Vice-campeão e vice-artilheiro do Campeonato Paulista em 2010, Rodriguinho está de volta ao Santo André para a disputa do estadual que o consagrou. Nos últimos quatro anos, no entanto, algumas coisas mudaram: agora o Ramalhão disputa a Série A2 da competição.
Após a medalha de prata e os 15 gols anotados naquele ano – perdendo a artilharia apenas para Ricardo Bueno, do Oeste, com 16 –, o atacante trocou o ABC Paulista pelo Rio de Janeiro, assinando com o Fluminense. Depois de um bom início nas Laranjeiras, o jogador logo foi parar na reserva do time que viria a ser campeão brasileiro naquela temporada. Como consequência da queda de rendimento, acertou um vínculo de empréstimo com o Atlético-PR em julho de 2011. Ao contrário do desfecho festivo do ano anterior, a temporada no Furacão foi encerrada com rebaixamento para a Segundona.
Assim, surgiu um novo empréstimo em sua carreira, dessa vez para a Portuguesa, que acabara de levantar a taça da Série B e carregava o apelido de “Barcelusa”. Entretanto, 2012 foi o ano em que a maré de azar da Lusa teve início. Naquela temporada, o clube escapou do rebaixamento por um triz, terminando o Campeonato na 16ª posição. Para sua sorte, Rodriguinho trocou o Canindé pela Ressacada no começo de 2013 – ou seja, o atacante não vivenciou as duas quedas consecutivas da Portuguesa no Brasileirão.
Após quatro anos frustrantes longe do Bruno José Daniel, Rodriguinho está de volta ao clube - Credito: Divulgação
A passagem pelo Avaí não foi boa, e o atleta foi dispensado logo ao fim do Campeonato Catarinense. Em maio, foi enfim negociado pelo Fluminense para o Jeju United, da Coreia do Sul. Experiência exótica, mas novamente frustrante para o ídolo do Santo André, que ficou no país asiático por apenas três meses antes de assinar com o Linense. Um semestre depois, finalmente acertou seu retorno ao Ramalhão, onde foi recebido com status de craque e conquistou a Copa Paulista de 2014, além da artilharia do torneio com 10 gols.
Depois de tanta frustração, Rodriguinho conversou com a Gazeta Esportiva.Net sobre o seu reencontro com o Campeonato Paulista, competição que projetou sua carreira à nível nacional – e sul-coreano. Na entrevista, o atacante comemorou o retorno ao clube que chama de “casa”, comentou seus objetivos na Série A2, revelou detalhes da curta (mas indigesta) passagem pelo Jeju United e falou sobre o futuro que vem traçando para si mesmo – e que garante estar ligado ao Santo André. Além disso, avaliou o time do Água Santa, adversário da estreia – marcada para este sábado, dia 31, às 16 horas (de Brasília), no Distrital do Inamar, em Diadema – e rival da região metropolitana de São Paulo.
Gazeta Esportiva.Net: Qual é o seu sentimento por voltar a disputar o Paulista com o Santo André após quatro anos longe do clube?
Rodriguinho: O sentimento é de muito carinho, porque o Santo André foi o clube que me deu projeção no cenário do futebol, que me deu as primeiras oportunidades de crescer. É a minha casa. Por isso, posso dizer que é um momento especial para mim. Não que os outros times que passei não tenham me marcado, mas o Santo André me projetou. Foi muito especial disputar o Paulista pelo clube quando a gente estava na Série A-1, e agora na segunda divisão não vai ser diferente. Quero levar o clube para o lugar de onde nunca devia ter saído.
GE.Net: Assim como o clube que foi vice-campeão, você foi vice-artilheiro do Paulista de 2010 com 15 gols, certo? Na sua opinião, o que faltou para o Santo André levar aquele título?
Rodriguinho: Eu acho que não era pra ser. Foram dois placares iguais na final (3 a 2 para os dois lados, com o Santos levando vantagem pela melhor campanha na fase de pontos corridos), e o gol extra que a gente precisava não quis entrar. Acho que o título já era deles mesmo, era para ser daquele time do Neymar. Acredito que jogamos melhor que eles nos dois jogos, mas o futebol tem dessas coisas.
GE.Net: E nesse ano, na A2, você quer a artilharia também?
Rodriguinho: Olha, não deixa de ser um objetivo, mas antes de mais nada o meu objetivo é ver o clube voltar pra Série A-1, de onde nunca devia ter saído. É claro que os gols são importantes para esse objetivo, sou um atacante e vivo deles, mas o foco precisa ser o coletivo. Estou trabalhando firme no dia a dia para ajudar como for preciso.
GE.Net: De 2010 para cá, muita coisa mudou na diretoria do clube, com a empresa SAGED devolvendo a administração para o presidente Jairo Livólis. Mas e na comissão técnica, quais são as diferenças que você pode apontar entre o trabalho do Sérgio Soares (atualmente no Bahia) e do Ivan Izzo?
Rodriguinho: São dois grandes treinadores. É evidente que o Sérgio tem mais bagagem, porque vem trabalhando há mais tempo, mas os dois são muito competentes. O trabalho do Sérgio em 2010 nos levou muito mais longe do que as previsões apontavam, e com o Ivan já conquistamos a Copa Paulista. Os dois apostam muito em intensidade nos treinamentos, não pegam leve de jeito nenhum. Graças a isso, vamos entrar com um jogo intenso.
