Zeca alega atrasos e aciona a justiça para deixar o Santos imediatamente

Tiago Salazar e Vitor Anjos - Santos,SP

26-10-2017 22:52:06

Zeca não deve mais jogar pelo Santos. Na tarde da última quarta-feira, por meio de seu advogado, o lateral esquerdo entrou com pedido de rescisão contratual na Justiça do Trabalho alegando falta de pagamentos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) de 2014 e 2015, e usou também as agressões sofridas no aeroporto de Congonhas, na última sexta, para reforçar seu plano de sair do clube imediatamente. O pedido de liminar foi negado e uma audiência está marcada para abril do ano que vem.

Após a folga dupla do elenco, Zeca não apareceu para treinar na última quarta com o argumento de que precisava resolver questões particulares no Paraná, sua terra natal. Porém, o camisa 37 também faltou nesta quinta e não deu justificativas.

Durante a tarde, a Gazeta Esportiva entrou em contato com o presidente Modesto Roma Júnior, que se mostrou surpreso e garantiu que não sabia de nada. Há pouco, durante a noite, a história mudou. O clube foi notificado oficialmente e o mandatário confirmou os fatos.

Também procurada pela reportagem, a assessoria do jogador, que manteve contato com a OTB, empresa que gerencia a carreira do lateral, emitiu um comunicado oficial (veja abaixo, na íntegra) já no início da madrugada dessa sexta, em que admite a decisão de Zeca em procurar a Justiça para se desligar do Santos principalmente por causa da agressão física que o atleta sofrera e pelas constantes ameaças via redes sociais.

Internamente, os santistas estão 'tranquilos', pois acreditam que o lateral não deve ter êxito com a ação na Justiça por falta de embasamento. Segundo os dirigentes, desde que o Peixe aderiu ao Profut (Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro), os depósitos do FGTS começaram a ser parcelados e os pagamentos deixaram de acontecer de forma individualizada. Sendo assim, o lateral receberia a quantia assim que deixasse o Peixe. O clube acredita que a ação será julgada improcedente.

Se o lateral não se reapresentar nos próximos dias, o Peixe pode solicitar a rescisão indireta do contrato por justa causa. Mesmo assim, os santistas já não contam mais com o futebol do camisa 37.

Zeca foi revelado pelas categorias de base do Peixe em 2014, já fez 141 jogos pela equipe profissional, marcou quatro gols e tem contrato com vencimento em dezembro de 2020. A multa rescisória é de 50 milhões de euros.

O clima entre Zeca e a torcida santista já era dos piores. Tudo porque o jogador acabou fazendo uma postagem em uma rede social em que rebatia os críticos. Após o empate com o Sport na Ilha do Retiro, a Vila Belmiro foi pichada em protesto que teve Zeca como um dos principais alvos. E, no retorno da delegação alvinegra a São Paulo depois no jogo no Recife, o lateral acabou levando um tapa no aeroporto.

Confira a nota oficial divulgada pela assessoria de Zeca:

Não é de hoje que Zeca vem atuando pelo Santos sem que o clube cumpra com o que lhe foi prometido. Pela lei, há um mês o jogador já poderia ter deixado de participar das partidas, mas isso jamais passou pela sua cabeça, mesmo quando se iniciou a perseguição por parte da torcida contra ele. Seus colegas de grupo e comandantes da comissão técnica são testemunhas do comprometimento, seriedade e dedicação do atleta, sempre disposto a ajudar e contribuir no objetivo comum de trazer alegrias à torcida.

Apesar de os compromissos do Santos estarem em atraso, Zeca sempre cumpriu, e vem cumprindo, fielmente, todas as suas obrigações. Relembrando que, pela lei, repita-se, ele já poderia ter se recusado a competir há algum tempo.

Ultimamente, porém, a situação se tornou insustentável. Até o presente momento, Zeca vinha aguentando xingamentos e pressões externas, fatos que, infelizmente, acontecem com muitos jogadores de futebol. Nos últimos dias, entretanto, a situação se agravou e ele passou a ser constantemente ameaçado em suas redes sociais, chegando ao cúmulo de ter sido, covardemente, agredido fisicamente no retorno da delegação de Recife a São Paulo, após ao jogo contra o Sport. As imagens e os relatos falam por si só e estão disponíveis para quem quiser ver.

Zeca sabe que escolheu uma profissão sujeita à pressão, contudo, tudo tem limite e o dele foi atingido. Para se ter ideia, ao ver as imagens da agressão pela televisão, sua mãe ligou chorando, temendo pela saúde do filho. Antes de analisar o jogador de futebol, é preciso enxergar o lado do ser humano. E ninguém tem tranquilidade para trabalhar com as ameaças que o atleta vem sofrendo diariamente.

Hoje, o jogador teme por sua integridade física, não está com cabeça para treinar e, por isso, viajou ao interior para amparar sua mãe e familiares, que se encontram extremamente abalados com a situação.

Sendo assim, Zeca resolveu procurar seus direitos na Justiça e está seguro de sua decisão.

O jogador deixa um forte abraço aos irmãos do elenco santista (sua segunda família), aos comandantes da comissão técnica e aos torcedores que incentivam quando têm que incentivar, cobram quando têm que cobrar, vaiam quando entendem que o atleta merece, mas não partem para agressões covardes e ameaças repugnantes.

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