A lesão no menisco do joelho esquerdo sofrida por Vitinho, atacante do Corinthians, acendeu o alerta para um dos problemas mais comuns entre atletas de alto rendimento. O jogador precisará passar por cirurgia e ficará afastado das atividades, entrando em um processo de recuperação que pode variar conforme o tipo de procedimento realizado.
Vitinho sofre lesão meniscal no joelho esquerdo.
Atacante será operado na próxima quarta (29).
No treino da última sexta-feira (24), o atacante Vitinho sofreu uma lesão meniscal no joelho esquerdo. Ele foi submetido a exames no sábado (25) e, nesta segunda (27), passou em… pic.twitter.com/Ltfy88szhe
— Corinthians (@Corinthians) July 27, 2026
Entenda a lesão
Segundo José Bassan, especialista da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), a reabilitação depende diretamente da técnica cirúrgica adotada.
“No caso da sutura meniscal, existe uma fase inicial de maior proteção do joelho, com ganho de amplitude de movimento e descarga de peso mais graduais. Já na meniscectomia, esses movimentos costumam ser liberados mais rapidamente. Essa diferença influencia toda a etapa inicial da reabilitação”, pontua.
Após a fase inicial, o trabalho passa a ser focado na recuperação da força muscular, mobilidade e estabilidade do joelho, além da preparação específica para as exigências do futebol profissional.
Bassan destaca que o principal desafio não está apenas na recuperação da articulação lesionada.
“O futebol exige acelerações, desacelerações, mudanças rápidas de direção, giros sobre o joelho, saltos, aterrissagens e contato físico. A reabilitação precisa preparar o atleta para suportar essas cargas em alta intensidade, reduzindo o risco de uma nova lesão”, afirma.
Histórico de lesões pode influenciar recuperação
O fisioterapeuta explica que atletas que acumulam problemas físicos ao longo da carreira podem exigir um acompanhamento ainda mais amplo durante a recuperação.
Embora ressalte que não é possível relacionar diretamente o caso de Vitinho a um histórico específico sem acesso aos dados clínicos do jogador, Bassan aponta que fatores além do aspecto físico precisam ser considerados.
“Além dos aspectos biomecânicos, entram em cena fatores psicológicos, nutricionais e de condicionamento físico. A reabilitação passa a envolver uma equipe multidisciplinar para corrigir desequilíbrios musculares, melhorar a mobilidade e aproveitar esse período para tratar outras disfunções que muitas vezes não conseguem ser trabalhadas durante a rotina intensa de competições”, diz.
Sem data para voltar
De acordo com o especialista, o período de recuperação frequentemente divulgado ao público não deve ser utilizado como único critério para determinar quando um atleta está pronto para voltar a jogar.
“O fator tempo, isoladamente, é o critério mais pobre para determinar o retorno. O atleta pode estar apto com 20 dias após uma meniscectomia ou ainda não reunir condições depois de 60 dias. Tudo depende do tipo de cirurgia, da presença de lesões associadas e, principalmente, do desempenho funcional apresentado durante a reabilitação”, explica.
Por isso, a decisão sobre a volta aos gramados envolve avaliações realizadas por diferentes profissionais.
“Hoje existem protocolos científicos bem estabelecidos. A decisão passa por avaliações clínicas, testes funcionais, análise da força muscular, testes de salto, avaliação biomecânica e até aspectos psicológicos. É um processo multidisciplinar que busca oferecer ao atleta a maior segurança possível para retornar com menor risco de recidiva”, conclui.
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