Do Coritiba ao RB Leipzig, Matheus Cunha sonha com Tóquio-2020

Gabriel Ambrós* - São Paulo,SP

24-05-2019 08:00:49

O atacante Matheus Cunha, destaque do RB Leipzig da Alemanha, é mais um daqueles casos de jogadores brasileiros que passaram a ser conhecidos já no futebol europeu. Formado no Coritiba, o jovem de 19 anos não pensou duas vezes antes de cruzar o Atlântico para seguir sua carreira em 2017.

Em sua primeira temporada no futebol alemão, o brasileiro soma nove gols em 39 jogos e disputará a final da Copa da Alemanha, neste sábado, contra o Bayern de Munique. Após a decisão, as atenções de Matheus se voltarão para o Torneio de Toulon, para o qual foi convocado pelo técnico André Jardine para representar a Seleção Brasileira Sub-23. O campeonato é a chance de mostrar serviço visando as Olimpíadas de Tóquio-2020.


"O próximo passo é a conquista da Copa da Alemanha”, contou o atacante com exclusividade à Gazeta Esportiva. “Para a sequência não posso negar: meu grande sonho é defender a Seleção Brasileira nas Olimpíadas em 2020. Além dos meus objetivos com o Leipzig, sonho, diariamente, com a Seleção Brasileira principal. Estar presente nas Olimpíadas seria fantástico”, seguiu.

No Velho Continente, o atacante teve sua primeira chance no pouco conhecido Sion, da Suíça, em 2017. Com os bons jogos e gols no torneio nacional, Matheus não teve que esperar mais de uma temporada para ter sua primeira oportunidade em um clube com grandes pretensões - o novo rico alemão RB Leipzig.

Na Alemanha, adaptação rápida e importância no grupo que cada vez é mais protagonista no futebol local. O clube do leste do país garantiu a terceira colocação do Campeonato Alemão e consequentemente uma vaga direta para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Com o desempenho no time de Leipzig, Matheus foi chamado para o Torneio de Toulon, que tem início no próximo dia 1 de junho, na França.

“Alegria e gratidão enormes em estar representando, mais uma vez, o meu país. Vestir a camisa da Seleção é e sempre será motivo de orgulho. Muito feliz pela oportunidade. É um torneio preparatório para as Olimpíadas de 2020. Estar nas Olimpíadas é um dos meus planos futuros. É trabalhar e dar o meu melhor nesse período que lá estarei", contou o atleta.

Saída repentina

Destaque das categorias de base do Coritba, Matheus Cunha disputou uma Copa São Paulo com o time paranaense e posteriormente a Dallas Cup, nos Estados Unidos, onde passou a ser alvo de equipes da Europa. Sem espaço no time principal do Coxa, o atacante saiu com pouco barulho pouco tempo depois de completar 18 anos.

"Era uma oportunidade muito boa. Via a transferência como a possibilidade entrar no mercado europeu. Fui para uma competição com boa visibilidade e um clube muito organizado. Certeza que tomei a decisão correta", contou o jogador sem arrependimentos.

Matheus em ação pelo time sub-17 do Coritiba (Foto: Divulgação/Coritiba)

“O futebol europeu é muito diferente do brasileiro. Vir para cá cedo serviu para que pudesse evoluir em aspectos importantes como dinâmica de jogo e a parte tática. São culturas diferentes de país para país. Aqui na Alemanha o futebol é muito estudado, pegado e dinâmico", seguiu o atleta, que também participou de amistosos com a equipe Sub-20 do Brasil no ano passado.

"Aprendi a me movimentar melhor e também a ser dinâmico o tempo todo. Me fez muito bem vir para cá cedo. Evoluí e me adaptei bem. Agora é seguir buscando mais e crescer”, completou o atacante.

