Alison e Bruno venceram todas as adversidades para conquistar o ouro olímpico (Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP)
Devolvendo a medalha de ouro no vôlei de praia ao Brasil após 12 anos, Alison e Bruno mal terminaram de vencer os italianos Nicolai e Lupo e já concederam entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira. Prata em Londres 2012, o Mamute relembrou a campanha de Ricardo e Emanuel em Atenas 2004 e exaltou certa semelhança nos caminhos de ambas as duplas campeãs.
“Me lembro como se fosse ontem (do ouro de Ricardo e Emanuel em Atenas 2004), estava numa academia assistindo os dois. Estava começando minha carreira como jogador de vôlei de praia e não tinha noção do que seria ser um campeão olímpico. Lembro da semifinal com a Suíça e foi muito parecido com a gente contra a Holanda. E o Emanuel também teve uma torção. A final contra a Espanha eles jogaram muito também, tivemos a oportunidade de jogar com a Espanha também nesse torneio. Acho que nossa campanha foi muito semelhante”, colocou o gigante brasileiro.
“Um torneio longo como as Olimpíadas, que você joga de 48 em 48 horas. Isso não é normal para o vôlei de praia. Fizemos uma estreia boa contra o Canadá e depois perdemos pra Áustria, o que foi um susto. Mas tivemos muita humildade em aprender com nossos erros”, completou Alison.
Para o bloqueador, a calma durante a disputa da semifinal foi essencial para a vitória. “Na minha opinião todos os jogos são difíceis, mas o da semifinal foi muito difícil. Com 20 a 18 no placar, o adversário vai pro saque e me bloqueia duas vezes. Se a gente não tivesse toda uma estrutura psicológica por trás a gente não teria vencido o tiebreak. Estávamos focado e com muita humildade pra vencer”, colocou Alison.
Logo no começo da competição, Alison sofreu uma torção no tornozelo e preocupou os fãs brasileiros, mas conseguiu se recuperar e garantir o título. "Os médicos falaram em colocar botinha, mas eu fui sem nada, jogaria sem braço, sem pé, de qualquer jeito. Sabia do potencial do meu time e todos os nossos cruzamentos foram fortes depois disso, mas acho que quando eles viram o cruzamento eles que assustaram”, afirmou o jogador.
Mesmo com o título, contudo, não faltaram apontamentos dos atletas para a competição. “Esse horário pra mim não combina com vôlei de praia. Agora que acabou o evento eu posso falar. Vôlei de praia combina com sol. Mas não cabe a gente decidir sobre isso, precisávamos jogar. Particularmente não concordo, de certa forma tira um pouco do brilho do evento”, pontuou Bruno sobre as partidas tarde da noite.
Sobrinho da lenda do basquete Oscar Schimidt, Bruno também comentou sobre o peso do sobrenome. “É uma honra. Ele apareceu lá pra dar um abraço e foi bem bacana. Sem dúvida é uma inspiração pra todo mundo. A garra que ele tinha em quadra, não é ídolo só pra mim não. Tenho isso no sangue da família”, colocou.
Durante a coletiva, Alison interrompeu as perguntas para presentear o técnico da dupla, Leandro"Brachola", com uma réplica da medalha de ouro. "Ele que acreditou e revelou o Alison, ele que acreditou no Bruno. Nada mais justo que ele receber essa réplica", falou o mamute. O presente ao técnico chegou no dia da semifinal contra a Holanda, antes do resultado final dos Jogos. "Deu tudo certo. Foi uma pressão a mais para ganhar o ouro". completou.
.@AlisoneBruno dão ao técnico "Brachola" réplica da medalha de ouro - técnicos não ganham medalha. #EuSouTimeBrasil pic.twitter.com/ZQblQcPE69
— Time Brasil (@timebrasil) August 19, 2016