Atletismo/São Silvestre

Campeã da Pampulha brinca sobre quenianas: “É meio assustador”

Helder Júnior e André Sender - São Paulo, SP - Brasil
30/12/2014 15:31:00

Em: Atletismo, Corrida Internacional de São Silvestre, Mais Esportes

Campeã da última edição da Volta da Pampulha, Joziane da Silva Cardoso se credenciou a quebrar o jejum de títulos do Brasil na prova feminina da São Silvestre. Mas, sempre com um sorriso no rosto ao falar sobre as suas expectativas para este 31 de dezembro, ela mesma reconheceu que será difícil repetir o feito alcançado por Lucélia Peres em 2006.

“Para onde você olha, estão brotando quenianas. É meio assustador”, brincou Joziane, com a experiência de quem deixou as africanas para trás na Pampulha. Curiosamente, o jejum brasileiro na prova mineira também perdurava desde 2006, com outra conquista de Lucélia Peres. “A Pampulha foi fantástica. Cheguei quietinha, vindo de trás, e consegui encostar nas quenianas para ganhar. A São Silvestre é diferente, mas, com uma prova cabeça, as brasileiras podem, sim, subir no pódio.”

Joziane tem pouca vivência na São Silvestre. “Nossa… Já corri, mas vinha mais por ser São Silvestre. Fiquei no 12º lugar uma vez, mas nunca foquei mesmo”, admitiu, embora já conheça bem o percurso e esteja disposta a colocar em prática a mesma estratégia utilizada na Pampulha. “Não vou meter a cara na frente das quenianas porque elas largam muito forte. Não faço isso. O negócio é não deixar abrir e, na subida da Brigadeiro, a gente vê o que faz”, gargalhou.

Joziane da Silva Cardoso já venceu as africanas na Pampulha, mas continua assustada
Joziane da Silva Cardoso já venceu as africanas na Pampulha, mas continua assustada – Credito: Fernando Dantas/Gazeta Press
Para alguns atletas brasileiros, Joziane não deveria ter que ultrapassar tantas africanas na Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Parte deles pleiteava a limitação da participação dos estrangeiros na São Silvestre.

“A prova aceita isso, então ninguém pode protestar. Cada um tem que fazer a sua parte. A partir do momento em que você briga com eles na corrida, as coisas ficam de igual para igual. Vamos parar de reclamar um pouco para tentar chegar junto”, discursou Joziane, lamentando somente a rotatividade dos atletas quenianos no País. “Eles vêm e vão”, sorriu.

Não é apenas com o bom humor que Joziane da Silva Cardoso conta para não se assustar mais com as quenianas. Especialista em corridas de curta distância, ela alternou treinamentos em Campos do Jordão e Nova Santa Bárbara, a sua cidade no Paraná, para surpreender na São Silvestre depois de ganhar a Volta da Pampulha.