Com a globalização do esporte e a cada vez maior audiência do futebol europeu, o atacante não acredita que ainda seja pouco conhecido no Brasil por nunca ter jogado profissionalmente no país. "Isso tem mudado já. Com a boa temporada que estamos fazendo no RB Leipzig e as convocações que tive para a Seleção sub-20, boa parte do público já tem me conhecido mais. É normal jogadores saírem novos do país. Nosso futebol é muito exportador e revela em quantidade e qualidade", afirmou Matheus.

Lugar em campo

Com 1,84m, Matheus não é nem um ponta explosivo, nem a referência de ataque com menos mobilidade e mais definição. O brasileiro combina os dois estilos, com boa capacidade de movimentação por todo o campo de ataque, mas com maior participação jogando centralizado.

"Sou um atacante de movimentação e finalização. Aqui na Alemanha já atuei aberto pela esquerda, pela direita, centralizado e na função de centroavante. Me sinto bem em todas", contou.

(Foto: Christof STACHE / AFP)

Segundo levantamento do site especializado Transfermkt, das 39 atuações do brasileiro na temporada, 28 foram centralizadas no ataque, de onde surgiu oito de seus nove gols e suas duas assistências. O jovem ainda jogou duas vezes como um segundo atacante, duas vezes aberto pela direita, duas vezes aberto pela esquerda e mais duas como meia-atacante.

"Meu grande ídolo no futebol é o Ronaldinho Gaúcho. Mas quanto a se espelhar em alguém, não penso muito dessa maneira. Acho que tenho que ser o Matheus. Ter minha própria característica e seguir escrevendo minha história", contou o atleta.

De olho no Puskás

Com nove gols em 39 partidas com a camisa do Leipzig, um em específico marcou a temporada do atacante. Em confronto direto fora de casa contra o Bayer Leverkusen pelo Campeonato Alemão, Matheus recebeu passe na entrada da área marcado por dois defensores. Com muita categoria, o brasileiro ganhou na velocidade de um, girou para cima do outro e tocou por cobertura na saída do goleiro.

“Foi uma jogada de improviso. A bola acabou ficando longa e eu tive que me esforçar pra chegar nela. O Wendell é rápido e vinha em velocidade da esquerda e eu, na hora, tive como saída aquele giro. Era a melhor solução pois se tento um corte seco ele poderia cortar. Já sai do giro com a bola perfeita pra finalizar. Como a bola estava muito em cima, o extinto foi a cavadinha. Fui feliz na jogada e no gol”, disse Matheus.

“Olha, sobre concorrer ao Puskás, estou à disposição (rs). Puxando pro meu lado, votaria no meu gol (rs). Mas, claro, existem vários gols bonitos por aí e a concorrência será pesada. Mas títulos individuais são os de menos. Quero conquistar títulos com o Leipzig e atingir objetivos coletivos”, afirmou.

Confira a entrevista completa com Matheus Cunha:

Gazeta Esportiva: Cada vez é mais comum jogadores saírem das categorias de base do Brasil direto para o futebol europeu. Foi o seu caso no Coritiba, certo? Por quê você optou por sair naquela época rumo a Europa?

Matheus Cunha: Era uma oportunidade muito boa. Aconteceu após eu me destacar na Dallas Cup de 2017. Empresários me acompanharam, fizeram a proposta ao Coritiba e me transferi para o Sion-SUI. Via a transferência como a possibilidade entrar no mercado europeu. Fui para uma competição com boa visibilidade e um clube muito organizado. Certeza que tomei a decisão correta.

Gazeta Esportiva: Chegando na Europa, você teve uma ascensão rápida na Suíça e logo chegou no Leipzig. Como está sendo ganhar destaque internacional tão cedo na carreira em um clube de projeção global como o Leipzig?

Matheus Cunha: Tem sido fantástico e muito prazeroso. As coisas na minha vida têm acontecido de maneira muito rápida. Foi apenas uma temporada no Sion-SUI e o RB Leipzig me contratou. Sou muito a grato a tudo que tem ocorrido. Tenho a consciência de que ainda tenho muito a percorrer e a conquistar e, junto com meu empresário e toda minha família, chegarei aos meus objetivos e sonhos.

