Membros de seis organizadas do Corinthians - Gaviões da Fiel, Camisa 12, Fiel Macabra, Coringão Chopp, Estopim da Fiel e Pavilhão Nove - se reuniram em frente ao Parque São Jorge nesta segunda-feira e organizaram um ato cobrando a expulsão do ex-presidente Andrés Sanchez do quadro associativo do clube.
A manifestação pacífica acontece horas antes da votação que irá definir o futuro de Andrés Sanchez no clube. O ex-presidente é acusado de ter utilizado o cartão corporativo do Corinthians para fins pessoais. O caso foi apurado internamente pelos órgãos do clube, e também gerou denúncias no Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Algumas faixas começaram a ser estendidas por volta das 16h (de Brasília). Elas diziam o seguinte: "Conselheiros, a história vai lembrar quem protegeu o Corinthians e quem se omitiu", "Quem prejudica o clube não nos representa", "A Fiel exige respeito", "Fim da impunidade no Corinthians" e "Não há mais espaço para tolerância".
Em determinado momento, ratoeiras com ratos de pelúcia também foram penduradas nos arredores do Parque São Jorge. A provocação faz referência ao apelido de "ratos", direcionado a alguns ex-dirigentes do clube. A manifestação ocorreu simultaneamente à chegada dos conselheiros para a votação. Alguns chegaram a ser cobrados, mas pacificamente.
"Vocês que estão falando em um ano, seis meses de afastamento, nós não aceitaremos. O mínimo hoje é a expulsão do ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. O voto vai ser aberto, nominal. Iremos saber quem votou a favor da expulsão ou contra. O nosso papel aqui fora é pressionar sim, mas com muita cautela e inteligência. Vamos sair daqui hoje com a resposta que todos nós queremos: Andrés Sanchez expulso. E não vai parar por aí. Na sequência, tem Augusto Melo e Duílio Monteiro Alves. Não iremos esquecer", disse Alex da Matta, diretor de comunicação da Gaviões da Fiel.
Torcedores também entoaram cânticos de "Ladrão, ladrão, fora, Andrés, do Timão" e "Conselheiro, preste atenção, chegou o dia, queremos expulsão".
Durante a partida contra o Atlético-MG, no último domingo, a torcida já havia feito uma manifestação simbólica. Por volta dos 30 minutos do segundo tempo, torcedores seguraram faixas com os dizeres: "Conselheiros, respeitem o Corinthians"; "Por moral e respeito ao clube, chega de interesses pessoais", além de "Dia 25: responsabilidade com o futuro do Corinthians".
Mais cedo, foram estendidas faixas em apoio a Andrés Sanchez, com os dizeres: "Expulsão não! Política suja". Após a divulgação das imagens, um torcedor foi ao Parque São Jorge, retirou e ateou fogo nas faixas.
Explosão após resultado final
Após o resultado final da reunião, que decidiu pela expulsão de Andrés Sanchez, a Fiel Torcida presente nos arredores do Parque São Jorge explodiu em alegria. Presidente da Gaviões da Fiel, Alê Oz se manifestou após a exclusão do ex-dirigente.
"Sensacional hoje, hein. Parabéns a todos vocês. Sem vocês, não iria acontecer. Mas não vamos nos animar muito não, porque nossa luta não acaba aqui. Semana que vem já tem Augusto Melo. Nossa vida como corintiano não é fácil não. Se ganhou, fica feliz, se perder fica triste. Hoje, ser corintiano vai muito além disso. Se lesar o Corinthians, é poucas ideia. A força de vocês foi primordial para que isso acontecesse. Levanta a cabeça rapaziada. Corintiano de cabeça baixa jamais. Estamos juntos", discursou.
Relembre o caso
O caso de Andrés Sanchez envolve uma série de despesas pessoais consideradas suspeitas pela Comissão de Justiça do Corinthians. O órgão identificou aproximadamente 50 gastos sem comprovação de vínculo com atividades institucionais do clube. Os valores analisados somam cerca de R$ 190 mil.
Entre as despesas apontadas estão pagamentos em hospitais, clínicas, farmácias, lojas de móveis e eletrônicos, além de custos relacionados a táxi aéreo e centros automotivos. Segundo os órgãos internos do Corinthians, não foram encontrados comprovantes que justificassem o uso dos recursos em benefício do clube.
Além do processo administrativo dentro do Corinthians, Andrés Sanchez também foi alvo de duas denúncias do Ministério Público de São Paulo. O ex-presidente respondeu a acusações envolvendo apropriação indébita, lavagem de dinheiro e supostas irregularidades tributárias relacionadas ao uso de cartões corporativos.
Parte das denúncias chegou a ser rejeitada pela Justiça por entendimento de ausência de justa causa para abertura de ação penal. Ainda assim, alguns desdobramentos seguem em discussão no âmbito judicial.