A gestão do presidente Harry Massis Júnior completou um mês na última segunda-feira (16), quando Julio Casares foi afastado do cargo em votação de impeachment aprovada pelo Conselho Deliberativo. Dias depois, Massis seria confirmado como presidente até o final do ano com a renúncia de Casares. No período, o São Paulo passou por mudanças, renovações e recuperou a tão desejada estabilidade, tanto dentro como fora de campo. Abaixo, a Gazeta Esportiva relembra como foi o primeiro mês de administração do novo mandatário.
Reorganização de setores
Massis começou uma 'limpa' em alguns setores do São Paulo. As primeiras demissões vieram horas após a renúncia de Julio Casares. Marcio Carlomagno, que exercia a função de superintendente geral e era aliado do ex-presidente, foi desligado do cargo. O mesmo aconteceu com Antônio Donizete Gonçalves, conhecido como Dedé, que chegou a um acordo para a saída da diretoria social do clube.
O novo presidente também entende que Mara Casares (diretora feminina, cultural e de eventos) e Douglas Schwartzmann (diretor adjunto da base), que estão oficialmente de licença de seus respectivos cargos, já não fazem mais parte da diretoria. Os dois respondem a um processo interno e são investigados pelas autoridades por terem participado, supostamente, se um esquema ilegal de vendas de ingressos para shows em um camarote no Morumbis.
(Foto: Reprodução / São Paulo)
Outra saída notória na gestão de Massis foi a de Muricy Ramalho do cargo de coordenador técnico, que ocupava há cinco anos. Esta, porém, não foi uma decisão do presidente, e sim do eterno ídolo tricolor, que entendeu que não teria mais condições de entregar 100% de si ao clube. "A intensidade que o cargo exige e que a grandeza deste clube merece é incompatível com o que posso oferecer neste momento", escreveu em nota.
Por fim, mais nomes que deixaram o clube foram José Eduardo Martins (diretor de comunicação) e Christina Massis, filha do atual presidente, que exercia função na diretoria feminina do São Paulo.
'Novas' chegadas
Para repor as saídas, Massis, é claro, começou a trazer novos profissionais. Rafinha foi a chegada mais 'badalada' da janela de transferências interna do São Paulo. O ex-capitão são-paulino foi contratado para o cargo de gerente esportivo, com o objetivo de ser o elo entre comissão técnica, jogadores e diretoria. Neste meio tempo, foi peça importante em negociações, como na de Cauly, e ajudou a trazer paz para o ambiente interno do clube.
Em meio às mudanças, quem ganhou protagonismo foi Rui Costa. Com o caos político, o iminente impeachment e a posterior renúncia de Julio Casares, o executivo de futebol tocou o mercado da bola sozinho enquanto Massis ainda se ambientava, antes da chegada de Rafinha.
Na comunicação, quem assumiu a posição de José Eduardo Martins foi Felipe Espíndola, assessor de imprensa do São Paulo há mais de 20 anos. Neste período, o São Paulo inaugurou uma nova identidade visual para 2026 e, com o aval do técnico Hernán Crespo, passou a divulgar as escalações na formação tática, atendendo a um antigo pedido da torcida e da imprensa.
Já para a diretoria social, quem assumiu foi Toninho Andrade. A base são-paulina também passou por mudanças, com o retorno de Marcos Biasotto, que estava departamento de futebol profissional e voltou à Cotia.
O novo camisa 8️⃣0️⃣ do Tricolor!
Bem-vindo, Cauly! #VamosSãoPaulo 🇾🇪 pic.twitter.com/MDJTWb6NoL
— São Paulo FC (@SaoPauloFC) February 18, 2026
Reunião e acordo com atletas
Em seus primeiros dias como presidente do São Paulo, Massis foi ao CT da Barra Funda para ter uma conversa franca com os atletas. O presidente quis conhecer melhor os jogadores e se reuniu com líderes do elenco, como Rafael e Calleri, para entender as necessidades do elenco e as preocupações internas, uma vez que o clube figurava nas páginas policiais.
Massis ficou sabendo dos direitos de imagem atrasados, que já eram tratados como o padrão na gestão anterior. Alguns atletas tinham valores com atraso em até três meses. Solucionar a questão foi uma das prioridades do novo presidente. Nos últimos dias, a diretoria tem alinhado um acordo para resolver as pendências com o grupo, parcelando-as em dez vezes. Uma das metas, inclusive, é fazer com que tais atrasos não aconteçam mais.
São Paulo como vítima em investigações
Uma das primeiras atitudes de Massis como presidente do São Paulo foi colocar o clube como vítima nas investigações da Polícia Civil, que apura possíveis desvios de dinheiro dos cofres do Tricolor. O inquérito foi instaurado e tem sido tocado pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), em segredo de Justiça.
O novo mandatário tricolor também prometeu cooperar com as investigações da Polícia Civil. Massis colocou o São Paulo à disposição das autoridades e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para fornecer todo e qualquer documento necessário para as apurações.
Longe da política
Massis também cumpriu com o que disse em seus primeiros dias como presidente e se manteve longe da política. O presidente já explicitou que não tem o desejo de se candidatar à presidência do São Paulo quando seu mandato se encerrar no final do ano.
Reforços e renovações
Na gestão de Massis, o São Paulo anunciou a contratação de Cauly, que chegou por empréstimo até o final do ano, junto ao Bahia, com obrigação de compra ao final do vínculo em caso de cumprimento de metas. Além disso, o Tricolor também conseguiu antecipar a chegada de Lucas Ramon, que havia assinado um pré-contrato com o Tricolor e não vinha sendo sequer relacionado no Mirassol.
O São Paulo também prepara uma leva de renovações, que podem ser anunciadas em breve. Luciano, Marcos Antônio, Sabino e Negrucci estão em vias de renovar com o Tricolor paulista. O caso mais avançado é o do camisa 10, que está muito próximo de selar a permanência até o final de 2028.
Estabilidade em campo
A estabilidade conferida pelo primeiro mês de Massis na administração do São Paulo se refletiu em campo. Depois de um período de grande pressão em cima de Hernán Crespo com a possibilidade de queda no Paulista, o Tricolor se recuperou e, hoje, defende uma invencibilidade de seis jogos, com cinco vitórias e um empate. Essa é a maior série invicta do time na segunda passagem do treinador.
Além disso, o São Paulo ocupa a vice-liderança do Campeonato Brasileiro e conseguiu se classificar às quartas de final do Campeonato Paulista. O time são-paulino irá enfrentar o Red Bull Bragantino, fora de casa, em busca de uma vaga na próxima fase. O duelo está agendado para este sábado, às 18h30 (de Brasília), no Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista (SP).