(Foto: Reprodução/RB Leipzig)

Gazeta Esportiva: Acredita que essa saída precoce ao mercado europeu está ajudando sua carreira? Pelo fato de você passar por essa adaptação de estilos diferentes ainda bem novo.

Matheus Cunha: Tem sido produtivo demais. O futebol europeu é muito diferente do brasileiro. Vir para cá cedo serviu para que pudesse evoluir em aspectos importantes como dinâmica de jogo e a parte tática. São culturas diferentes de país para país. Aqui na Alemanha o futebol é muito estudado, pegado e dinâmico. Aprendi a me movimentar melhor e também a ser dinâmico o tempo todo. Me fez muito bem vir pra cá cedo. Evolui e me adaptei bem. Agora é seguir buscando mais e crescer. Ainda tenho muito a evoluir.

Gazeta Esportiva: Como você saiu cedo, grande parte do público brasileiro ainda não te conhece. Gostaria que você se apresentasse, contasse as suas características dentro de campo, sua personalidade.

Matheus Cunha: Isso tem mudado já. Com a boa temporada que estamos fazendo no RB Leipzig e as convocações que tive para a seleção brasileira sub-20, boa parte do público já tem me conhecido mais. É normal jogadores saírem novos do país. Nosso futebol é muito exportador e revela em quantidade e qualidade.

Sou um atacante de movimentação e finalização. Aqui na Alemanha já atuei aberto pela esquerda, pela direita, centralizado e na função de centroavante. Me sinto bem em todas.

(Foto: Rener Pinheiro/MoWA Press)

Gazeta Esportiva: Em quais jogadores você se espelha mais? Tanto quem você cresceu assistindo quanto hoje como profissional.

Matheus Cunha: Meu grande ídolo no futebol é o Ronaldinho Gaúcho. Um cara que, na minha opinião, foi mágico enquanto jogava. Mas quanto a se espelhar em alguém, não penso muito dessa maneira. Acho que tenho que ser o Matheus. Ter minha própria característica e seguir escrevendo minha história. Tenho admiração por muitos jogadores mas procuro escrever minha própria história.

Gazeta Esportiva: O golaço que você marcou contra o Leverkusen repercutiu bastante aqui no Brasil também. Gostaria que você contasse um pouco do que passou pela sua cabeça naquele momento.

Matheus Cunha: Foi uma jogada de improviso. A bola acabou ficando longa e eu tive que me esforçar pra chegar nela. O Wendell é rápido e vinha em velocidade da esquerda e eu, na hora, tive como saída aquele giro. Era a melhor solução pois se tento um corte seco ele poderia cortar. Já sai do giro com a bola perfeita pra finalizar. Como a bola estava muito em cima, o extinto foi a cavadinha. Fui feliz na jogada e no gol.

Gazeta Esportiva: Acha que o gol pode entrar na briga pelo próximo Puskás?

Matheus Cunha: Olha, sobre concorrer ao Puskás, estou à disposição (rs). Puxando pro meu lado, votaria no meu gol (rs). Mas, claro, existem vários gols bonitos por aí e a concorrência será pesada. Mas títulos individuais são os de menos. Quero conquistar títulos com o Leipzig e atingir objetivos coletivos.

Gazeta Esportiva: Para finalizar, quais os próximos passos que você projeta no Leipzig e na sua carreira? Essa temporada foi voltada a achar seu espaço no elenco, conhecer o futebol alemão. Como serão as próximas?

Matheus Cunha: Atingir, junto com o grupo, o primeiro objetivo traçado para essa temporada: classificação para a Champions League da próxima temporada. O próximo passo é a conquista da DFB-Pokal. Esses são os objetivos para essa temporada. Para a sequência não posso negar: meu grande sonho é defender a seleção brasileira nas Olimpíadas em 2020. Além dos meus objetivos com o Leipzig, sonho, diariamente, com a seleção brasileira principal. Estar presente nas Olimpíadas seria fantástico.

*especial para a Gazeta Esportiva

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