Augusto Melo é expulso do quadro associativo do Corinthians

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(Foto: Peter Leone/O Fotografico/Gazeta Press)

Augusto Melo está expulso do Corinthians. O ex-presidente destituído foi excluído do quadro associativo do clube, quase por unanimidade, após votação realizada no Conselho Deliberativo na noite desta segunda-feira. O pleito ocorreu de forma nominal e aberta no Parque São Jorge, e contou com a presença de 156 conselheiros, sendo 132 trienais e 24 vitalícios.

147 conselheiros votaram pela expulsão, enquanto apenas cinco foram contra, além de quatro abstenções. Augusto Melo comandou o Corinthians de 2024 a agosto de 2025, quando foi destituído definitivamente do cargo de presidente. Ele foi julgado e excluído do quadro associativo pela invasão ao andar da presidência no Parque São Jorge, sede social do clube, no dia 31 de maio do ano passado. O ex-dirigente chegou a ingressar com uma liminar na Justiça para tentar suspender a votação, mas a decisão não foi proferida a tempo.

A exclusão segue a recomendação da Comissão de Ética do Corinthians, cujo parecer final foi feito por Leonardo Pantaleão, que assumiu interinamente a presidência do Conselho Deliberativo após o afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior. O documento, por unanimidade, havia sugerido a expulsão do ex-presidente por infração estatutária gravíssima.

A sessão no Parque São Jorge começou com a defesa de Augusto Melo, que na figura do Dr. Ricardo Jorge, teve espaço para argumentar. Uma votação foi iniciada para analisar se os méritos apresentados seriam válidos para evitar a sequência da reunião ou, ainda, para debater a suspensão como uma alternativa à expulsão. O recurso apresentado, porém, foi negado, e o rito continuou.

A Comissão de Ética, então, iniciou a leitura do parecer final. Em determinado momento, alguns conselheiros começaram a deixar o teatro, mas o rito teve sequência. Na sequência, a defesa de Augusto Melo teve a possibilidade se manifestar novamente, dessa vez para argumentar contra a expulsão. Após tudo isso, o pleito enfim foi iniciado no Parque São Jorge, resultando na exclusão do ex-dirigente.

Depois de divulgado o resultado final, as organizadas do Corinthians, que se manifestaram antes da votação em ato pacífico nos arredores do Parque São Jorge, comemoraram a exclusão de Augusto Melo, soltando fogos.

Augusto Melo é o segundo ex-presidente a ser excluído do quadro de sócios do Corinthians. Na semana passada, Andrés Sanchez foi expulso pelo uso irregular do cartão corporativo do clube para fins pessoais durante sua última gestão, de 2018 a 2020.

Defesa de Augusto contesta votação

O Dr. Ricardo Jorge, que sustentou a defesa de Augusto Melo, contestou a legalidade da votação em entrevista na saída do teatro. O advogado entende que a liminar, não apreciada até o horário da votação, ainda é válida e pode anular o resultado do pleito.

"Foi pedida a liminar para suspender, mas o objeto da ação é a anulação do ato administrativo como um todo. Quando tem uma denúncia na Justiça, inicia-se o processo. Aqui deveria ser igual, mas o relatório é genérico, ‘cometeu inúmeros crimes’, conduta não bate. Não há como exercer o estado de direito sem uma acusação formal", explicou o advogado.

“Temos um presidente da Comissão de Ética que é o mesmo do Conselho Deliberativo. Tivemos um julgamento desse mesmo plenário destituindo o time. Quem está perdendo é o Corinthians, porque não restabelece a sua credibilidade institucional. É um escândalo em cima do outro. Hoje, vão falar que estão limpando o Corinthians, mas a preço de injustiça, e não compactuo com isso. Essa diferença [na votação] já era prevista, porque o Corinthians é que nem cardume. Dependendo do líder, muda de uma hora para outra”, acrescentou.

Julgamento de conselheiros adiado

Durante a sessão desta segunda-feira, também seriam julgados os conselheiros Maria Angela, Mario Mello Junior, Paulo Juricic e Ronaldo Fernandez Tomé, que participaram da invasão junto ao ex-presidente Augusto Melo.

Contudo, o debate sobre o futuro dos outros quatro conselheiros foi suspenso. Maria Angela solicitou o adiamento do pleito por uma questão de saúde familiar. O pedido foi para votação dos conselheiros, que acataram.

O Conselho Deliberativo, então, deve se reunir na próxima segunda-feira para julgar os casos de Maria Angela e dos demais 11 conselheiros.

Além do quarteto, outros oito conselheiros também serão julgado pela invasão, em datas a serem previamente definidas. São eles: Peterson Ruan, Carlos Eduardo Melo Silva, Rodrigo Simonini Gonzalez, Wanderson Contrera Salles, Marcos Coelho Abdo, Paulo Rogerio Pinheiro Junior, Laercio Ferreira Victoria e Leandro Olmedila.

"Acaba sendo uma situação que encavala, mas prefiro que a gente postergue isso e dê o direito de defesa a todas as pessoas. Defesa é um direito indiscutível, prefiro isso do que simplesmente julgar. Tivemos um pedido da Maria Angela, foi deliberado pelo plenário para que segurasse o dela, e o conselheiro que vinha na sequência, se opôs a que o julgamento dele fosse antecipado ao dela. Consequentemente, houve a suspensão. Se tiver, como terá certamente a necessidade de designar novas datas, vamos fazer isso", afirmou Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo.

Relembre o caso

No último dia 31 de maio, Augusto Melo, então afastado da presidência do Corinthians pelo Conselho Deliberativo, se dirigiu ao Parque São Jorge com alguns aliados e tentou reassumir o cargo através de um documento, assinado por Maria Ângela de Souza Ocampos, mas não reconhecido por Osmar Stabile, presidente em exercício na ocasião, que chamou a Polícia.

Ela, que atua como 1ª vice secretária do Conselho, se intitulava presidente interina do órgão já que, em seu entendimento, Romeu deveria estar afastado e o sucessor imediato do posto, o vice Roberson de Medeiros, o ‘Dunga’, estava de licença médica. Na ocasião, a conselheira dizia ter anulado todos os atos conduzidos por Tuma desde o dia 9 de abril de 2025, dentre eles, a votação que aprovou o impeachment de Augusto pelo caso VaideBet, determinando que o presidente afastado deveria ser reconduzido à função.

Para defender a tese, os aliados de Augusto voltaram a sustentar a ação com os Artigos 28, letras D e E, e 30 do estatuto do Corinthians. No entanto, como publicou a Gazeta Esportiva, estes artigos são pertinentes aos associados do clube social, e não aos conselheiros eleitos.

Além disso, a Gazeta Esportiva revelou irregularidades do ato liderado por Augusto Melo que foram expostos por Rodrigo Bittar. Ele, inclusive, votou contra o afastamento de Tuma em reunião do dia 9 de abril.

Augusto Melo chegou a ser ouvido pela Comissão de Ética e Disciplina do CD do Corinthians, em sessão presidida por Leonardo Pantaleão. O ex-presidente se defendeu e disse que foi convencido a ir à sala da presidência por seus aliados, que afirmaram que ele era o legítimo presidente. Pivô do ato, Maria Ângela de Souza Ocampos também prestou seu depoimento, assim como outros conselheiros envolvidos. Diante disso, o órgão alvinegro emitiu um parecer, tratando cada caso de forma individual.

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