MPF processa Santos e Unisanta por empréstimos na gestão M. Teixeira

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O Ministério Público Federal entrou com uma ação civil e solicitou, liminarmente, o bloqueio de bens do ex-presidente Marcelo Teixeira, de Lúcia Maria Teixeira Furlani, irmã de Marcelo e representante da Universidade Santa Cecília (Unisanta), além do Santos, como pessoa jurídica. O MPF enxerga atos de improbidade administrativa nos empréstimos feitos ao clube entre maio de 2008 e dezembro de 2009, no valor de R$ 25,5 milhões.

Na época, além de mandatário santista, Marcelo Teixeira era pró-reitor administrativo da Unisanta e foi o responsável pela assinatura dos contratos, juntamente com Lúcia Maria, diz a nota oficial do MPF. E o grande agravante é que as transações contrariam a finalidade do Instituto Superior de Educação Santa Cecília (Isesc), que, no mesmo período, detinha o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), então concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS).

Os empréstimos foram feitos em 13 parcelas. Porém, o instituto só poderia direcionar sua verba unicamente para ações assistenciais gratuitas, já que tinha o direito a isenções fiscais por isso.

“A entidade, ao conceder empréstimo a outra empresa privada com finalidade diversa daquela apresentada no requerimento do Cebas, age com clara ilegalidade e ofensa a sua natureza assistencial, configurando, na prática, a obtenção do certificado como um meio de se burlar o fisco e se eximir da obrigação de pagamento das contribuições sociais de seus empregados e trabalhadores”, escreveu o procurador da República, Thiago Lacerda Nobre, autor da ação. “Responde ainda o Santos Futebol Clube como pessoa jurídica que obteve vantagem econômica diante das operações financeiras”, esclarece.

Marcelo Teixeira cometeu atos de improbidade administrativa durante sua gestão no Santos

Marcelo Teixeira cometeu atos de improbidade administrativa durante sua gestão no Santos - Credito: Divulgação

Ainda como explica a nota oficial do Ministério Público Federal, a concessão do certificado levava em conta apenas a documentação enviada pelas instituições de ensino, sem auditoria financeira, fiscal e contábil que comprovasse o cumprimento dos requisitos. Devido à inviabilidade de fiscalização, a responsabilidade pela emissão do Cebas passou para o Ministério da Educação. Questionado pelo MPF, o MEC informou que o pedido de renovação do certificado do Isesc foi rejeitado em 2011.

Com isso, o MPF solicitou a indisponibilidade de bens de todos os envolvidos no caso. A ação civil pode condenar Marcelo Teixeira, Lucia Maria, Unisanta e Santos ao pagamento de multas e ao ressarcimento dos danos aos cofres públicos. Ao final do processo, o MPF quer ainda que a Justiça determine, além do ressarcimento e das multas, a suspensão dos direitos políticos de Marcelo Teixeira e Lúcia Maria por oito anos e a proibição dos envolvidos de receberem benefícios ou incentivos fiscais por cinco anos.

A Santa Cecília enviou uma nota de esclarecimento sobre o caso. "A Universidade Santa Cecília e seu corpo diretivo esclarecem que não foram comunicados oficialmente a respeito. Tomaram conhecimento apenas pela imprensa sobre iniciativa do Ministério Público Federal. Desconhecem portanto, os termos das alegações contidas. Sempre agiram em conformidade com a legislação vigente. Por nossa assessoria jurídica, em foro próprio, demonstrarão a legalidade dos atos. Sabedores de nossa responsabilidade e relevância social perante a comunidade, estaremos sempre em compasso com a sociedade e autoridades para prestar os esclarecimentos necessários, não admitindo, entretanto, alegações que visam inibir e desmerecer todo o trabalho até então desenvolvido pela Instituição e pela Família Teixeira".

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