Pelo menos 10 jogadores do Corinthians torcem pelo clube desde criança

Tiago Salazar - São Paulo,SP

22-02-2019 06:00:12

Mesmo sem poder contar com a Fiel dentro do Allianz Parque, o time do Corinthians foi valente diante do favoritismo palmeirense no primeiro Derby do ano. No fim, a vitória por 1 a 0 pegou a muitos de surpresa e realçou o espírito de superação de uma equipe ainda em formação e, aos poucos, tentando se conhecer.

Os tropeços chamam atenção nesse início de temporada, mas, quando todos cobraram uma resposta emergencial do time, novamente em um clássico, dessa vez com o apoio de pouco mais de 42 mil torcedores, o Corinthians reagiu: venceu o São Paulo e manteve a invencibilidade no Majestoso dentro da Arena.

Na última quarta, talvez a mais corintiana e todas as vitórias até aqui, em 2019. Obviamente o modesto Avenida-RS não deveria impor tantas dificuldades ao Timão, principalmente em Itaquera. O sofrimento, no entanto, se confunde à história alvinegra.

Buscar uma desvantagem de dois gols, debaixo de uma chuva torrencial e sentir o alívio só após os 46 minutos do segundo tempo deram alma ao triunfo do Corinthians na Copa do Brasil. A atuação nada vistosa novamente ficou de lado. O espírito demonstrado no certame satisfez os Fiéis, como costuma ser desde 1910.


Todo atleta deve, ou deveria, manter seu profissionalismo acima de tudo, sempre, em qualquer lugar. O Corinthians, porém, talvez tenha uma vantagem sobre seus adversários que parece pesar em circunstâncias de decisão ou provação.

O elenco alvinegro formado para essa temporada conta com um time inteiro de jogadores de linha, ou seja, a exceção do goleiro, que assumidamente torcem para o clube que defendem hoje, desde a infância.

São 10 peças à disposição de Fábio Carille que sabem bem o que a arquibancada pede, sente. Isso representa 30.3% do grupo. São eles: Léo Santos, Manoel, Danilo Avelar, Ralf, Gabriel, Richard, Júnior Urso, Thiaguinho, Pedrinho e Gustagol.

Não bastasse toda essa ligação, o clube também conserva relações com jogadores que ‘se tornaram’ corintianos. Casos evidentes de Cássio, Fagner, Jadson, Romero e Vagner Love.

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O quarteto inicial ostenta anos de casa, foi importante em muitos títulos e tem uma identificação rara com os torcedores. O lateral, aliás, surgiu para o esporte pelas categorias de base do Corinthians. O ‘corinthianismo’ destes pode até ter surgido em uma fase mais madura da vida, mas claramente já está enraizado em cada um.

Vagner Love é carioca, nunca escondeu ser flamenguista e, para deixar a história ainda mais maluca, foi revelado justamente pelo Palmeiras. Nada disso, entretanto, foi suficiente para impedir que o camisa 9 encontrasse no Corinthians um ‘novo amor’. “É como amor de mãe e amor de esposa”, disse, em seu retorno, ao tentar explicar sua relação com a equipe do Parque São Jorge.

Mas que diferença faz o jogador vestir a camisa do clube que torce, da equipe que se acostumou a assistir pela TV ou nas arquibancadas, que o fez chorar e rir quando criança? A Gazeta Esportiva questionou Júnior Urso e Richard para tentar elucidar a situação.

“Para mim, mudou todas as ideias que tinha ao voltar ao Brasil. Foi o melhor presente que eu poderia receber. Eu estava no voo para o Brasil quando soube que o clube queria contar comigo, e era o lugar onde eu queria estar. Então, foi fácil dizer ‘sim’. Já estou feliz em estar aqui e agora espero conquistar tudo que almejamos”, explicou Urso, que precisou de apenas duas partidas para cair nas graças da Fiel.

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“Encaro como grande responsabilidade, já que eu sempre preguei essa história de que todos tinham que se entregar enquanto eu era torcedor. Sei como é porque eu também cobrava como torcedor. Se me sentir abatido fisicamente, sei que não vou poder parar por causa da torcida. Então, é assim que espero representar esse clube grandioso”.

Richard também não escondeu que a influência de seu lado torcedor começou a aparecer antes mesmo de estrear pelo Corinthians.

“O que influenciou foi meu pai, que também é torcedor desde pequeno. Sou corintiano desde berço. Fui me identificando com o clube e peguei mais amor conforme fui acompanhando. Não pensei duas vezes quando chegou a proposta, e também tinha outras propostas”, contou.

“É como um apoio em dobro. Estar ali dentro é incrível. Quando acaba o jogo eu sinto a sensação de que fui apoiado no jogo todo e isso é bem importante”.

 

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