Os atletas russos estão liberados para competir “sob sua bandeira nacional”, afirmou a Federação Internacional de Judô (IJF) nesta quinta-feira, ao suspender o status neutro que havia sido imposto após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.
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“O Comitê Executivo da IJF votou, portanto, para permitir que os atletas russos voltem a competir sob sua bandeira nacional, com hino e insígnias, a partir do Grand Slam de Abu Dhabi 2025”, declarou a entidade.
A federação russa reagiu com entusiasmo à “decisão histórica”, já que o judô é um esporte muito próximo ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, que é faixa-preta.
“O judô é um dos esportes favoritos da Rússia; cerca de meio milhão de cidadãos participam regularmente dele”, disse Mikhail Degtyarev, ministro dos Esportes da Rússia, em comunicado publicado no Telegram.
“É importante para nosso país; o judô é um esporte presidencial.”
O chefe da federação nacional também celebrou a reinstalação.
“Estamos felizes que o judô internacional tenha sido o primeiro a tomar essa decisão histórica”, afirmou Sergey Soloveychik, presidente da Federação Russa de Judô.
A IJF afirmou que, tendo anteriormente reintegrado Belarus — amplamente visto como aliado da Rússia —, era lógico que os russos também retornassem.
“Após os desenvolvimentos recentes, incluindo a restauração da representação nacional completa para atletas bielorrussos, a IJF considera apropriado permitir a participação de atletas russos em condições iguais”, disse.
“Historicamente, a Rússia tem sido uma nação líder no judô mundial, e seu retorno completo deve enriquecer a competição em todos os níveis.”
A Rússia esteve praticamente excluída das competições esportivas internacionais desde que invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, com grandes entidades esportivas, incluindo o Comitê Olímpico Internacional (COI), proibindo atletas russos de competir sob sua própria bandeira.
Outras federações
O judô não é a primeira federação esportiva a flexibilizar as restrições aos russos.
A Associação Internacional de Boxe (IBA), que na época era responsável pelo boxe nos Jogos Olímpicos e era dirigida pelo russo Umar Kremlev, havia permitido que boxeadores da Rússia competissem sob sua bandeira nacional e tivessem seu hino executado em eventos organizados pela entidade.
A IJF declarou que os judocas não eram responsáveis pelas ações de seu governo — embora o COI tenha imposto condições rígidas para a participação de russos nos Jogos de Paris, barrando atletas que tivessem feito declarações de apoio ao conflito.
“O esporte é a última ponte que une pessoas e nações em situações de conflito muito difíceis”, afirmou a IJF.
“Os atletas não têm responsabilidade pelas decisões dos governos ou outras instituições nacionais, e é nosso dever proteger o esporte e nossos atletas.”
O Grand Slam de Abu Dhabi deste ano acontece neste fim de semana.