Deola desabafa, nega rótulo de "vilão" e segue torcendo pelo Palmeiras

Gustavo Boldrini * - São Paulo,SP

21-10-2016 09:00:24

Após 16 anos de contrato com o Palmeiras, o goleiro Deola não teve seu vínculo renovado no início deste ano e resolveu dar uma pausa na carreira. Aos 33 anos, o jogador fechou com o Juventus da Mooca e voltará aos gramados para a disputa da Série A2 do Campeonato Paulista no ano que vem.

De “sucessor de São Marcos” a criticado pela torcida, Deola viveu momentos de altos e baixas no Palmeiras: em 2010 e 2011, foi titular na maioria das partidas do clube devido às contusões e a posterior aposentadoria de Marcos. Em 2014, quando voltou após alguns empréstimos, chegou a ganhar chances com a contusão de Fernando Prass e acabou ficando marcado pelos seis gols sofridos na goleada diante do Goiás, no Serra Dourada, pelo Campeonato Brasileiro.

Em entrevista à Gazeta Esportiva, o goleiro negou ter sofrido uma queda na carreira e desabafou sobre um dos momentos mais difíceis da carreira no Verdão. “A goleada que a gente sofreu (conta o Goiás), eu não sofri sozinho, o elenco todo tomou, tanto que a culpa minha foi só no último gol. É logico que, como goleiro, acabei levando a culpa toda”, disse Deola, que revelou manter a torcida pelo Verdão.

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Nos 16 anos de Palmeiras, o arqueiro revelou ter tido poucos problemas com salário, mas lembrou as épocas de “vacas magras” nos cofres alviverdes, que chegaram ao fim com a chegada de Paulo Nobre à presidência. O goleiro, aliás, rasgou elogios à administração do mandatário palmeirense, apesar de não ter renovado seu contrato, e culpou a grande pressão em atuar tanto tempo no Verdão como um dos motivos para sua pausa na carreira. Confira, abaixo, a entrevista concedida por Deola, novo goleiro do Juventus, por telefone à Gazeta Esportiva.

– Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press
Apesar de altos e baixos, Deola jogou 107 pelo Verdão (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Gazeta Esportiva: Você chegou a ser tido como o sucessor do Marcos no Palmeiras, foi ídolo no Vitória, mas viveu alguns maus momentos, como aquela goleada de 6 a 0 contra o Goiás em 2014, e acabou indo de clube em clube até ficar desempregado. Por que essa queda brusca na carreira?

Deola: Na verdade, não vejo como uma queda. Depois disso, fui para o Fortaleza e fui campeão cearense. Em 2012, fui campeão baiano no Vitoria, conquistei o acesso à Série A. Então, não tive tantos problemas assim na carreira. (A pausa) Foi um momento em que, depois de 16 anos de Palmeiras, precisava dar um tempo, uma recuada na carreira. O fato de eu estar 16 anos no Palmeiras, que é um clube grande, onde você recebe pressão o tempo todo, jogando ou não, isso desgasta bastante. Isso foi providencial para a continuidade da minha carreira, dar essa pausa e retomar minha parte familiar e social.

Gazeta Esportiva: Na sua visão, qual foi o melhor e qual foi o pior momento da sua carreira?

Deola: Pergunta difícil essa (risos). Conquistei alguns títulos no Palmeiras, ficar 16 anos lá não é pra qualquer um. Eu acho que isso é um ponto bem significativo. Foram 107 jogos no Palmeiras, esse ponto foi favorável. Um ponto ruim, talvez foi a forma como acabou minha saída do Fortaleza. Isso (não ter renovado o contrato com o Palmeiras) é normal, ao longo da minha carreira já vi jogadores entrando e saindo do Palmeiras. Jogador que não produziu da forma que esperavam, simplesmente acaba o contrato e ele vai para outro canto. Foi o primeiro momento que não renovei meu vínculo. Todos os clubes que eu trabalhei queriam renovar, mas não podiam porque eu tinha contrato com o Palmeiras.