Rodriguinho destacou a passagem de Sérgio Soares pelo Santo André, que quase culminou em título paulista - Credito: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
GE.Net: Qual é a diferença entre o Rodriguinho de quatro anos atrás e o Rodriguinho de hoje, aos 31?
Rodriguinho: O Rodriguinho de quatro anos atrás era menos experiente, mas tinha mais força e velocidade. Com o tempo, a gente perde um pouco disso, mas ganha em experiência. Hoje eu sei cortar caminho nesses fundamentos.
GE.Net: Você saiu do Fluminense em 2013 e foi para o Jeju United, mas ficou pouco tempo na Coreia do Sul. Houve algum problema específico?
Rodriguinho: Foram só três meses. O meu filho nasceu e foi para a Coreia com dois meses de idade, e a minha esposa não se adaptou direito. Foi complicado. Se fosse alguma oportunidade realmente incrível em termos financeiros, eu poderia ter insistido mais, mas não era tão vantajoso assim.
GE.Net: Mesmo sendo uma passagem curta, como foi a adaptação para a cultura coreana? Rodriguinho: Foi beeeeem complicado, viu. Você chega lá e encontra um mundo completamente diferente. Eu ainda tive sorte porque a minha esposa levou um verdadeiro carregamento de comida do Brasil, arroz, feijão... Pelo menos pelo estômago eu fiquei em casa, diminuí a indigestão. Tinha dois brasileiros lá que me ajudaram muito, então não fiquei sozinho. Mas não é nada fácil.
No Jeju United, da Coreia do Sul, Rodriguinho viveu três meses frustrantes e indigestos - Credito: Reprodução/Facebook
GE.Net: Você tem contrato com o clube até maio de 2015. Pretende renovar o vínculo?
Rodriguinho: Com certeza, acho que o Santo André é um clube que tenho um carinho enorme e, se Deus quiser, vou ajudar a equipe a ir bem nesse Paulista. A partir daí, quero sentar com a diretoria e definir o futuro. Quero continuar aqui sim.
GE.Net: Então você continua no Santo André mesmo se fizer um bom Paulista e receber proposta de um dos grandes do futebol brasileiro? Ou a passagem frustrante pelo Fluminense foi suficiente?
Rodriguinho: A gente sempre almeja coisas melhores, né? Não gostaria de deixar o Santo André na mão, mas de repente posso sair emprestado, vai depender da situação que eu e o clube estivermos enfrentando no momento. Tenho uma relação muito boa com todos da diretoria, principalmente com o presidente Jairo Livólis, e tenho certeza que se aparecesse alguma coisa boa para mim e para o clube, poderíamos sentar e conversar.
No Fluminense, Rodriguinho não teve a sequência desejada e viveu uma série de empréstimos - Credito: Photocamera
GE.Net: Tendo em mente esse bom relacionamento com todos no Santo André, tem planos de se aposentar no clube?
Rodriguinho: Com certeza, quando a gente tem um bom relacionamento a vontade é só de permanecer. Ainda não penso nisso porque acho que tenho mais lenha para queimar, mas tenho muita vontade de retribuir o que o Santo André já fez por mim e encerrar a minha carreira aqui.
GE.Net: Na Copa Paulista do ano passado você também foi artilheiro, mesmo sem o Bruno José Daniel disponível. Qual é a vantagem de ter o estádio de volta para o Paulistão?
Rodriguinho: A vantagem é gigantesca. Podemos jogar no campo do São Bernardo (Primeiro de Maio ou Baetão), do São Caetano (Anacleto Campanella) ou até no Pacaembu, mas o Bruno José Daniel é outra coisa. É a nossa casa, não dá pra ser de outro jeito. Acredito que nesse ano vamos ter mais apoio nas arquibancadas, até porque o acesso para o torcedor fica mais fácil. Se o Santo André é o time da cidade, o Bruno José Daniel é o estádio dela.
GE.Net: Como você avalia o Água Santa, time de Diadema e primeiro adversário do Santo André nessa Série A2?
Rodriguinho: É um time perigoso que precisamos respeitar, um rival da região. Em três anos, eles chegaram à Série A2 (o Água Santa foi fundado em 1981 e profissionalizado somente em 2011, alcançando a Série A2 em apenas três anos) e têm jogadores experientes, como o Francisco Alex, o Makanaki. Precisamos ter cuidado para não sermos surpreendidos.
GE.Net: Coletivamente falando, o objetivo do Santo André é o título ou o foco está apenas em voltar pra primeira divisão do estadual? Até onde você acredita que conseguem chegar?
Rodriguinho: Olha, o objetivo de um clube como o Santo André precisa ser sempre o título, não podemos dar mole para os outros times do interior e da região metropolitana de São Paulo. Ainda assim, precisamos ter cautela para não dar um passo maior do que a perna. Vamos buscar a volta para a elite, de onde o time nunca deveria ter saído, e a partir disso vamos lutar para comemorar o primeiro título do ano, a volta por cima do Santo André.


