Rafinha foi devidamente apresentado como novo gerente esportivo do São Paulo na tarde desta terça-feira em coletiva no SuperCT. O profissional chegou ao clube sem duração de contrato definida, mas deixou claro que não veio para substituir Muricy Ramalho, que pediu demissão do cargo de coordenador de futebol na última sexta-feira. Ele celebrou o acerto e explicou o porquê aceitou o convite em meio à crise vivida pelo clube.
"Eu estava bem tranquilo na minha casa, mas nunca deixei de acompanhar o São Paulo. Todo mundo sabe que sou são-paulino. É uma confusão boa. Fiz isso minha vida toda, gosto de viver esse ambiente, e não poderia deixar de estar aqui, de viver esse momento difícil, que é para pessoas grandes. Estava muito confortável em casa, podendo fazer muitas coisas, mas não era isso que eu queria. Nasci dentro do campo, vivi a vida toda assim, então acho que esse é um momento em que tenho que estar aqui", justificou Rafinha.
O novo gerente esportivo chega ao São Paulo em um momento delicado. Ex-dirigentes do clube estão sendo alvos de investigações da Polícia Civil por suposto desvio de dinheiro em vendas de atletas, além de um possível esquema de venda ilegal de ingressos para shows de um camarote no Morumbis. Além disso, a situação dentro de campo também preocupa, com o Tricolor ameaçado de rebaixamento no Campeonato Paulista.
"Minha vida foi totalmente vivida por meio de desafios. Sabendo do momento do clube, isso que me motivou a vir para cá. Essa é a hora que precisamos aparecer. Quem é grande gosta de aparecer, de coisas grandes. Como falei ontem, é uma convocação. Estou aqui para trabalhar num clube que tenho muito carinho. Sei bem do momento que o clube vive, mas se tratando se São Paulo, temos que olhar para frente. Não é por causa dos problemas extracampo que o São Paulo deixou de ser um clube grande. Escolhi estar aqui sabendo de tudo que está acontecendo. Não existe tempestade eterna, assim como não existe fase boa eterna. Acho que é o momento certo de estar aqui. Tenho o apoio de todos e estou muito feliz de estar aqui", afirmou o novo profissional do clube.
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Função no São Paulo
Rafinha também explicou quais serão suas atribuições como novo gerente esportivo do São Paulo. Ele explicou que será o principal responsável por fazer a 'ponte' entre jogadores e diretoria, mas também pode ter voz ativa nos bastidores em contratações, caso seja requerido por Rui Costa, executivo de futebol, e o presidente Harry Massis.
"Essa questão é simples. Vou fazer essa função, esse elo entre diretoria, jogadores e comissão técnica, que acho que o momento é o que o São Paulo mais precisa no momento. A prioridade do clube é o futebol, e minha função é fazer essa blindagem aqui no CT da Barra Funda para o futebol. Como estarei nessa função, normalmemte, vou estar participando dessas situações [de contratações], mas minha função no momento é o futebol, o que sei de fazer melhor, blindar o CT. Tudo que tiver, acredito que vou ser consultado, tenho essa experiência. No que eu puder ajudar, tenho certeza queo Rui [Costa] e o presidente Massis vão me consultar sim, para que minha opinião seja sim levada em consideração", comentou.
Confiança na diretoria
Rafinha ainda enfatizou que não teria vindo do São Paulo se não confiasse nas pessoas que comandam o clube atualmente. Neste momento, o organograma no clube funciona da seguinte maneira: o presidente Harry Massis, o executivo Rui Costa, o gerente esportivo Rafinha e um supervisor de futebol, que ainda deve chegar.
Ele ainda pediu paciência ao torcedor são-paulino e disse que todos os processos acontecerão com transparência a partir de sua chegada.
"Vim porque confio nas pessoas que estão aqui, diretoria, funcionários, jogadores. Entendo o torcedor, tem todo o direito de acreditar ou não. Coloquei minha cara aqui porque confio nos que aqui estão, sei com quem estou lidando. Tenho certeza que o torcedor lembra do Rafinha no campo, mas sempre passei muita transparência. Nunca tive um arranhão na minha imagem. Se estou colocado meu rosto aqui, é porque sei o que acontece. Peço que o torcedor entenda esse momento", pediu o ex-jogador.
"Sem o torcedor, o São Paulo não anda. Vivi como jogador e viverei como gerente. Essa desconfiança vai existir, não é da noite para o dia que vamos tirar. Não sou salvador da pátria, nem poder para isso eu tenho. Vim ajudar. Estou colocando aqui porque confio e acredito. Sinceridade, lealdade e transparência com o torcedor. Ninguém vai esconder nada e ninguém faz isso aqui. Tudo que for para ser transmitido ao torcedor, vou levar e deixar bem claro no que estiver ao meu alcance. Hoje, começa uma nova etapa no São Paulo", concluiu.
(Foto: Thais Bueno/Gazeta Press)
Carreira de Rafinha
Essa será a primeira experiência de Rafinha como profissional de uma diretoria de futebol. O ex-lateral se aposentou dos gramados recentemente e vinha atuando como comentarista, mas defendeu grandes clubes ao longo da carreira, como Coritiba, Genoa, Bayern de Munique, Schalke 04, Flamengo, Olympiacos, Grêmio e São Paulo.
A passagem de Rafinha pelo São Paulo foi marcada pela liderança e pelos títulos. O ex-lateral foi o capitão da equipe nas conquistas da Copa do Brasil, em 2023, e da Supercopa do Brasil, em 2024. Ele defendeu as cores do clube entre 2022 e 2024, quando decidiu voltar ao Coritiba e encerrar a carreira no clube que o revelou.
Em 117 jogos pelo São Paulo, Rafinha marcou um gol e distribuiu cinco assistências. Agora, ele volta ao clube para ajudar a arrumar a casa e exercer uma nova função, desta vez fora de campo.