Gazeta Esportiva:  O que faltou para você se tornar ídolo no Palmeiras e o que você espera fazer de diferente para criar essa idolatria no Juventus?

Deola: No Palmeiras, o momento que eu atuava não era propício a isso, tinha problemas financeiros, não tinha elencos fortes, dois anos seguidos eu ajudei o time a não entrar na zona de rebaixamento, em 2010 e 2011. Não acho que não dei certo lá, fiz 107 jogos, para um jogador passar da marca dos 100 jogos não é fácil. Acredito que fiz tudo no Palmeiraas com afinco, tive meus erros, porém acredito que as alegrias foram maiores que as tristezas. Aqui, eu já tenho um carinho grande pelo Juventus, espero continuar trabalhando forte e poder ajudar com bons jogos e sendo uma pessoa importante para esse acesso em 2017.


Gazeta Esportiva: O Palmeiras, de uma "quase queda" em 2014, se reestruturou e hoje briga pelo título brasileiro. Que mudanças você enxerga no clube hoje em relação à época que você jogou lá?

Deola: A chegada do Paulo Nobre foi muito importante. Ele logo de entrada emprestou um dinheiro significativo para quitar dividas, passando o clube de um cenário de devedor para um cenário estável. Tem a entrega do estádio, um faturamento alto que o Palmeiras tem, e a gestão que ele fez foi importantíssma. Não desmerecendo os outros, mas essa injeção financeira foi muito importante. Não foi de graça, ele vai receber de volta, mas ajudou muito. Hoje o futebol vive de dinheiro. Se você injeta esse dinheiro no clube, é logico que a chance de fazer um time competitivo é grande, e isso aconteceu no Palmeiras. O Paulo, sendo torcedor e empresário bem-sucedido, não depende de retorno financeiro do Palmeiras, e por isso tem mais tranquilidade para trabalhar.

Gazeta Esportiva: O Jaílson substituiu o Prass e aparentemente não vem sentindo o peso. Qual é o mérito dele, na sua opinião, para substituir um ídolo e não sentir a pressão?

Deola: Na verdade, quem substituiu o Prass foi o Vagner, que teve alguns jogos contestáveis e acavou perdendo a vaga. Ele (Jaílson) tem uma qualidade grande, conheço ele de longa data, treinamos juntos, com muitos méritos se manteve, ajudou o Palmeiras a conquistar pontos importantes, principalmente quando estava sem Gabriel Jesus (durante os Jogos Olímpicos). Ele segurou jogos importantes. É logico que ele tem totais méritos.

Gazeta Esportiva: Você segue torcendo para o Palmeiras, mesmo de longe? Está acompanhando o Brasileirão?

Deola: Sempre, lógico. Isso é legal, ver o Palmeiras num momento melhor, com duas Copas do Brasil em menos de cinco anos, agora um Brasileiro bem pertinho de conquistar. Está faltando ao torcedor para coroar essa gestão. O Palmeiras foi Camepão do Século, e agora tem tudo para poder retmomar esse titulo, voltando a ter um elenco forte. E o mais importante: é um clube com fama de bom pagador. Ao longo dos meus 16 anos, vivenciei um ano ou dois de problemas. No restante, sempre recebi em dia.

Gazeta Esportiva: Você ainda não conseguiu atuar na Arena palmeirense após a reforma. Sente vontade?

Deola: Com certeza, é o estádio mais moderno do Brasil, um desejo de todos jogadores. Hoje com  sse novo formato das arenas ficou gostoso jogar, o torcedor testá muito próximo de você. Joguei muito no Castelão e na Fonte Nova. Você tem uma proximidade maior. Antes a torcida ficava distante. Se a bola sai na linha de fundo você ouve o que o torcedor está falando. O Allianz é um estádio que tem essa mística de todo mundo querer jogar lá, tem tudo que há de melhor no Brasil. Mas dá uma saudade do Jardim Supenso... (risos)

* Especial para a Gazeta Esportiva

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