Neymar diz que deu o máximo, pede desculpas, mas refuta ser cai-cai

São Paulo, SP

06-09-2018 22:07:12

Neymar deixou a Copa do Mundo sem falar com a imprensa. Não é de hoje que o atacante evita os jornalistas após os jogos da Seleção Brasileira. O ápice dessa crise de relacionamento se deu nos Jogos Olímpicos de 2016. Agora, porém, Neymar garante que amadureceu e está preparado para voltar a ser dono da braçadeira de capitão da equipe canarinho. Sua reestreia no posto se deu já nessa quinta, quando o camisa 10 teve de conceder entrevista coletiva ao lado do técnico Tite antes do duelo amistoso contra os Estados Unidos, marcado para às 21h05 dessa sexta, em Nova Jersey.

A situação proporcionou questionamentos e deu oportunidade para o jogador do PSG falar sobre a decepção no Mundial da Rússia. A queda diante da Bélgica, nas quartas de final, por exemplo, na avaliação de Neymar, foi culpa de poucos minutos de desconcentração da Seleção. E apesar das atuações apenas modestas, o atacante garantiu que fez tudo que pôde.

“Foi um momento, muitos sabem, ruim na minha carreira, porque acabar se machucando, para qualquer atleta, é horrível. E fiz um esforço muito grande para estar na Copa, me dediquei a isso, a estar na Seleção. Fui ao meu máximo na competição, claro que eu queria estar melhor, queria estar 100%, como estou hoje, mas eu fui no meu máximo, fiz de tudo. Fui em busca de tudo para poder me entregar, e saio de cabeça erguida, porque eu lutei, busquei, tentei, meus companheiros da mesma forma. Nenhum de nós tem de baixar a cabeça. A gente buscou, mas fazer 10 ou 15 minutos ruins pode ser fatal. Acho que foi o que a gente aprendeu. A gente deixou de jogar 10 minutos e acabou perdendo o jogo (contra a Bélgica)”, comentou Neymar, ciente do peso que sua nova condição lhe traz.

“Acho que vou reconquista-los (os torcedores) jogando futebol. A responsabilidade é ainda maior por causa da braçadeira, não adianta nada ter a braçadeira e não jogar futebol. Peço desculpas aos torcedores que ficaram chateados com a gente, perder é muito ruim, e a gente tinha esse gostinho de que dava, mas não foi dessa vez. A gente buscou, fez de tudo para alcançar a melhor posição, mas não foi dessa vez”.

A primeira oportunidade de mostrar serviço será no amistoso dessa sexta-feira, mas a Copa América do ano que vem promete exigir muito da Seleção Brasileira, que mais uma vez jogará em seu território, com a pressão por uma resposta positiva.

“A gente não trabalha nisso. A gente trabalha no agora, estamos pensando nos Estados Unidos. Não adianta nada pensar daqui quatro anos, se não passar por agora. Nosso jogo começou três dias atrás, não amanhã. Dessa forma que eu penso, que o professor pensa, que o grupo pensa. A Copa América é obvio que a gente vai encarar como Copa do Mundo, mas a gente ainda não pode pensar na Copa América agora”, opinou Neymar.


Inevitavelmente, a pergunta sobre a fama de cai-cai, uma alcunha que ficou ainda mais latente depois do Copa do Mundo, não podia faltar. Mas, na reposta não veio nenhuma reflexão pessoal. Neymar novamente deixou claro que não vê nada de errado em seu jogo.

“Eu não tenho muito o que falar sobre isso. Sou um jogador que pego a bola 10 vezes e 11 delas vou para cima, sou mais rápido, um pouco mais leve e às vezes sofro as faltas. Não vão me deixar passar sem me dar uma porradinha, não posso pedir licença para fazer gol. Acabei sofrendo muitas faltas na Copa do Mundo, não era isso que eu queria, mas aconteceu. Outro aprendizado que eu levo para mim, quero melhorar dentro e fora do campo e ajudar a Seleção”, explicou o atacante, que nessa sexta volta ao palco de sua estreia e de seu primeiro gol com a camisa amarela, oito anos depois.

“Para mim, toda vez que eu venho para Seleção é diferente. Falei para ele (Tite) que alegria era estar de volta. É um momento único, que dificilmente descrever a felicidade de vestir essa camisa. Totalmente diferente da primeira, da segunda, outra época, mais velho, mais experiente, sensação diferente, a gente tem que se preparar, passar para os que estão chegando agora, cada vez mais nos unindo, buscando vencer sempre”, concluiu.

 

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