Gazeta Esportiva

Aspirante encontra no ciclismo a chave para superar um infarto

Thiago Trolize* - São Paulo,SP

04/07/17 | 10:10 - 05/07/17 | 10:58

A Prova Ciclística 9 de Julho tem uma conexão muito forte tanto com o esporte quanto com a cidade de São Paulo e assim como a megalópole, o evento reúne diversas histórias. Uma delas, em especial, chama atenção por conta da superação, na 71ª edição da prova. Disputando uma competição de ciclismo pela primeira vez no próximo domingo, o aspirante Rodolfo Navero conta como superou um grave infarto com uma rotina regrada de treinos em cima da bicicleta.

Aos 40 anos, no começo de 2017, Rodolfo passou 10 dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e encontrou no esporte a oportunidade de ter uma vida melhor. Após o episódio do infarto do miocárdio, ele foi apresentado ao ciclismo por um amigo e se apaixonou, chegando ao ponto de se inscrever em uma grande prova de rua.

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Rodolfo retira os kits para a 9 de Julho ao lado do filho Kenzo e da mulher Patrícia (Foto: Marcelo Ferrelli/ Gazeta Press)

"No dia 15 de fevereiro deste ano eu tive um infarto, fiquei 10 dias internado, não era nem para eu estar falando agora. Eu não tinha uma vida regrada, agora posso dizer que o ciclismo me salvou", explica o aspirante, que completa.

"Um colega meu me apresentou o ciclismo. Comecei a pegar gosto. Agora sigo pedalando, e inclusive me inscrevi para a 9 de Julho".

Para chegar ao ponto de se sentir confiante em disputar um longo percurso, Rodolfo dedica pelo menos três horas e mais de 90 km semanais aos guidões e pedais. Ele ainda destaca que tem que conciliar os treinos com o trabalho e com seu "segundo 2 round": brincar com o pequeno Kenzo, de dois anos, e ajudar nas tarefas de casa

"Pedalo de terça e quinta e domingo em torno de 31 km, por volta de 1h10, sempre à noite, após o expediente do serviço. Depois do primeiro treino ainda tenho o segundo: ficar com o filho, ajudar em casa. É o round 2", brinca o competidor.

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Mais do que a própria saúde física, Rodolfo também fala sobre a importância psicológica do ciclismo. Exaltando a "higiene mental" de estar em cima da bicicleta, ele explica que a união é o que torna a modalidade tão diferente de outras, como o futebol, por exemplo.

"Quando eu pedalo, é uma higiene mental, eu simplesmente esqueço tudo. E o Ciclismo... Acho que tem a ver com união. Porque o futebol tem muita briga, aquela rivalidade. No ciclismo não. Mesmo tendo equipes distintas, um ajuda o outro, um está preocupado com o outro", destaca o aspirante.

Frente à sua primeira grande competição, Rodolfo ressalta a ansiedade com a 71ª edição da Prova Ciclística 9 de Julho. E o objetivo do estreante: pelo menos terminar os 45,4 km divididos em duas voltas, no próximo final de semana.

"O importante é terminar. Comecei a pedalar agora. Ainda brinquei e falei que a última vez que eu pedalei eu tinha uns 17 anos, agora eu estou com 40. Comprei uma speedy, comecei a treinar e até me surpreendi. Consegui fazer mais de 30km em 1h, acompanhando o pessoal que treina. O pessoal que me deu uma força foi o pessoal da equipe Velo 48, que me deu espaço, me fez me apaixonar pelo ciclismo", finaliza.

*Especial para a Gazeta Esportiva

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