Augusto Melo entra na Justiça e tenta suspender votação no Corinthians

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(Foto: Peter Leone/O Fotografico/Gazeta Press)

*Por Thais Bueno e Tiago Salazar

Às vésperas da reunião extraordinária do Conselho Deliberativo que pode sacramentar sua expulsão do quadro associativo do Corinthians, Augusto Melo acionou a Justiça para tentar suspender o processo disciplinar instaurado contra ele. Na ação, o ex-presidente aponta uma série de supostas irregularidades que, segundo sua defesa, comprometem a legalidade do procedimento conduzido pelo clube.

Um dos principais questionamentos apresentados diz respeito à condução do processo disciplinar. De acordo com a petição, Augusto Melo não teria sido formalmente acusado por meio de uma peça capaz de individualizar sua suposta conduta infracional, o que teria resultado em acusações genéricas e modificadas ao longo do processo. A defesa também sustenta que o ex-mandatário não foi regularmente intimado para participar da sessão de julgamento realizada em abril deste ano, circunstância que teria impedido o exercício de sua defesa oral.

Outro ponto central da ação envolve a atuação de Leonardo Pantaleão durante o procedimento. Os advogados argumentam que houve quebra da necessária imparcialidade do processo, uma vez que Pantaleão teria acumulado funções consideradas incompatíveis. Segundo a defesa, ele presidiu simultaneamente a Comissão de Ética e Disciplina, responsável pela elaboração do parecer que recomendou a expulsão, e o Conselho Deliberativo, órgão encarregado de analisar o caso. Além disso, a petição ressalta que o dirigente também atuou como advogado do Corinthians em questões relacionadas aos fatos investigados.

O documento também questiona a validade das normas utilizadas pelo clube para conduzir o processo disciplinar. De acordo com a ação, o Corinthians adotou um regulamento interno criado em 2015 sem apresentar documentação que comprove sua aprovação formal ou entrada em vigor, situação que, na visão da defesa, compromete a legalidade do rito aplicado. A convocação da reunião extraordinária do Conselho Deliberativo também foi alvo de contestação. Augusto Melo alega que o encontro não respeitou o prazo mínimo de antecedência previsto pelas normas internas do clube, o que configuraria mais uma irregularidade processual.

Ainda segundo a defesa, o procedimento sofreu sucessivos desmembramentos ao longo de sua tramitação, resultando em autos incompletos e sem documentos considerados essenciais para a compreensão integral das acusações. Os advogados sustentam que a situação dificultou o acesso às informações e prejudicou o exercício da ampla defesa.

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Não é passível de punição

Augusto Melo também nega ter praticado qualquer ato que justifique a aplicação da pena máxima prevista pelo estatuto corintiano. O ex-presidente afirma que sua entrada nas dependências do Parque São Jorge, em maio de 2025, ocorreu de forma autorizada pelo então presidente em exercício, Osmar Stabile, e acompanhada pela equipe de segurança do clube. Por esse motivo, a defesa entende que não houve invasão, violência ou qualquer outra conduta passível de punição disciplinar.

A ação também destaca que Augusto Melo não possui antecedentes disciplinares em sua trajetória associativa dentro do Corinthians. O argumento é utilizado para reforçar a tese de que não haveria elementos suficientes para sustentar uma punição tão severa. Outro questionamento apresentado pelos advogados envolve a própria competência da Comissão de Ética e Disciplina. Segundo a interpretação da defesa, o órgão extrapolou suas atribuições ao deliberar sobre a aplicação da pena de desligamento, decisão que caberia exclusivamente ao Plenário do Conselho Deliberativo.

Por fim, Augusto Melo sustenta que a punição proposta é desproporcional diante dos fatos investigados. A defesa argumenta que não há provas de conduta grave que justifiquem a expulsão do quadro associativo e afirma que outros envolvidos nos mesmos episódios receberam tratamento mais brando por parte do clube. Com base nesses argumentos, o ex-presidente pede a suspensão imediata do procedimento e a declaração de nulidade do processo disciplinar, impedindo qualquer decisão sobre sua expulsão até que o caso seja analisado pela Justiça.

O que diz Augusto Melo?

O ex-mandatário do Corinthians mantém a mesma postura que vem tomando desde 2025. Augusto Melo se exime da culpa das dívidas do Timão, além de afirmar que sofreu um golpe na equipe do Parque São Jorge e que não irá renunciar de sua posição.

"Sou homem, sou honesto. Não adianta ficar ligando para mim para pedir para renunciar, porque eu sou homem, não devo nada. Não tem renúncia nenhuma, não. Vai ficar feio para eles que vão expulsar um cara que tem 45 anos de clube, vão expulsar por invasão, sendo que eu frequento o clube. Então, eu invadi o clube há 45 anos. Estão me expulsando por isso", disse Augusto Melo.

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