Roger não pensa em entregar cargo, mas desabafa sobre vaias no São Paulo: "Tristeza maior que resultados"

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(Fotos: Rubens Chiri e Paulo Pinto / São Paulo FC)

O técnico Roger Machado foi sincero sobre o ambiente de pressão vivido na noite desta terça-feira mesmo com a vitória do São Paulo sobre o Juventude, por 1 a 0, no jogo de ida da quinta fase da Copa do Brasil. O treinador foi alvo de vaias e xingamentos por parte da torcida e deixou o campo chateado não só com o placar magro, mas com o cenário hostil do Morumbis.

"É importante diferenciar o ambiente interno das pressões externas. O ambiente interno é muito saudável, preservamos nosso momento de trabalho e todo mundo está muito envolvido para que as coisas deem certo. Obviamente que o contexto externo, toda a questão de pressão do treinador, acaba de uma certa forma impactando os atletas. No jogo da Sul-Americana, além das orientações táticas, pedi para eles ficarem mais calmos, porque eles estavam ansiosos pelo ambiente externo de oposição ao treinador. Isso é ruim para o trabalho e para o São Paulo. Mas são 33 anos nesse lugar. Em outras vezes, também fui pressionado. Em alguns momentos passou, em outros não. Eu sigo forte, confiando no trabalho e acreditando na reversão desse cenário", desabafou o treinador.

Ainda durante o jogo, quando o São Paulo estava com um jogador a mais e não conseguia criar para ampliar a vantagem, Roger Machado foi alvo de gritos como "Ei, Roger, vai tomar no **". O treinador ainda foi chamado de "burro" por torcedores por volta dos 35 minutos do segundo tempo, quando tirou Luciano e colocou André Silva. Ele ainda foi muito vaiado na descida para os vestiários.

Apesar disso, Roger destacou o respaldo interno da presidência e afirmou que, mesmo diante de tamanha pressão, não pensa em entregar o cargo.

"A gente sempre se questiona, mas o que eu daria como exemplo para as minhas duas filhas nesse momento de maior dificuldades ou de pressão, que em alguns momentos me parece um pouco injusto, se eu desistisse? Não vou desistir. Sigo trabalhando firme até o presidente e o Rui entenderam que seja positivo [uma mudança]. É claro e evidente que esse ambiente de pressão ao treinador acaba por contaminar principalmente o jogo, com jogadores mais ansiosos. Não foi um, dois jogadores, foram todos ao fim do jogo que vieram me abraçar e pedir que eu seguisse firme. Porque vamos colher coisas boas aqui. Agora, até quando, esse cargo não é meu. Até quando entenderem que seja necessário, possível. Sinto nesse momento que o presidente, o Rui e o Rafinha confiam muito no trabalho", disse.

O comandante também lamentou o placar magro contra o Juventude. O São Paulo criou ao menos duas oportunidades claras para ampliar a vantagem, e ainda teve um pênalti desperdiçado por Calleri na reta final do jogo.

"Foi um jogo que construímos o suficiente para ter um placar maior. Trave salvou duas vezes, o goleiro outras três, no final um pênalti perdido. Claro que o placar é mínimo e poderia ser maior. Para mim, hoje, a frustração é outra. Minha tristeza hoje é maior que os resultados e a partida", avaliou.

Roger quer entender motivo das vaias acintosas

Esta não foi a primeira vez que Roger Machado foi vaiado pela torcida do São Paulo. O técnico encontrou resistência da torcida desde a chegada ao clube para substituir Hernán Crespo, que vinha de uma série positiva no comando da equipe, mas acabou demitido. Ele revelou não entender o motivo dos protestos tão acintosos, mas acredita estar sendo julgado por muito mais do que apenas os resultados.

"Não consigo te dar [explicação]. Gostaria de ouvir do torcedor, porque essa manifestação com tanto peso. Não veio só em função dos resultados ou de atuações ruins, foi anterior a minha chegada e só aumentou nesses 40 dias. Embora vencendo, poderíamos ter vencido de muito mais, criamos muito, saímos decepcionados pelo placar mínimo, mas pela frustração de não ter feito mais gols e ter definido a classificação. Mas hoje o sentimento é que tenho de muita tristeza", afirmou.

"Gostaria de compreender, porque tenho certeza que estou sendo julgado muito mais do que pelo resultado, mais pelo contexto do clube, e aí fica pesado. Isso tudo atrapalha o rendimento. Mas tenho confiança na reversão. Eu sinceramente nunca vi, mas como acredito na força do trabalho, penso que em algum momento isso vai passar", concluiu.

Situação do confronto

Com o resultado, o São Paulo leva a vantagem mínima para a partida de volta no Rio Grande do Sul e se garante na próxima fase com um empate. Em caso de derrota por um gol de diferença e um consequente empate no agregado, a decisão de quem vai às oitavas de final será nas penalidades máximas.

O duelo de volta entre as equipes está agendado para o próximo dia 13 de maio (quarta-feira), às 19h (de Brasília), no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS).

Próximos jogos do São Paulo

São Paulo x Mirassol (13ª rodada do Campeonato Brasileiro)
Data e horário: 25/04 (sábado), às 21h (de Brasília)
Local: Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas (SP)

Millonarios-COL x São Paulo (terceira rodada da Copa Sul-Americana)
Data e horário: 28/04 (terça-feira), às 21h30 (de Brasília)
Local: Estádio Nemesio Camacho El Campín, em Bogotá (Colômbia)

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