Por Marina Bufon
Logo nos minutos iniciais da partida contra o Avaí, no último sábado, pelo Brasileirão, o que se viu na Neo Química Arena foi um Corinthians que parece ter lido a análise da Gazeta Esportiva do último jogo, contra o Deportivo Cali. Brincadeiras à parte, “o pé saiu do freio”, o medo sumiu, e os gols vieram.
Claro que é preciso levar em conta, com respeito, o adversário desta noite, que, apesar de ter vencido na sua estreia na competição, tem menor poderio financeiro e ferramentas para alçar vôos grandes neste Brasileirão, além de ter recém-chegado à elite.
A escalação foi bastante modificada, como já era esperado. Na lateral-direita, o português Rafael Ramos fez a sua estreia e agradou. Mostrou raça, força e qualidade - deu um lançamento que quase originou o primeiro gol alvinegro.
No meio-campo, Renato Augusto e Maycon, que, na teoria, seriam poupados, estavam entre os titulares e fizeram a diferença. O camisa 5 mostrou mais uma vez sua importância e o motivo pelo qual, ao ser colocado ao lado de Du, os dois crescem e melhoram o time como um todo.
Róger Guedes, porém, foi o nome do primeiro tempo - não sozinho, claro: Du e Piton, que deram as assistências, merecem menção honrosa. Atuando pelo lado esquerdo, o camisa 9 marcou dois tentos, após ter desperdiçado um no início dos 45 minutos.
Após o intervalo, ele ainda marcou mais um, fazendo seu primeiro hat-trick com a camisa do Timão. Ao todo, jogou por 80 minutos e marcou três gols, isolando-se como artilheiro do clube na temporada, com sete, no total. Paulinho, que não entrou em campo, tem quatro e vem em seguida na lista.
Dito isso, foi um grande jogo coletivo do Corinthians. É óbvio que o segundo tempo foi menos intenso que o primeiro, isso era esperado e até desejado. Com um placar construído, não há por que exigir tanto da equipe - ainda assim, o técnico Vítor Pereira continuou pedindo isso da área técnica.
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Tudo foi feito, aparentemente, como foi treinado: saída de bola, marcação-pressão, intensidade, e Guedes soube aproveitar as chances que teve. Aliás, o camisa 9 disse na saída de campo que acha “que mostrou onde quero jogar”. Ele e Vítor Pereira também, que vem implementando esse estilo há quase dois meses.
Com uma maior força no meio-campo, os laterais conseguem avançar mais e trabalhar melhor com quem está espetado nas pontas. Com a saída pela zaga, é possível ter uma melhor visão de jogo e construir mais sem tanto “quem sabe”. É com certeza.
E assim o Corinthians vai caminhando - com passos de formiga e com vontade, parafraseando Lulu Santos. Paciência e resultado, a fórmula do sucesso a longo prazo.