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Campeã da categoria Atleta com Deficiência da São Silvestre recebe prêmio

Fernanda Lucki Zalcman* - São Paulo , SP
26/02/2019 15:22:38 — 26/02/2019 15:38:15

Em: Atletismo, Bastidores, Escolha do editor, Mais Esportes, São Silvestre
Dores foi campeã da categoria Atleta com Deficiência feminino da São Silvestre (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

“Tudo que a gente faz, tem que ser com amor. Você não sabe se vai estar aqui amanhã, então o hoje tem que ser melhor, tem que se diferente. Quando eu comecei a correr, eu não tinha tênis, usava o mesmo por três anos. Então, às vezes, não tem tanta condição para fazer aquilo que a gente quer, mas com amor e dedicação, a gente chega lá … A gente pode até servir de exemplo para outras pessoas. Não pode desistir nunca”.

Esta é Dores Fernandes, a campeã da categoria Atletas com Deficiência feminino da Corrida Internacional de São Silvestre de 2018. E nesta terça-feira, ela veio até o prédio da Fundação Cásper Líbero receber o seu merecido prêmio.

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Residente de Belo Horizonte, Minas Gerais, a atleta sofre de uma doença autoimune chamada Síndrome de BC. Apesar de ser congênita, a doença nunca havia se manifestado de maneira grave até um determinado momento de sua vida.

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“Eu tive um problema muito difícil durante uma fase da minha vida, em que eu me separei e tinha uma filha pequena para cuidar. Então meu problema de visão se agravou muito nessa época, porque eu tinha ficado muito debilitada emocionalmente”, contou à Gazeta Esportiva.

Como é de se imaginar, o começo dessa nova fase não foi fácil para Dores. E a solução que ela encontrou foi justamente o esporte.

“Procurei os médicos para tratar e descobri uma associação de deficientes visuais na minha cidade. E aí comecei a interagir com outras pessoas com necessidades especiais e que me falavam para praticar esportes, até porque eu não sabia como agir. Não andava com bengala, tropeçava muito, me machucava. Eu não tinha consciência da deficiência, do tanto que eu enxergava, de como andar e de como descobrir esse mundo diferente. Então eu comecei a nadar, mas não gostei muito. E aí passei a correr, a participar das corridas e me identifiquei. E hoje, já participei de campeonatos Brasil à fora”, relatou.

Muitas competições mesmo. No ano passado, Dores correu a São Silvestre pela 14ª vez, a quinta consecutiva. A mineira destacou o quão prazeroso é disputar a maior e mais tradicional corrida de rua da América Latina, pontuando que “o percurso é o mesmo, mas a emoção é sempre de como se fosse a primeira vez”.

“Eu tenho certeza (que o esporte mudou sua vida). Na relação com a minha família, o equilíbrio e a consciência da minha vida como deficiente visual, algo que eu tinha noção. Até mesmo em como me fazer presentes nos lugares como deficiente. A gente passa por algumas barreiras, que são do ser humano… O ser humano é preconceituoso, é visível. Mas isso fica menos doloroso se a gente souber lidar com as diferenças”, concluiu Dores, que ainda sonha em correr fora do Brasil, em especial em Buenos Aires.

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*Especial para a Gazeta Esportiva