(Foto: Divulgação / @augustomelooficial)

Pressão da torcida surte efeito

A forte pressão da torcida surtiu efeito nas expulsões de Andrés Sanchez e Augusto Melo. Nas duas ocasiões, a Fiel Torcida, convocada pelas principais organizadas do clube, esteve presente nos arredores do Parque São Jorge para cobrar a exclusão dos ex-dirigentes. Os torcedores não só acompanharam a chegada dos conselheiros, mas também a própria votação do lado de fora da sede social, e fizeram a festa com a decisão.

"Tinha que ser oficializada a semana do corintiano. É uma limpeza moral no Parque São Jorge. Todos os corintianos são reponsáveis por isso aqui. A partir do momento que o corintiano se politizou e entender a política interna do clube, começou a incomodar. Tem muita coisa a ser feita ainda. É um dia de alívio, mas não de felicidade. O corintiano depositou uma confiança muito grande nesses ex-presidentes, mas infelizmente eles foram para o caminho errado, e a Fiel Torcida, com os órgãos internos, conseguiu derrubar eles", valorizou Alê Oz, presidente da Gaviões da Fiel.

Agora, o foco da principal uniformizada do clube será fiscalizar a atual gestão do clube, presidido por Osmar Stabile. Ele assumiu interinamente após o impeachment de Augusto Melo e, posteriormente, foi eleito para o restante do mandato, a ser encerrado no fim deste ano.

"Devemos muito ao Ministério Público, que descobriu as coisas do cartão corporativo e outras falcatruas mais. Agora, nosso foco principal é continuar indo atrás do Corinthians onde ele estiver, mas ficar com os olhos atentos ao Osmar Stabile, porque focamos muito nessas três expulsões, e temos algumas coisas que queremos esclarecer com ele. Ele tem algumas satisfações a dar para a Fiel Torcida. A cobrança agora é em cima do Stabile, ele deve satisfação para nós", completou Alê.

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