Futebol

Entenda o plano do Palmeiras para suas promessas das categorias de base

Bruno Calió - São Paulo , SP
20/02/2019 12:30:46 — 20/02/2019 13:11:00

Em: Bastidores, Escolha do editor, Futebol, Mercado da bola, Palmeiras

Luan Cândido, Vitão, Gabriel Jesus, Fernando, Nathan, Papagaio, Artur e Victor Luis. Exemplos de revelações do Palmeiras, atuais e de um passado recente, que explicam a filosofia do clube com as promessas de suas categorias de base. A Gazeta Esportiva conversou com pessoas ligadas ao Verdão e explica como funciona o planejamento do Maior Campeão do Brasil.

Alexandre Mattos está na Europa para tratar das negociações de Luan Cândido e Vitão com o Barcelona. Os atletas de 18 e 19 anos, respectivamente, sequer estrearam pelo profissional e são figuras constantes nas convocações da Seleção Brasileira Sub-20. Suas negociações, que podem render R$ 84 milhões ao clube, causaram a revolta dos torcedores.

Luan Candido está na mira do Barcelona – Foto: Divulgação

A ideia da cúpula formada por Cícero Souza e Alexandre Mattos, no clube de 2015, é que apenas atletas considerados ‘fora de série’ sejam aproveitados efetivamente no profissional logo ao deixarem a base. Gabriel Jesus é exemplo disso, assim como Neymar no Santos e Lucas no São Paulo. No caso de atletas próximos de atingir o limite da idade Sub-20 e que ainda não tenham alcançado sucesso no profissional há apenas duas opções.

A primeira e ideal na visão do Alviverde é a negociação para deixar o clube em definitivo. Para isso, evidentemente, é necessário o interesse de outras equipes, em geral estrangeiras, de desembolsar uma quantia considerável pelo jogador. Foi o que aconteceu no ano passado com Fernando, atacante com apenas dois jogos pela equipe principal e negociado com o Shaktar Donetsk por cerca de R$ 24 milhões. Se concretizadas as vendas, a situação será a mesma com Vitão e Luan.

Fernando jogou apenas duas partidas pelo profissional do Palmeiras (Foto: Reprodução/Shakhtar Donetsk)

A segunda alternativa está em dar oportunidade para que estes atletas ‘completem sua formação’ em outros times. Isso significa uma sequência de jogos de duas vezes por semana, pressão da torcida que os times juniores não enfrentam e o contato diário com a imprensa. Foi o que aconteceu com o lateral Victor Luis, que passou por Ceará e Botafogo antes de retornar ao Verdão para integrar o elenco de forma definitiva.

A volta de empréstimo, porém, não garante o aproveitamento do atleta. Se o mesmo não obtiver sucesso a ponto de interessar a comissão técnica palmeirense de momento, como o zagueiro Nathan, com passagens por Criciúma e Chapecoense, o clube pode emprestá-lo consecutivamente até o final de seu contrato ou uma oferta de compra.

Artur tenta um novo ano de sucesso emprestado a outro clube (Foto: Felipe Oliveira/Bahia)

É o caso de Artur, que se destacou no Londrina, mas não o suficiente para receber oportunidades no profissional do Palmeiras. Em 2019, ele foi cedido ao Bahia, por empréstimo. O centroavante Papagaio é outro que deixou o Alviverde de forma temporária, com destino ao Atlético-MG.

As categorias de base servem, portanto, como alternativas em circunstâncias especiais de ausência de opções no profissional (por lesão, suspensão e etc.), para a prospecção de craques e com o intuito de ‘bancar’ uma equipe campeã. A direção do Palmeiras se apoia no argumento de que neste século apenas o Santos de Robinho e de Neymar, e o Grêmio com Luan, Everton e Arthur tiveram sucesso no futebol brasileiro com mais de um atleta das categorias de base como protagonistas.

Dudu segue no Palmeiras em grande parte graças a venda de outros atletas como fonte de receita (Foto: Djalma Vassão/GazetaPress)

A crença, portanto, é de que é mais interessante para o clube ‘sacrificar’ peças das categorias de base para manter jogadores já adaptados e tendo boa performance no profissional, como Dudu e Bruno Henrique, que tiveram seus contratos renovados após o clube recusar propostas milionárias recentes da China.

Para 2019, o Palmeiras provou um orçamento de R$ 561 milhões em receitas, ainda sem incluir os direitos de transmissões de seus jogos, já que ainda não fechou com a Rede Globo. Nesta previsão, que no histórico recente é sempre superada por números maiores, prevê R$ 50 milhões em venda de atletas e um superávit final de R$ 15 milhões.




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