A SAFiel está oficialmente lançada. Nesta terça-feira, os idealizadores apresentaram detalhes do projeto em evento realizado no Museu do Futebol, na Mercado Livre Arena Pacaembu, e prometeram que irão entregar a proposta à diretoria do Corinthians.
"Nosso maior diferencial é a transparência. Temos debatido esse projeto há meses, acreditamos que a transparência é o ponto de partida. A SAFiel nasceu para ajudar o Corinthians a reencontrar seu caminho sem perder a alma popular. Nós idealizadores temos apenas o propósito de ajudar, não temos interesse político, econômico ou de cargos no clube. Além de lançar o projeto, vamos entregar hoje no Parque São Jorge uma proposta oficial", disse Carlos Teixeira, um dos fundadores da SAFiel.
A expectativa inicial era entregar a proposta a Osmar Stabile no período da tarde desta terça. Porém, o mandatário alegou agenda cheia. A proposta será enviada à diretoria por e-mail, mas as partes ajustam uma nova data para a entrega presencial.
O presidente do Corinthians, que segundo organizadores da SAFiel chegou a confirmar presença, não compareceu ao evento. Com isso, alguns conselheiros trienais e vitalícios que estiveram presentes receberam o documento. Membros de torcidas organizadas, como a Gaviões da Fiel, também acompanharam a apresentação.
(Foto: André da Silva Costa/Gazeta Press)
O que é SAFiel?
Idealizada por Carlos Teixeira, Maurício Chamati, Eduardo Salusse e Lucas Brasil, a SAFiel prevê a transformação do Corinthians em uma SAF, com gestão profissional, administrada pelos torcedores. Os corintianos poderiam comprar ações a preços populares e votar nos conselheiros.
O clube seria composto por quatro Conselhos: Administrativo, Fiscal, Cultural e de Governança. Os integrantes de cada setor seriam escolhidos pelos acionistas. Os órgãos teriam a responsabilidade de fiscalizar, além de haver auditorias externas periódicas para afastar eventuais irregularidades.
De acordo com o projeto, a administração ficaria sob responsabilidade de executivos profissionais, que seriam "contratados ou demitidos com base em capacidade e cumprimento de metas". O departamento de futebol ficaria separado do clube associativo.
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Como funcionaria o aporte?
Há três possibilidades para que os acionistas façam o aporte financeiro: uma reserva popular, na qual cada torcedor poderá comprar no máximo dez ações; um varejo amplo, voltado a corintianos com maior poder aquisitivo; e um terceiro grupo destinado a investidores profissionais.
Para adquirir as ações, o interessado deverá comprovar sua associação ao Parque São Jorge ou a inscrição no programa Fiel Torcedor. Nenhum acionista poderá comprar mais de 1,8% das ações, a fim de evitar concentração de poder, além de outras travas previstas. Quem quiser investir também terá de comprovar a origem dos recursos.
A meta é arrecadar R$ 2,5 bilhões para quitar dívidas e investir no futebol e na sede social do Corinthians. Os idealizadores afirmam basear-se em estudos e acreditam que as ações tendem a se valorizar com o passar do tempo.
"A proposta consite na criação de uma empresa, que receberia todos os ativos do futebol. Do outro lado, teríamos a empresa Invasão Fiel, que entraria como sócia com dinheiro. O clube social receberia valores dessa estrutura. A Invasão Fiel representaria os torcedores de maneira independente. Com o recursos vamos pagar as dívidas, fazer novos investimentos e despontar na linha de frente", explicou Eduardo Salusse, um dos idealizadores do projeto.
Maurício Chamati, Eduardo Salusse e Carlos Teixeira, três dos idealizadores da SAFiel (Foto: André da Silva Costa/Gazeta Press)
É viável?
O assunto SAF, embora ainda encontre resistência interna no Corinthians, tem ganhado força e sido cada vez mais discutido entre torcedores.
Prova disso é que o anteprojeto da reforma do estatuto, apresentada pelo Conselho Deliberativo na última segunda-feira, no Parque São Jorge, prevê a transformação do clube em SAF. O documento, porém, impõe algumas condições.
Segundo Romeu Tuma Júnior, presidente do CD, os idealizadores da SAFiel chegaram a se reunir com ele na sede social do clube, mas não protocolaram uma proposta formal à Comissão de Reforma do Estatuto. Contudo, os líderes do projeto alegam que encontraram barreiras para levar a proposta ao Conselho, que deverá votar o novo texto já no próximo mês.