Por Murilo Gomes
O empate por 1 a 1 entre São Paulo e Botafogo, neste sábado, no Morumbis, deixou um sentimento ambíguo para o torcedor tricolor. Se por um lado a equipe apresentou evolução em relação aos jogos anteriores, especialmente no funcionamento ofensivo e no controle do primeiro tempo, por outro repetiu um roteiro que já começa a virar padrão nesta reta inicial de trabalho de Dorival Júnior: queda de intensidade, dificuldade para sustentar vantagem e castigo nos minutos finais.
O resultado ampliou para oito jogos a sequência sem vitórias do clube paulista, agora com quatro empates e quatro derrotas no período. E, apesar de alguns sinais positivos, as vaias ao apito final mostraram que o torcedor anda sem paciência com um time que até compete mais, mas continua incapaz de transformar superioridade em resultado.
Fim de jogo: #SPFCxBOT (1-1) ⁰⁰⚽ Luciano #VamosSãoPaulo 🇾🇪 pic.twitter.com/MwUDjEzu9R
— São Paulo FC (@SaoPauloFC) May 23, 2026
Um São Paulo mais leve e agressivo
Mesmo com o gramado pesado pela chuva, o São Paulo conseguiu construir um primeiro tempo tecnicamente interessante. A equipe trocou passes com velocidade, ocupou o campo ofensivo e pressionou o Botafogo desde os minutos iniciais. O gol logo aos três minutos nasceu justamente dessa dinâmica: Artur acelerou pelo meio, tabelou com Luciano e arriscou de fora da área. Neto falhou no rebote e Luciano apareceu como centroavante para completar.
A vantagem precoce deixou o jogo confortável para o Tricolor. Wendell teve liberdade para atacar o lado esquerdo, Danielzinho participou bastante da construção e Artur viveu talvez sua atuação mais participativa desde a chegada de Dorival. O São Paulo conseguia recuperar rapidamente a posse após perder a bola e encurralava o Botafogo perto da própria área.
O problema foi transformar domínio em eficiência. Alan Franco teve chance clara de cabeça, Calleri assustou em finalização colocada e Ferreira desperdiçou boa oportunidade no segundo tempo. O volume existia, mas o segundo gol nunca chegou.
Lesões mudam o cenário
O controle do São Paulo também começou a diminuir conforme os problemas físicos apareceram. Luciano sentiu dores na panturrilha ainda na comemoração do gol e precisou sair aos 20 minutos. Pouco depois, Sabino também deixou o campo lesionado.
As substituições mexeram diretamente na estrutura da equipe. Pedro Ferreira trouxe velocidade, mas o time perdeu capacidade de retenção no último terço. Já a entrada de Osório mudou o comportamento defensivo da linha de zaga, que passou a sofrer mais com cruzamentos e bolas longas.
O Botafogo percebeu isso rapidamente.
Queda de produção expõe fragilidade emocional
Se no primeiro tempo o time carioca parecia desconectado ofensivamente, no segundo a postura mudou. Franclim Carvalho adiantou o time, passou a explorar mais os lados do campo e encontrou dificuldades do São Paulo na proteção da área.
O Botafogo começou a empilhar cruzamentos, explorar segundas bolas e pressionar emocionalmente um São Paulo que, mais uma vez, demonstrou insegurança para sustentar resultado. Os dois gols anulados por impedimento já serviam como aviso do que estava por vir.
Mesmo assim, o Tricolor ainda teve a chance de matar o jogo no contra-ataque. Aos 33 minutos, Calleri encontrou Tapia livre dentro da área, mas o atacante finalizou para fora.
O erro custou caro.
O empate que simboliza o momento
O gol de Barrera, aos 44 minutos do segundo tempo, resumiu perfeitamente o atual momento são-paulino. O Botafogo insistiu em bolas aéreas até encontrar espaço. Após novo escanteio, Rafael afastou parcialmente e a sobra ficou limpa para o meia acertar um chute de primeira no ângulo.
Foi um golaço, mas também consequência direta de um São Paulo que recuou demais, perdeu o controle emocional da partida e passou a sobreviver perto da própria área.
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Dorival ainda mostra sinais de evolução coletiva em comparação ao time visto antes de sua chegada. O São Paulo parece mais organizado ofensivamente, mais agressivo sem a bola e mais confortável na construção. Mas segue apresentando velhos problemas: baixa efetividade, queda física e dificuldade para administrar vantagem.
O empate no Morumbis talvez tenha sido o retrato mais claro até agora desse início de reconstrução. Há evolução. Mas ela ainda está longe de ser suficiente para transformar desempenho em vitória.