O Corinthians divulgou, nesta quarta-feira, uma nota oficial sobre a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo contra o presidente Osmar Stábile. O clube afirmou que a acusação ainda será analisada pelo Poder Judiciário e ressaltou que a apresentação da denúncia não representa condenação ou comprovação de responsabilidade criminal.
Na manifestação, o Corinthians defendeu a contratação da empresa Bear Security para realizar a segurança de Stábile e de seus familiares. Segundo o clube, a medida foi tomada diante de riscos à integridade do presidente relacionados ao exercício do cargo.
“Esse cenário exigiu a contratação urgente de uma nova equipe, com profissionais que contassem com a confiança do presidente para desempenhar uma atividade sensível de proteção pessoal”, afirmou o Corinthians.
O clube também argumentou que Stábile assumiu a presidência após o processo de impeachment do mandatário anterior e, por isso, não teve o período padrão de transição eleitoral. Segundo a nota, a situação trouxe urgência à contratação dos serviços.
O Corinthians ainda afirmou que os valores pagos à empresa são compatíveis com os praticados no mercado para serviços de natureza, abrangência e complexidade equivalentes.
“A contratação possui escopo distinto, mais amplo e complexo do que os atendimentos anteriormente realizados por profissionais de segurança em caráter particular e custeados com recursos pessoais do Sr. Osmar Stábile”, acrescentou o clube.
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Relembre a denúncia
O Ministério Público de São Paulo denunciou Osmar Stábile por suposta apropriação indébita envolvendo a contratação da Bear Security. Segundo a Promotoria, o Corinthians teria desembolsado R$ 721.194,66 para a empresa entre julho de 2025 e agosto de 2026.
Na avaliação do MP, os serviços contratados com recursos do clube eram destinados à segurança pessoal de Stábile e, possivelmente, de familiares. A Promotoria sustenta que o dirigente teria utilizado dinheiro da instituição para custear uma despesa que deveria ser particular.
Um dos pontos apresentados na denúncia é que o Corinthians já possuía a empresa Unity Serviços Terceirizados para cuidar da segurança institucional do clube. Para o Ministério Público, a Bear Security teria sido contratada especificamente para a proteção pessoal do presidente.
A denúncia também cita uma declaração de Stábile na qual o presidente reconheceu que o Corinthians arcava com os pagamentos e classificou o serviço como uma “segurança VIP ao presidente”. O dirigente também teria afirmado que os responsáveis pela empresa eram pessoas de sua confiança.
O documento apresentado pelo MP ainda menciona registros de profissionais da Bear Security acompanhando familiares de Stábile em situações particulares. Na interpretação da Promotoria, os registros reforçariam a suspeita de que os serviços pagos pelo Corinthians ultrapassavam as atividades relacionadas ao exercício da presidência.
Outro ponto levantado pelo Ministério Público é que a Bear Security não teria autorização da Polícia Federal para atuar como empresa de segurança privada. Por isso, a Promotoria informou ter solicitado uma investigação específica sobre a atuação da empresa.
O MP também questionou a justificativa apresentada pelo Corinthians para a contratação. O clube havia defendido que os pagamentos estavam amparados pelo artigo 119 do Estatuto Social, que prevê gastos com serviços internos e eventuais. A Promotoria, porém, entende que o dispositivo não autorizaria despesas particulares em benefício de dirigentes.
Além da denúncia criminal, o Ministério Público pediu à Justiça o afastamento cautelar de Stábile de suas funções no Corinthians. Entre as medidas solicitadas estão a proibição de acesso às dependências do clube, de contato com testemunhas e dirigentes e de exercício de funções associativas ou representação institucional. O MP também pediu restrições para viagens nacionais e internacionais e o bloqueio de bens do presidente para garantir eventual ressarcimento.
A Promotoria ainda cobra aproximadamente R$ 721 mil por danos materiais e cerca de R$ 540,8 mil em indenização por danos morais ao Corinthians. Os pedidos, assim como a própria denúncia, ainda dependem de análise da Justiça.
Caso a Justiça receba a denúncia, Stábile passará à condição de réu em uma ação penal e poderá apresentar sua defesa ao longo do processo. Até o momento, ele permanece no exercício da presidência, já que o pedido de afastamento depende de decisão judicial.
O que diz o Corinthians?
Na nota divulgada nesta quarta-feira, o Corinthians afirmou que a contratação ocorreu em razão de riscos à integridade de Stábile e de seus familiares e negou que tenha simplesmente assumido uma despesa privada preexistente.
O clube também ressaltou que o vínculo anterior de alguns profissionais com o presidente não significa que a instituição tenha assumido uma obrigação particular.
Por fim, o Corinthians e Stábile reafirmaram o compromisso com a transparência, a proteção do patrimônio da instituição e o respeito às autoridades. O clube afirmou que prestará “integral cooperação às apurações”, fornecendo os documentos e esclarecimentos necessários para o esclarecimento dos fatos.
Confira a nota do Corinthians na íntegra:
“O Sport Club Corinthians Paulista esclarece que a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra o presidente Osmar Stábile constitui uma acusação sujeita à análise do Poder Judiciário, que poderá recebê-la ou rejeitá-la. Sua apresentação não representa condenação, nem comprovação de responsabilidade criminal.
A contratação da citada empresa de segurança ocorreu diante de riscos à integridade do presidente e de seus familiares, relacionados ao exercício da presidência do Corinthians.
Esse cenário exigiu a contratação urgente de uma nova equipe, com profissionais que contassem com a confiança do presidente para desempenhar uma atividade sensível de proteção pessoal.
É importante recordar que o Sr. Osmar Stábile assumiu a presidência do Clube após o processo de impeachment do mandatário anterior, de modo que ele não pôde desfrutar do período padrão de transição eleitoral, o que trouxe urgência à contratação de tais serviços. Ressaltamos, também, que os valores pagos são compatíveis com os praticados no mercado para serviços de natureza, abrangência e complexidade equivalentes.
A contratação possui escopo distinto, mais amplo e complexo do que os atendimentos anteriormente realizados por profissionais de segurança em caráter particular e custeados com recursos pessoais do Sr. Osmar Stábile. O vínculo anterior com alguns desses profissionais não significa que o Corinthians tenha simplesmente assumido uma despesa privada preexistente.
O Sport Club Corinthians Paulista e seu presidente reafirmam o compromisso com a transparência, a proteção do patrimônio da instituição e o respeito às autoridades. O Clube prestará integral cooperação às apurações, fornecendo os documentos e esclarecimentos necessários, com pleno interesse no esclarecimento dos fatos.”