Futebol

Presidente da Lusa dispara contra calendário dos times pequenos: “É cruel”

Fernanda Zalcman* e José Victor Ligero - São Paulo , SP
02/09/2018 09:00:13

Em: Campeonato Copa Paulista, Futebol, Portuguesa

A Portuguesa segue tentando se recuperar da grave crise que vem abalando o clube nos últimos anos. Atualmente, a Lusa está disputando a Copa Paulista, primeira competição desde o final da Série A2 do Paulista, em março deste ano. De lá para cá, portanto, foram cinco meses sem compromissos oficiais para o clube. E para o presidente da Portuguesa, Alexandre Barros, essa situação é extremamente prejudicial para os times pequenos.

“O calendário é cruel. Para os times da Série A e B não tem problema nenhum, porque a maioria tem um calendário anual. E a reclamação dos atletas e do sindicato é que tem muito jogo, pouco tempo de férias. A Portuguesa disputou a Série A2, que terminou em final de março. Tem que ter no mínimo um contrato de três meses com um atleta (por lei), e eu só voltaria a ter uma competição em agosto. Então, qual é a condição de você manter um jogador por quatro meses pagando sem nenhuma competição?”, questionou o dirigente, em entrevista à Gazeta Esportiva.

Alexandre Barros tem mandato até 31 de dezembro de 2019 (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

A Lusa sofreu com recorrentes desmanches ao longo dos últimos anos, o que Barros atribui justamente à escassez de jogos na temporada. Os grandes espaços de tempo entre as competições impede a formação sólida de um elenco, na visão do presidente.

“Quando tem jogo, tem verba, patrocínio, você mantém o funcionário. Quando não, você tem que decidir o que vai fazer. Esse é o maior problema: montar um time para cada campeonato, sabendo que sua arrecadação é pequena. Se não mudarmos o calendário nacional, não vamos conseguir fazer com que os times que eram formadores, times do interior que sempre foram fortes, possam fazê-lo”, completou.

Barros falou também sobre as dívidas trabalhistas da Lusa e garantiu estar cumprindo com todas as obrigações. “Estamos pagando o acordo trabalhista que firmamos em julho do ano passado. Óbvio que a expectativa era que não cumpríssemos. Se não tivesse sido cumprido o acordo, eles pediriam um novo leilão (do Canindé). E não tem leilão na Portuguesa, porque o estádio foi dado em garantia, enquanto o acordo está sendo cumprido”, explicou.

“Não podemos dizer a exatidão delas (dívidas). Ela está em torno de R$ 350 milhões, só que a cada dia tem juros das dívidas trabalhistas que crescem a todo momento. Estamos trabalhando para que todas as atas sejam regularizadas”, ressaltou.

Neste sábado, a Lusa venceu o Nacional pela Copa Paulista por 2 a 0 e foi a 15 pontos, subindo uma posição e assumindo a vice-liderança do Grupo 4. Só não ficou na ponta, porque o Audax também triunfou diante do lanterna Taboão da Serra e foi a 16 pontos.

“Nosso objetivo é a classificação. É óbvio que, quando você termina líder, é muito melhor, te dá um respeito, uma notoriedade. Mas, dentro do organograma do trabalho, estamos seguindo o objetivo. Temos os pés no chão, montamos um elenco com as condições que a Portuguesa pode pagar, escolhendo jogadores com a qualidade que cada um tem”, concluiu.

*Especial para a Gazeta Esportiva